Movimentos Artísticos: Impressionismo, Modernismo e Arte Nova
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Impressionismo e Neo-impressionismo
O Impressionismo nasceu em Paris numa sociedade frenética, envolta no florescimento cultural trazido pelo teatro, pela ópera, pelo vaudeville e pelo estabelecimento do café como local de tertúlia e discussão; foi esse ambiente que criou o berço para outra revolução artística. A pintura impressionista surgiu por volta dos anos 60 do século XIX entre um grupo de artistas parisienses que se reunia no Café Guerbois para discutir a arte, a sua evolução e as atitudes perante ela, face ao aparecimento da fotografia, técnica revolucionária na representação do real.
Esta nova forma de expressão reagiu ao intelectualismo sociopolítico do Realismo e ao academismo. Através de uma pincelada mais espontânea e intuitiva, cujo principal objetivo era a captação fragmentária da perceção, com a utilização da cor e da luz como elementos essenciais, o Impressionismo libertou a pintura das amarras formais.
Relativamente às temáticas, o Impressionismo dedicou-se em grande parte à pintura ao ar livre. A técnica inovadora baseou-se na pintura espontânea, feita no momento, perante o objeto, sem racionalização ou teorização excessiva sobre o observado. Caracterizou-se pela utilização da cor como elemento central da concepção da tela e pelo uso de pinceladas rápidas, curtas e fragmentadas. Essa técnica produziu quadros com aspecto rugoso e inacabado, de cores abertas, volumes e formas pouco definidos, evidenciando valores de luz e sombra, frequentemente com uso de cores frias.
No que respeita à sua génese, o Impressionismo partiu do paisagismo romântico de Constable e Turner, do ar livre da escola de Barbizon, do Realismo pela observação direta do real, das estampas japonesas que invadiram a cultura ocidental e do desenho bidimensional. A concepção de obras in loco foi possível graças à utilização de tubos de tinta industrializados. O grande mentor da transição entre o Realismo e o Impressionismo foi Manet; contudo, foi Monet quem se dedicou completamente ao conceito do movimento, com uma análise profunda da luz e da cor como aspectos essenciais da concepção pictórica.
O Impressionismo não constituiu um movimento homogéneo, pois permitiu grande liberdade aos artistas. Surgiram críticas, nomeadamente a de que não concretizava plenamente a teoria da cor. Assim, emergiu o Neo-impressionismo, evolução do primeiro movimento que incorporou estudos científicos sobre a cor.
Os artistas mais representativos do Neo-impressionismo foram Seurat, fundador do pontilhismo (técnica que usa pequenas manchas de cor que, vistas à distância, formam uma mancha) e do divisionismo (pontilhismo baseado no uso da cor pura), Signac e Pissarro. Essa abordagem secundarizou a preocupação com a luz, privilegiando jogos de harmonia de cores. Formalmente, introduziu a reutilização do desenho como elemento importante, acrescentando ritmo, simetria e contraste.
Pós-impressionismo
O Pós-impressionismo foi um movimento do final do século XIX (c. 1880–1900). Apesar de partilhar algumas características, como a bidimensionalidade e o uso da cor, é mais correto estudar cada caso separadamente, dado que o movimento reúne direções distintas com objetivos próprios.
Van Gogh
Van Gogh foi um pintor realista-expressionista cujos quadros se distinguem pelas cores vibrantes e claras, desenho anguloso e enérgico, grandes contrastes, cores arbitrárias e formas sinuosas. Ao nível da intencionalidade, revela-se o expressionismo: o artista personifica a natureza, atribuindo-lhe estados de espírito.
Cézanne
Paul Cézanne aprendeu com Pissarro a técnica e a estética impressionistas, mas rapidamente a abandonou em favor de uma abordagem mais reflexiva, de análise pormenorizada da luz e da forma. Adaptou a luminosidade impressionista ao rigor da forma e do volume, analisando os elementos como se tivessem um esqueleto interior. Tal como os impressionistas, a sua pincelada era curta, porém aplicada na direção adequada, assemelhando-se ao sombreado do desenho. Cézanne conseguiu autonomizar a pintura do observado, abrindo caminho para movimentos do início do século XX.
Gauguin e o Simbolismo
Gauguin esteve inserido no núcleo impressionista de Paris, apesar de ter começado a pintar mais tarde. Contactou com Cézanne e Van Gogh; a sua pintura é, no entanto, muito pessoal, refletindo influências das estampas e do vitral medieval, evidentes nos contornos acentuados e nas cores planas. As características da sua pintura advêm essencialmente da admiração pela arte primitiva, daí o seu teor evasivo, a recusa da vida moderna e o exotismo.
As principais características da sua obra incluem temáticas ligadas à natureza, alteradas pelo pintor com caráter idílico, simbólico ou alegórico; formas bidimensionais, estilizadas, sintéticas e estáticas, contornadas; cores antinaturalistas, simbólicas e exóticas. Gauguin defendia que a pintura não era mera cópia da realidade, mas sim a sua transposição mágica, imaginativa e alegórica.
O Simbolismo estendeu-se a outros pintores como reação ao percurso representativo da arte (Naturalismo, Realismo e Impressionismo), valorizando um mundo subjetivo e interior. A pintura simbolista baseou-se nos estados emocionais, em sonhos e em fantasias, separando totalmente a arte da representação naturalista. Não obstante, não apresenta unidade estilística, pois os artistas simbolistas tiveram percursos diversos. Entre eles destacam-se Redon (o mais simbolista dos simbolistas) e o grupo dos Nabis. Os Nabis ("Profetas", em hebraico) procuraram romper por completo com o impressionismo, abrindo caminho para os movimentos do século XX: adotaram formas simplificadas e decorativas, cores puras e estenderam a sua atividade ao vitral, à cenografia, à ilustração e aos cartazes.
Toulouse-Lautrec
Toulouse-Lautrec foi o pintor da vida boémia de Paris. Apesar de ter estado próximo dos impressionistas, nunca partilhou o gosto pelo ar livre nem pela técnica difusa. De Degas recebeu a influência do desenho delicado e linear; também foi influenciado pelas estampas japonesas. Quanto às temáticas, inspirou-se nas cenas da vida boémia (prostitutas, bailarinas ou cantoras), razão pela qual alguns quadros tocam o obsceno e o grotesco.
A escultura e a arquitetura na viragem de século
A escultura na viragem de século
Foi Auguste Rodin quem marcou a escultura do final do século XIX, renovando-a e aproximando-a da estética contemporânea da pintura. A sua formação baseou-se no academismo romântico, mas Miguel Ângelo influenciou-o, sobretudo na extração do teor inacabado.
Rodin contrapôs superfícies lisas e polidas a blocos de pedra rugosos e inacabados. Nas suas peças modeladas evitou superfícies completamente polidas, mantendo reentrâncias que absorvem e refletem a luminosidade, conferindo dinamismo e vitalidade à peça.
A arquitetura dos engenheiros
A arquitetura europeia, na segunda metade do século XIX, evoluiu segundo padrões românticos. No ensino defendia-se que a arquitetura artística devia ocupar-se de questões formais e estéticas da edificação. A posição acadêmica impediu muitos arquitetos de se atualizarem: não houve aceitação imediata dos novos materiais e sistemas construtivos, nem uma revolução formal suficiente para classificar como verdadeiramente revolucionário qualquer estilo então em experimentação.
Com outra abordagem, os engenheiros, mais preocupados com a funcionalidade, relegaram a estética. Face ao crescimento demográfico nas cidades, tornou-se necessário alojar milhares de pessoas, o que conduziu à construção em altura e a problemas construtivos que exigiam soluções. Os engenheiros aplicaram saberes científicos, novos equipamentos e meios construtivos e novos materiais. Essa visão pragmática e funcionalista acabou por ser um dos fundamentos da arte moderna.
Entre os novos materiais, o ferro ganhou importância pela sua resistência, custo e plasticidade: permitiu vãos maiores, iluminação interior e liberdade espacial. Inicialmente usado em pontes, foi depois aplicado em edifícios com grandes vãos. Numa primeira fase o ferro foi escondido por acabamentos em pedra, mármore ou tijolo; mais tarde passou a ser usado abertamente em estações e em estruturas como o Palácio de Cristal de Paxton, para a Exposição Universal de Londres de 1851.
A utilização do ferro adaptou-se a várias tipologias: mercados, galerias, fábricas, jardins de inverno etc. A sua presença promoveu inovação nos sistemas e processos de construção e contribuiu para o desenvolvimento de novos gostos e conceitos estéticos.
O movimento Arts and Crafts
A industrialização em massa não foi bem aceite por todos: a produção seriada gerou objetos vulgares e pouco originais. Em meados do século XIX, teóricos ingleses como John Ruskin e William Morris dinamizaram o movimento Arts and Crafts, que combateu a industrialização da arte e procurou revalorizar a criação manual e individual, defendendo a separação entre arte e indústria.
Formados segundo uma estética romântica e medievalizante, Ruskin e Morris promoveram uma arte pura, criada individualmente, original e de bom gosto, aplicável a todas as artes (unidade das artes), conseguida pela rejeição de processos industriais. Para esses teóricos, a arte devia melhorar as condições de vida e educar o povo na estética, elevando a qualidade de vida material.
Em 1874, Morris criou o atelier Morris & Co., reunindo artistas plásticos e mestres artesãos para produzir arquitetura, tapeçaria, mobiliário, entre outros, e organizou exposições para popularizar as criações do seu ateliê. O movimento materializou-se em moradias familiares rústicas de tradição inglesa (estética medieval), com exteriores irregulares e interiores de formas orgânicas, onde mobiliário, papéis de parede, estofos e cortinados se integravam com a construção.
Assim, o Arts and Crafts desenvolveu sobretudo as artes aplicadas e constituiu a base da Arte Nova e do design moderno.
O Modernismo
Termo geral atribuído às várias correntes vanguardistas da arte e da arquitetura que dominaram a cultura ocidental durante grande parte do século XX; movimento literário em que a literatura surge associada às artes plásticas e é por estas influenciada (in Dicionário Priberam).
O Modernismo emergiu num contexto de estabilidade política, prosperidade e progresso científico que possibilitaram inovações artísticas. Marca-se pela ruptura formal, técnica e estética, privilegiando sensibilidade, fantasia, refinamento estético e imaginação. O estilo que inaugurou o Modernismo foi a Arte Nova.
Arte Nova
O movimento Arte Nova apresentou várias vertentes regionais e pessoais, mas tinha princípios unificadores. Formalmente, revelou grande originalidade e criatividade e rejeitou estilos acadêmicos, históricos e revivalistas. Caracterizou-se por formas inspiradas na natureza e no corpo humano, estruturas orgânicas, movimentos sinuosos, dinamismo e formas estilizadas, sintetizadas ou geometricizadas.
Houve adesão ao progresso técnico e material, com utilização de novas técnicas e materiais. A génese da Arte Nova remonta ao Arts and Crafts inglês (William Morris), com influências do Gótico Flamejante, do Rococó, das pinturas japonesas e do folclore inglês. A Arte Nova sintetizou tradição e inovação, expressando a modernidade.
A adesão à Arte Nova foi grande nos centros urbanos nos primeiros anos do século XX. Expandiu-se a todas as modalidades artísticas, alcançando a unidade das artes (princípio herdado do Arts and Crafts). A arquitetura da Arte Nova foi a primeira a romper com as tradições historicistas e ecléticas acadêmicas, tornando-se o primeiro estilo verdadeiramente inovador do final do século XIX e início do século XX.
Técnica e formalmente, a Arte Nova privilegiou plantas livres obtidas por distribuição orgânica e funcional das dependências, volumes irregulares e assimétricos e superfícies curvilíneas. Esteticamente, promoveu a integração da ornamentação interior e exterior com a arquitetura, variando consoante as escolas: podia ser exuberante, volumétrica, estilizada, geometricizada, naturalista, orgânica, imaginativa, simbólica ou poética.
As características da Arte Nova aplicaram-se independentemente da tipologia do edifício. Geograficamente, desenvolveram-se dois padrões gerais: um que valoriza a estética ornamental, floral, naturalista e curvilínea e outro mais racional, estrutural, geométrico e funcionalista.
Os focos da arquitetura Arte Nova
A Arte Nova desenvolveu-se primeiramente na Bélgica, com Victor Horta, que criou edifícios de estruturas simples e sóbrias, fachadas movimentadas e abertas e interiores funcionais onde decoração e elementos estruturais se fundem; e com Henry Van de Velde, cuja obra mais importante se destacou no mobiliário de rigor formal, funcional e estético.
Em França, numa linguagem semelhante à belga, destacou-se Hector Guimard, autor do edifício Castel Béranger e das entradas do metro de Paris. O modernismo catalão sobressaiu com Lluís Domènech i Montaner, que privilegiou a simplicidade das formas e o uso de materiais locais, como ladrilhos cozidos avermelhados, e com Antoni Gaudí, de influências góticas e mudéjares, que modelou dinamicamente volumes e usou grande variedade de materiais, projetando também mobiliário para os seus edifícios.
Outras escolas importantes foram a Escola de Glasgow, a Secessão Vienense e a Escola de Chicago. A Escola de Glasgow, com destaque para Mackintosh, sofreu forte influência do Arts and Crafts e desenvolveu linhas ortogonais, paredes lisas, grandes superfícies envidraçadas, volumetrias muito geometricizadas e decoração contida; o mobiliário de Mackintosh reflete essas características.
A Secessão Vienense, semelhantemente, baseou-se na simplificação geométrica, distribuição simétrica, racional e funcional dos espaços, planimetria e nudez das paredes, com tratamento austero e contido. Foi criada por um grupo de artistas austríacos que, à semelhança da Escola de Glasgow, quiseram romper com revivalismos e historicismos acadêmicos.
A Escola de Chicago, a mais estruturalista, desenvolveu-se após o grande incêndio que destruiu grande parte da cidade e exigiu uma reconstrução intensa. Iniciada por arquitetos como Sullivan, aplicou novas técnicas construtivas e linhas ortogonais, libertando a parede como mero elemento estrutural e permitindo maior liberdade na planta e a mobilidade de divisórias.
O expoente dessa escola foi Frank Lloyd Wright, que trabalhou essencialmente em moradias privadas de campo (prairie houses), revitalizando tradições locais quanto aos materiais e à distribuição do espaço e acrescentando uma visão organicista e funcional.
O Modernismo, e mais concretamente a Arte Nova, tiveram papel fulcral para a posteridade, especialmente para as artes aplicadas, que passaram a ser valorizadas ao nível da arquitetura, pintura e desenho. Revalorizaram objetos produzidos industrialmente, conferindo-lhes qualidades estéticas e formais.
Gonçalo Vaz de Carvalho - 2008
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Lluís Domènech i Montaner primou pela simplicidade das formas e pelo uso de materiais locais, como um ladrilho cozido de cor avermelhada, e Antoni Gaudí, de influências góticas e mudéjares, modelou dinamicamente os volumes dos edifícios que concebeu, usando uma grande variedade de materiais. Também se distinguiu pela concepção de mobiliário para os seus edifícios.
Outras escolas, distintas das anteriores, foram a Escola de Glasgow, a Secessão Vienense e a Escola de Chicago. A Escola de Glasgow, composta por um grupo de artistas, com destaque para Mackintosh, tem pesada influência do Arts and Crafts. Desenvolveu-se segundo linhas ortogonais, paredes lisas, grandes superfícies envidraçadas, volumetrias muito geometricizadas e decoração contida. O mobiliário concebido por Mackintosh reflete exatamente essas características.
A Secessão Vienense, à imagem da de Glasgow, baseou-se na simplificação geométrica, na distribuição simétrica, racional e funcional dos espaços, na planimetria e na nudez das paredes, com um tratamento austero. Foi criada por artistas austríacos que, com base no trabalho da Escola de Glasgow, desejaram romper com revivalismos e historicismos acadêmicos.
A Escola de Chicago, a mais estruturalista das escolas, desenvolveu-se após o grande incêndio que afetou a cidade e que exigiu reconstrução. Iniciada por arquitetos como Sullivan, aplicou novas técnicas construtivas e linhas ortogonais, libertando completamente a parede como elemento estrutural, o que permitiu maior liberdade na planta e mobilidade de divisórias.
A Escola de Chicago teve o seu expoente máximo em Frank Lloyd Wright, que trabalhou essencialmente em moradias privadas de campo (prairie houses), revitalizando tradições locais ao nível dos materiais e da distribuição do espaço, e acrescentando-lhes uma visão organicista e funcional.
O Modernismo, e concretamente a Arte Nova, tiveram um papel fulcral para a posteridade, especialmente para as artes aplicadas, que foram elevadas ao mesmo nível da arquitetura, pintura e desenho. Revalorizaram objetos produzidos industrialmente, adicionando-lhes qualidades estéticas e formais.
Apareceu como elemento estrutural, permitindo maior liberdade na planta e a mobilidade de divisórias. A Escola de Chicago teve o seu expoente máximo em Frank Lloyd Wright, que trabalhou essencialmente em moradias privadas de campo (prairie houses), revitalizando tradições locais ao nível dos materiais e da distribuição do espaço, acrescentando-lhes uma visão organicista e funcional.
O Modernismo, mais concretamente a Arte Nova, teve um papel fulcral para a posteridade, mais propriamente para as artes aplicadas, que foram elevadas à altura da arquitetura, pintura ou desenho. Revalorizou os objetos produzidos industrialmente, adicionando-lhes qualidades estéticas e formais.