Neoplasias: Definição, Classificação e Diagnóstico

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O que são Neoplasias?

Neoplasias são massas anormais de tecido cujo crescimento excede e não está coordenado ao crescimento dos tecidos normais, persistindo mesmo após a cessação da causa que o provocou.

Etiologia das Neoplasias

A etiologia exata é muitas vezes desconhecida, mas as causas podem ser agrupadas em:

  • Alterações diretas no DNA: Mutações no DNA (podem ocorrer milhões durante o ciclo celular normal) que ativam oncogenes (genes promotores de crescimento) ou inativam genes supressores de tumor. Proto-oncogenes normais codificam proteínas essenciais; suas formas alteradas (oncogenes) contribuem para a transformação neoplásica e podem ser alvos para diagnóstico precoce.
  • Agentes epigenéticos: Alterações na expressão do DNA sem modificar a sequência. Exemplo: agentes químicos cancerígenos.

Os agentes causadores podem ser divididos em:

  • Agentes Físicos: Radiação (Raios-X, UV), agentes térmicos (exposição solar excessiva).
  • Agentes Químicos: Corantes (ex: anilina), fumo de tabaco.
  • Agentes Biológicos: Vírus (ex: HPV, CMV). Bactérias geralmente não são consideradas agentes causadores diretos de neoplasias, embora algumas infecções crônicas possam aumentar o risco.

Nomenclatura das Neoplasias

  • Benigna: Geralmente, acrescenta-se o sufixo -oma ao nome do tecido de origem. Exemplo: Papiloma (origem epitelial papilífera).
  • Maligna:
    • Carcinoma: Neoplasia maligna de origem epitelial.
    • Sarcoma: Neoplasia maligna de origem mesenquimal (tecido conjuntivo, osso, músculo, etc.).
    • Exceções: Alguns tumores com sufixo -oma são malignos (ex: melanoma, linfoma).

Classificação das Neoplasias

Quanto ao Comportamento (Prognóstico)

  • Benigna:
    • Crescimento lento.
    • Crescimento expansivo (comprime tecidos adjacentes, geralmente encapsulada).
    • Metástase ausente.
  • Maligna:
    • Crescimento rápido.
    • Crescimento expansivo e infiltrativo (invade tecidos adjacentes).
    • Metástase frequentemente presente (disseminação para locais distantes).

Quanto às Características Microscópicas

  • Benignas: Células semelhantes às do tecido de origem (bem diferenciadas), núcleos relativamente normais, porém com arranjo tecidual diferente do normal.
  • Malignas: Células com graus variados de afastamento do padrão original (diferenciação pobre a anaplasia). Apresentam atipia celular: alterações na forma, tamanho e número dos núcleos; mitoses atípicas (anormais); relação núcleo/citoplasma alterada (aumentada). Quanto mais alterações (atipias), maior o grau de malignidade.

Quanto à Histogênese (Tecido de Origem)

  • Epiteliais: Originadas de tecidos de revestimento ou glandulares.
  • Mesenquimais: Originadas de tecidos conjuntivos, musculares, ósseos, etc.
  • Outras: Neoplasias de células nervosas, germinativas, etc.

Quanto à Anatomia Patológica

A avaliação anatômica (macro e microscópica) tem grande influência no prognóstico.

Características Macroscópicas
  • Volume: Não é, isoladamente, um indicativo seguro de prognóstico.
  • Forma:
    • Benignos: Frequentemente esféricos/nodulares e bem delimitados.
    • Malignos: Frequentemente irregulares e sem delimitação nítida.
  • Superfície:
    • Benignos: Geralmente lisa. Pode ser papilar, vegetante.
    • Malignos: Frequentemente irregular, pode ser ulcerada, necrótica. Neoplasias epiteliais malignas são frequentemente ulceradas.
  • Cor: Variável. Metástases tendem a ter a cor do tecido de origem.
  • Consistência: Geralmente mais consistentes que o tecido originário, especialmente em tumores infiltrativos.
Características Microscópicas
  • Parênquima (Células Neoplásicas):
    • Benignos: Células bem diferenciadas, semelhantes ao tecido original.
    • Malignos: Células com modificações significativas (atipias, pleomorfismo).
  • Estroma (Tecido de Sustentação): Tecido conjuntivo e vasos que suportam o parênquima. Pode ser escasso ou abundante (desmoplasia), influenciando a consistência do tumor.

Diagnóstico das Neoplasias

  • Biópsia: Remoção de uma parte (incisional) ou de todo (excisional) o tecido/órgão suspeito para análise anatomopatológica (exame macro e microscópico da arquitetura tecidual e das células).
  • Raspado/Esfregaço (Citologia): Coleta de células (ex: com swab) para exame citológico (análise das características celulares individuais). Ex: Papanicolau.

Gradação Histológica (Exemplo de Sistema de Graduação)

Avalia o grau de diferenciação celular, frequentemente usado para tumores malignos:

  1. Grau I: Células bem diferenciadas; sem células inflamatórias significativas.
  2. Grau II: Células bem diferenciadas; presença de algumas células inflamatórias.
  3. Grau III: Células com certo grau de desdiferenciação ou indiferenciação; elementos inflamatórios podem estar presentes.
  4. Grau IV: Células com médio grau de desdiferenciação ou indiferenciação; elementos inflamatórios comumente presentes.
  5. Grau V: Alto índice de indiferenciação ou desdiferenciação (anaplasia), indicativo de alta malignidade; geralmente grande quantidade de células inflamatórias associadas.

Crescimento Secundário (Disseminação)

Formação de focos tumorais secundários, distantes do foco de origem:

  • Por Invasão Local: Células neoplásicas infiltram tecidos adjacentes. As células podem se soltar da massa principal e fixar-se na matriz intersticial próxima, onde podem se nutrir e proliferar.
  • Por Metástase: Disseminação de células neoplásicas para locais distantes, através de vasos linfáticos ou sanguíneos. Ocorre principalmente em órgãos com rica vascularização. As células se desprendem do tumor primário, sobrevivem na circulação, aderem ao endotélio vascular em um novo local e extravasam para formar um novo tumor (foco metastático) se encontrarem condições favoráveis para proliferação celular.

Alterações no Crescimento e Desenvolvimento Celular/Tecidual

Agenesia:
Ausência congênita total ou parcial de um órgão ou parte do corpo (ex: agenesia do dente siso).
Aplasia:
Ausência de desenvolvimento de um órgão, restando apenas um esboço embrionário rudimentar.
Hipoplasia:
Desenvolvimento incompleto ou deficiente de um órgão ou tecido, resultando em tamanho reduzido, mas com alguma função preservada.
Atresia:
Ausência ou fechamento de um orifício ou ducto corporal normalmente existente.
Ectopia (ou Heterotopia):
Presença de um tecido ou órgão em localização anormal, fora do seu sítio habitual. Exemplo: tecido pancreático na parede do estômago.
Displasia:
Desenvolvimento celular anormal em tamanho, forma e organização dentro de um tecido. Pode ser reversível e é considerada uma lesão pré-maligna.
Anaplasia:
Perda de diferenciação celular; células adultas revertem a características mais primitivas (semelhantes às embrionárias). É uma característica de malignidade e é irreversível. Ex: Células em leucemias agudas.

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