Neoliberalismo e Globalização: Vantagens e Impactos

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O que é Neoliberalismo

Neoliberalismo é uma redefinição do liberalismo clássico, influenciado pelas teorias econômicas neoclássicas, e é entendido como um produto do liberalismo econômico clássico. O neoliberalismo pode ser uma corrente de pensamento e uma ideologia — ou seja, uma forma de ver e julgar o mundo social — ou um movimento intelectual organizado, que realiza reuniões, conferências e congressos.

Na política, o neoliberalismo é um conjunto de ideias políticas e econômicas capitalistas que defende a mínima participação do Estado na economia, com ênfase na liberdade de comércio para garantir o crescimento econômico e o desenvolvimento social de um país.

O neoliberalismo defende a pouca intervenção do governo no mercado de trabalho, a política de privatização de empresas estatais, a livre circulação de capitais internacionais e ênfase na globalização; a abertura da economia para a entrada de multinacionais; a adoção de medidas contra o protecionismo econômico; a diminuição de impostos e tributos excessivos, entre outras medidas.

O neoliberalismo é bastante criticado, pois muitos acreditam que a economia neoliberal só beneficia as grandes potências econômicas e as empresas multinacionais. Países pobres ou em desenvolvimento podem sofrer com os resultados de políticas neoliberais, gerando desemprego, baixos salários, aumento das desigualdades sociais e dependência do capital internacional.

Globalização — vantagens e desvantagens

Como muitos outros fenômenos de elevada complexidade, a globalização apresenta vantagens e desvantagens. A globalização foi importante no combate à inflação e ajudou a economia ao facilitar a entrada de produtos importados. O consumidor teve acesso a produtos importados de melhor qualidade e mais baratos, assim como a produtos nacionais mais acessíveis e de melhor qualidade. Outra vantagem é que a globalização atrai investimentos de outros países, traz desenvolvimento tecnológico, melhora o relacionamento entre países, potencia as trocas comerciais internacionais e abre as portas para diferentes culturas.

Por outro lado, uma das maiores desvantagens da globalização é a concentração da riqueza: a maior parte do dinheiro fica nos países mais desenvolvidos e apenas 25% dos investimentos internacionais vão para as nações em desenvolvimento, o que faz disparar o número de pessoas que vivem em extrema pobreza, vivendo com menos de 1 dólar por dia. Alguns economistas afirmam que, nas últimas décadas, a globalização e a revolução tecnológica e científica — responsáveis pela automação da produção — são as principais causas do aumento do desemprego.

Neoliberalismo e globalização

O neoliberalismo, na prática, pode implicar intervenções indiretas do Estado na economia, sempre com a intenção de impor disciplina ao mercado quando este flutuava de acordo com a lei da oferta e da procura. Para os neoliberais, a peça fundamental da economia de um país era o controle de preços. O Estado, por sua vez, teria o trabalho de manter o equilíbrio dos preços por meio da estabilização financeira e monetária, adotando políticas econômicas anti-inflacionárias e cambiais. Assim, a liberdade econômica continuaria a existir, e os governos teriam a função de combater os excessos da livre concorrência e o controle dos mercados pelos grandes monopólios econômicos.

A globalização, por sua vez, é o crescimento da interdependência entre povos e países de todo o planeta. Esse processo de globalização econômica atinge fatores como a produção, as patentes, as finanças, o comércio e a publicidade, tudo inserido em uma economia mundial integrada; o processo econômico das grandes empresas é pensado em escala global.

A globalização se manifesta de vários modos nas relações econômicas mundiais:

  1. Criação de organizações macroregionais: acordos políticos envolvendo vários setores públicos, estados e empresas particulares de diversas nações, dando origem a organizações econômicas macrorregionais que interligam países de uma determinada região do mundo. O grande objetivo dessas organizações é a redução das barreiras alfandegárias, facilitando a circulação de bens e serviços entre os países envolvidos. Exemplos: NAFTA, MERCOSUL e União Europeia.
  2. Crescimento do comércio internacional: o mundo se tornou um grande mercado planetário, quebrando barreiras de distância, línguas, raças e culturas distintas. Fatores que explicam esse crescimento incluem o progresso econômico de países em desenvolvimento, a expansão de empresas multinacionais, acordos de cooperação comercial, o desenvolvimento de novas tecnologias de comunicação e o barateamento dos custos de transporte de cargas.
  3. Fluxo financeiro: a política cambial entre países provocou um enorme aumento dos fluxos financeiros que circulam pelo mundo.
  4. Mundialização da produção: a produção passou a ser coordenada por empresas multinacionais, que desenvolvem processos de divisão internacional do trabalho. Com diversas filiais espalhadas pelo mundo, as empresas instalam fases diferentes de suas operações em unidades situadas em países distintos, impondo critérios muitas vezes mais vantajosos, por exemplo: salário e qualificação profissional.

Os conceitos de neoliberalismo e globalização estão ligados porque o neoliberalismo se desenvolveu concomitantemente à globalização, especialmente à globalização econômica. Depois da Segunda Guerra Mundial, o aumento do consumo e o avanço da tecnologia de produção levaram a sociedade ao consumismo. Essa sociedade consumista fomentou a globalização econômica, permitindo que capitais, serviços e produtos fluíssem por todo o mundo — um pensamento alinhado ao neoliberalismo. Dessa forma, o neoliberalismo promoveu a liberdade econômica ordenada pelo mercado, embora, em algumas ocasiões, o Estado precise intervir para evitar desequilíbrios financeiros. Ainda assim, a doutrina neoliberal defende que economia e política atuem de forma relativamente autônoma, e por isso é contrária à intervenção política excessiva na economia.

Considerações finais

O objetivo deste trabalho foi analisar e compreender criticamente — ainda que como um primeiro esforço — os conceitos e processos de globalização e neoliberalismo, no que se refere aos seus movimentos e relações (positivas e negativas) com diversos aspectos econômicos e políticos ocorridos em esfera global, principalmente a partir da segunda metade do século XX, nos países do Sul e, em particular, na América Latina.

A tentativa de definir o que seria o neoliberalismo não foi simples, em razão do prefixo "neo", cuja intenção é dar um novo significado, mantendo, ao mesmo tempo, similitudes com conceitos do passado. Isso traz problemas de compreensão.

Nesse sentido, preferimos, antes mesmo de definir o neoliberalismo, apresentar historicamente alguns pressupostos básicos e essenciais do liberalismo político e econômico e, a partir daí, demonstrar o que permaneceu enquanto lógica de ação e o que foi alterado. Foi possível verificar que o neoliberalismo assumiu a proposta de reformular as funções do Estado, resgatando a ideia de Estado mínimo e de livre mercado; implicitamente está contida a noção de tendência ao equilíbrio: o mercado como espaço de produção e reprodução do capital sem a interferência política do Estado, ou seja, como espaço de neutralidade ou extrapolítico por excelência.

Outro fator que ajudou a veicular esses preceitos neoliberais foi o processo de globalização. Não se deve encarar a globalização como uma entidade autônoma e independente, mas sim como um processo histórico de produção e reprodução do capital de forma combinada e desigual, que, ao mesmo tempo em que visa integrar, também evidencia diferenças — culturais, sociais, políticas, econômicas e espirituais — entre os países do Norte e do Sul.

A globalização, vista como processo historicamente determinado, não deve ser considerada definitiva nem um fenômeno plenamente constituído. Por outro lado, pode-se afirmar que, por meio dela, muitas evidências foram levantadas para que lideranças políticas no Brasil pactuassem com atores e grupos hegemônicos da sociedade, a fim de incorporar reformas por ela veiculadas, dentre elas a privatização de setores de infraestrutura, por exemplo.

Fruto desses processos, destacamos ainda o chamado Consenso de Washington como orientação político-econômica dominante na década de 1990 para os países em desenvolvimento, entre eles o Brasil, que se destacou pela incorporação e implementação relativa das reformas sugeridas por esse consenso.

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