Morna, Coladeira e Kuduro: Ritmos de Cabo Verde e Angola
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Morna e Coladeira: Cabo Verde
A morna, como gênero musical, caracteriza-se por ter um andamento lento e um compasso binário (às vezes quaternário). A estrutura poética organiza-se em estrofes que alternam com um refrão. A morna é quase sempre monotônica, composta em apenas uma tonalidade. A temática da morna é variada, abordando temas universais como o amor, e temas da realidade cabo-verdiana, como a partida para o estrangeiro, o regresso, a saudade, o amor à pátria e o mar.
Eugénio Tavares foi um dos grandes responsáveis pela temática da morna. O instrumento principal para acompanhar a morna é a guitarra, chamada popularmente de «violão» em Cabo Verde. Outros instrumentos incluem: cavaquinho, viola de doze cordas, baixo acústico, trompete e percussão (chocalho, reco-reco, bongos, etc.).
Como dança: a morna é uma dança de salão, dançada aos pares.
História: Acredita-se que a morna surgiu na ilha da Boa Vista, no século XVIII. No início do século XX, Eugénio Tavares conferiu à morna o caráter romântico que ela tem hoje. Nos anos 30 e 40, Francisco Xavier da Cruz (B. Leza) introduziu os acordes de passagem, conhecidos como «meio-tom brasileiro». Nos anos 50 a 70, a coladeira, um novo gênero musical de ritmo mais rápido, atingiu a maturidade.
Variantes da morna: Morna da Boa Vista (com temas satíricos e sociais), morna da Brava, morna de São Vicente e a Cesária Évora.
Kuduro: Ritmo de Angola
O Kuduro é um estilo musical e de dança que surgiu em Angola. O nome significa "bumbum duro", em referência aos movimentos dos dançarinos. Originário dos bairros marginais de Luanda há cerca de 30 anos, o Kuduro tem uma forte identidade angolana.
O Kuduro se espalhou por Luanda, Angola, Portugal, Europa e Brasil. É visto como uma afirmação não tradicional, mas com raízes na música popular angolana (Kizomba e Semba).
Música e Dança: O ritmo é uma mistura de batidas eletrônicas, toques de dança, animações vocais e movimentos corporais exuberantes. A forma de cantar é semelhante ao rap, com letras que dão voz às injustiças. Os movimentos da dança são abruptos, enérgicos e, por vezes, com conotações eróticas ou violentas.