Natureza e Cultura: Instinto, Cultura e Diferenças

Classificado em Psicologia e Sociologia

Escrito em em português com um tamanho de 3,8 KB

Natureza e Cultura

Introdução

Desde que surgiu o Cro-Magnon, o Homo sapiens não evoluiu biologicamente de forma significativa; seu corpo é basicamente o mesmo há milhares de anos. No entanto, é óbvio que sua cultura sofreu um desenvolvimento espetacular. A cultura é o que nos diferencia e separa dos animais. Assim, há uma diferença entre fazer a digestão, um processo que caracteriza o animal, e resolver uma raiz quadrada ou construir uma catedral, atividades humanas. Não há dúvida de que o processo de humanização consistiu em explorar nossas capacidades cognitivas para comunicar e compreender o mundo. No entanto, isso teria sido impossível sem os recursos intelectuais necessários. Em suma, sem o processo de humanização não teria ocorrido a cultura. Somos produto da biologia e da cultura.

O conceito de natureza e cultura se opõe. Natureza refere-se ao biológico, às características universais encontradas em todos os seres humanos em virtude de pertencer à mesma espécie biológica. Pelo contrário, a cultura está associada ao adquirido, ao artificial, às especificidades que caracterizam a maneira pela qual cada grupo humano resolve o problema da sobrevivência.

Confusão

Costuma-se pensar que tudo o que ocorre na natureza é bom e tudo o que é criado pelo homem é ruim, porque pode atrapalhar ou agredir a natureza. Na verdade, os conceitos de bom e ruim são construções culturais. A natureza não é boa nem má; é amoral, porque está fora das normas de conduta do grupo humano. O mito do bom selvagem, descrito por Rousseau, incorre nessa confusão. Esse filósofo imagina que, em um estado de natureza original, antes da criação da cultura, os seres humanos viveram felizes. Assim, para Rousseau, "estado de natureza" e "civilização" são termos antagônicos, representando, respectivamente, a bondade primitiva e a corrupção dos costumes.

Cultura

Definição

O antropólogo E. B. Tylor definiu cultura como: "um todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, direito, costumes e outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade". O filósofo espanhol Jesús Mosterín apresenta outra definição: para este pensador, cultura são as informações transmitidas entre indivíduos da mesma espécie por meio da aprendizagem social. Mosterín explica que, em comparação com a informação genética fornecida pelos genes, as informações culturais seriam transmitidas por meio da memética, ou seja, pelos memes.

Instinto animal

Os animais desenvolveram um sistema de instintos. Precisamente esses instintos servem para garantir sua sobrevivência e permitem uma resposta adequada a cada estímulo que recebem. Em conclusão, podemos dizer que o comportamento animal é instintivo. Daí resulta que também é previsível, uma vez que não varia. Observa-se que o comportamento de um animal é programado em seu código genético. Mas o animal não nasce com todas as respostas prontas; nasce com uma anatomia especialmente concebida para implementar com sucesso essas respostas. Em conclusão, o instinto e a anatomia são determinantes.

Porém, muitos animais são capazes de desenvolver comportamentos adquiridos através da experimentação e da imitação. A abertura à experiência é uma característica dos juvenis, que se perde ao atingir a maturidade. Uma vez adaptado ao seu ambiente, o animal não precisa manter a aprendizagem e pode perder essa capacidade; contudo, nem todos os animais seguem esse padrão. De fato, alguns nascem totalmente programados pelos seus genes, com comportamentos complexos e muito eficientes para atender às necessidades do ambiente. Por esta razão, diz-se que o animal vive em um mundo fechado.

Entradas relacionadas: