Nervos Cranianos: Questões e Respostas Detalhadas
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Questões sobre Nervos Cranianos e Suas Implicações Clínicas
1. Paralisia Facial Periférica:
Uma mulher de 60 anos queixa-se de impossibilidade de bochechar e beber líquidos sem extravasamento, incapacidade de fechar a rima palpebral e de enrugar a testa. Diante deste quadro clínico, qual o nervo craniano acometido? Explique a sintomatologia da paciente.
Resposta: O nervo craniano acometido é o nervo facial (VII par), ocasionando um distúrbio denominado paralisia facial periférica. Este par de nervos cranianos é responsável pela inervação motora dos músculos da mímica facial, o que justifica a dificuldade de enrugar a testa e o pouco tônus muscular da hemiface lesada. A impossibilidade de bochechar e beber líquidos sem extravasamento ocorre devido ao prejuízo da inervação dos músculos responsáveis por essas funções (músculo bucinador e orbicular da boca). A impossibilidade do fechamento da rima palpebral, irritação ocular e lacrimejamento se dá devido ao dano causado na inervação da porção palpebral do músculo orbicular do olho, tendo como consequência o excesso de lágrimas como uma tentativa de proteção ocular auxiliar e a recorrência de infecções, uma vez que a possibilidade de piscar está descartada. Como o VII par também é responsável pela sensibilidade gustativa dos 2/3 anteriores da língua, devido ao prejuízo causado a tal nervo, a paciente irá apresentar hipogeusia. A hiperacusia se dá pelo fato do músculo estapédio, que protege a audição contra ruídos intensos e repentinos, ser inervado por um ramo do nervo facial, dessa maneira, lesões causadas no VII par tendem a causar paralisia do músculo estapédio e consequente hiperacusia.
2. Neuralgia do Trigêmeo:
Um homem de 70 anos apresentou subitamente dor de extrema intensidade no terço inferior da hemiface direita que desapareceu após cerca de 30 minutos. Qual o provável sítio da lesão?
Resposta: O provável sítio da lesão é o ramo mandibular do nervo trigêmeo, V par craniano. O distúrbio apresentado pelo paciente provavelmente se trata de uma neuralgia do trigêmeo, que afeta exclusivamente a parte sensitiva do nervo, preservando a motora, por essa razão que não foram relatadas dificuldades de deglutição.
3. Via Trigeminal para Sensibilidade Térmica e Dolorosa:
Explique a via trigeminal responsável pela sensibilidade térmica e dolorosa da cabeça.
Resposta: A via trigeminal responsável pela sensibilidade térmica e dolorosa da cabeça é uma via descendente, a via do trato espinhal do trigêmeo, que é constituída por fibras sensitivas que penetram na ponte pelo nervo trigêmeo e tomam trajeto descendente ao longo do núcleo do trato espinhal do nervo trigêmeo, onde terminam. É a via trigeminal exteroceptiva.
Neurônio I: Estão os gânglios sensitivos anexos aos nervos V, VII, IX e X. São neurônios pseudounipolares, cujos prolongamentos periféricos ligam-se aos receptores através dos respectivos nervos, enquanto os prolongamentos centrais penetram no tronco encefálico, onde terminam fazendo sinapse com os neurônios II.
Neurônios II: Estão localizados no núcleo do trato espinhal ou no núcleo sensitivo principal do trigêmeo. Todos os prolongamentos centrais dos neurônios I dos nervos VII, IX e X terminam no núcleo do trato espinhal do V. Os prolongamentos centrais do V par podem terminar no núcleo sensitivo principal, no trato espinhal ou então bifurcar dando ramo para cada um destes núcleos. Os axônios dos neurônios II situados no núcleo do trato espinhal e no núcleo sensitivo principal em sua grande maioria cruzam para constituir o lemnisco trigeminal, cujas fibras terminam fazendo sinapse com neurônios III.
Neurônios III: Localizam-se no núcleo ventral póstero-medial do tálamo. Originam fibras que, como radiações talâmicas, ganham o córtex passando pela cápsula interna e coroa radiada. Estas fibras terminam na porção da área somestésica que corresponde à cabeça, ou seja, na parte inferior do giro pós-central.
4. Reflexo Mandibular:
Descreva a via anatômica envolvida no reflexo mandibular.
Resposta: A resposta do reflexo mandibular consiste no fechamento brusco da boca por ação dos músculos mastigadores, em especial o masseter. Para se obter esse reflexo, percute-se o mento de cima para baixo, estando a boca entreaberta. As vias aferentes e eferentes se fazem pelo nervo trigêmeo. A percussão do mento estira os músculos mastigadores, ativando fusos neuromusculares aí localizados. Iniciam-se, então, impulsos aferentes que seguem pelo nervo mandibular e atingem o núcleo do trato mesencefálico do trigêmeo. Os axônios dos neurônios aí localizados fazem sinapses no núcleo motor do trigêmeo, onde se originam os impulsos eferentes que determinam a contração dos músculos mastigadores.
5. Controle Motor dos Músculos da Mastigação:
Explique a via trigeminal responsável pelo controle motor dos músculos da mastigação.
Resposta: A via trigeminal responsável pelo controle motor dos músculos da mastigação é a chamada via trigeminal proprioceptiva. Ao contrário do que ocorre na via exteroceptiva, os neurônios I da via proprioceptiva do trigêmeo não estão em um gânglio e sim no núcleo do trato mesencefálico. Os neurônios deste núcleo têm o mesmo valor funcional de células ganglionares. São neurônios de corpo muito grande e do tipo pseudo-unipolar. O prolongamento periférico destes neurônios liga-se a fusos neuromusculares situados na musculatura mastigadora, mímica e língua. Liga-se também a receptores na articulação temporomandibular e nos dentes, os quais veiculam informações sobre a posição da mandíbula e a força da mordida. A maioria dos prolongamentos centrais desses neurônios estabelece sinapses com neurônios do núcleo motor do V, formando-se arcos reflexos simples, como o reflexo mandibular.