Grandes Nomes da Arquitetura Moderna Brasileira
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Paulo Mendes da Rocha
- Coerência: Desenvolvimento de uma linha constante.
- Fascínio pela engenharia e pela técnica.
- Recria o espaço de acordo com a forma estrutural.
- A obra de Paulo Mendes da Rocha é uma expressão contundente da confiança num projeto moderno que se considera ainda não suficientemente implantado nas cidades brasileiras. Um projeto moderno que se baseia no domínio do saber técnico, na intensidade conceitual, no mecanismo da abstração, na vontade de inserção urbana e na vocação social (entendimento mais amplo: não apenas arquitetura, mas sim sociedade).
- Para que se alcance essa arquitetura, é necessário domínio tecnológico, uso cuidadoso do concreto armado e do aço (criação de uma nova monumentalidade), solidez, texturas e minimalismo.
- João Vilanova Artigas abriu o caminho arquitetônico para várias gerações de arquitetos paulistas. Uma peculiar arquitetura socialmente responsável, com vontade de estabelecer uma nova ordem urbana à escala do homem moderno, realizada com grandes estruturas de concreto armado sem ornamento.
- Recriam-se grandes espaços cobertos, por vezes pouco funcionais, que potencializam a vida comunitária e o contato humano.
- Postura e pensamento (economia, política, etc.) modernos (modernismo).
- A qualificada obra de Lina Bo Bardi e de Paulo Mendes da Rocha, sob o ponto de vista do panorama internacional, tem devolvido à arquitetura brasileira o protagonismo e a fragrância que teve nos anos quarenta.
- A obra de Paulo Mendes da Rocha possui racionalidade, sistematização, essencialidade e redução, diferindo das obras de Niemeyer, Le Corbusier, etc.
- Artigas, Mendes da Rocha e a Escola Paulista seguiram o itinerário contrário, em direção à massa e ao peso, ainda que esta se mantenha numa posição de difícil equilíbrio. Por outro lado, estão unidos por uma concepção comum do edifício enquanto objeto autônomo, enquanto escultura. Há também uma confiança comum no objeto arquitetônico para outorgar um novo valor ao lugar.
- Lina Bo Bardi e Paulo Mendes da Rocha têm seguido caminhos diametralmente opostos, expressões de duas maneiras diferentes de entender a arquitetura moderna. Enquanto Lina Bo Bardi converteu-se em contextualista, integrando figuras de arte popular e incluindo cada vez mais iconologias, Paulo Mendes da Rocha insiste em seu caminho pessoal de autorreferência e de exclusão de tudo aquilo que não corresponda à estrutura essencial do espaço.
Vilanova Artigas
- Arquiteto, professor e atuante político.
- Foi um construtor (quando se constrói, reúne-se a matéria com algum sentido).
- Para construir, é necessário fazê-lo duas vezes: a primeira em pensamento.
- Artigas formou-se em 1937 e, por anos, dedicou-se ao desenho e à construção de casas — com exceções como a Rodoviária de Londrina, a Casa da Criança e o Estádio do Morumbi. Com aguçada visão crítica, Artigas redesenhou a casa tradicional, incorporando ao volume principal os serviços comumente colocados em segundo plano, subvertendo a lógica vigente de segregação e dominação. Operou os níveis do chão, introduzindo o desenho do movimento do corpo no espaço. Desenvolveu a estrutura com elementos expressivos do edifício, suprimindo aspectos puramente decorativos e desprovidos de sentido construtivo.
- Implantou casas considerando a inserção urbana (volumes providos de faces expressivas e passíveis de existirem independentes de limites imaginários).
- Artigas foi um construtor de escolas, colocando a estrutura em primeiro plano.
- Rompe o modelo republicano de escola (modelo bipartido) e foca na relação entre espaços internos e externos.
- FAUUSP: Foi organizada por um conjunto de professores arquitetos da Politécnica, entre eles Artigas, que estavam vinculados a questões políticas, culturais e nacionais.
- Assim podem ser compreendidas as reformas de ensino de 1962 e 1968, que elaboraram uma nova matriz curricular: um conjunto de disciplinas que reforçam a formação humanista e generalista do arquiteto, sem deixar de atentar para sua formação técnica, tornando possível uma arquitetura marcada simultaneamente pela técnica e por um compromisso social.
- Em 1968, a ditadura militar interrompe o processo de discussão e de consolidação do curso de arquitetura.
- Artigas foi aposentado compulsoriamente em 1969 e ficou afastado por quase 13 anos da escola.
- Foram necessários mais 20 anos para inaugurar a revisão e a crítica da experiência anterior e a discussão sobre a arquitetura pós-moderna, assimilada de forma precipitada por arquitetos brasileiros deslumbrados pela novidade.
- Artigas retornou para a FAUUSP e foi reconhecido como professor titular.
Lina Bo Bardi
- Lina gostava de trabalhar com estudantes.
- Sobre Lina Bo Bardi, ouvi: 'ela fez 3 ou 4 projetos e nenhum deles merece tanta atenção'. Então perguntei: 'Mas e o MASP?'. Responderam: 'Bem, o MASP é importante, mas é um projeto cheio de problemas, mal resolvido'.
- Fui para o Sesc Pompéia e em seguida chamei André Vainer. Juntos, cursamos essa nova escola de arquitetura e vida. Com o escritório no canteiro de obras, o projeto era verificado a cada passo na realidade da obra, com a mais ampla participação: engenheiros e mestres operários.
- Lina sempre atuou no canteiro de obras com um enorme envolvimento.
- Lina cobrava pela falta de cotas nos desenhos.
- O trabalho era fascinante, pois praticávamos arquitetura no seu sentido mais amplo: restauração, edifícios esportivos novos, teatro, restaurante, oficinas, mobiliário, sinalização, trajes dos funcionários e montagem de grandes exposições, como a do Design no Brasil, Caipiras Capiaus: Pau-a-pique ou a dos brinquedos da criança brasileira.
- Lina faz a arquitetura do comportamento humano ao projetar o espaço e nele interferir, criando contextos e provocando a vida.
- O convívio entre os homens é o grande gerador de tudo.
- Fomos para a Bahia a convite do então prefeito Mário Kertész, que tinha como braço direito Roberto Pinho, articulador da ida de Lina e também de Lelé para montar a FAEC (Fábrica de Equipamentos Comunitários). Juntos, Lina e Lelé deixaram marcas irreversíveis de intervenção crítica no contexto urbano, tanto na preservação do patrimônio histórico quanto na modernização da cidade.
- 'A poesia nada tem a ver com a beleza. Eu não procuro a beleza, e sim a poesia'.
- Lina tem a incrível capacidade de ser moderna em seus projetos sem negar os fortes elementos regionais ou tradições antigas. Ao mesmo tempo, não se prende a tradicionalismos e nem se preocupa em ser moderna; ela tem a liberdade da poesia.
- É rigorosa em seus princípios, mas capaz de mudar um projeto ao primeiro sinal de que algo vai mal.
João da Gama Filgueiras Lima (Lelé)
- 'O arquiteto em quem arte e tecnologia se encontram e se entrosam — o construtor'.
- Resgata o arquiteto construtor em contraposição ao arquiteto desenhador (focado apenas em forma, estética e plástica).
- Lelé preencheu uma grave lacuna no desenvolvimento da arquitetura brasileira, resolvendo de forma racional, econômica e com apurado teor arquitetônico os complexos desafios impostos pela sociedade moderna.
- Recém-formado, aos 25 anos, foi destacado por Niemeyer para conduzir suas obras em Brasília. Naquela época, não havia muita diferença entre engenheiros e arquitetos.
- A industrialização da construção tornou-se a marca registrada de sua obra.
- Em meados dos anos 80, dirigindo a Fábrica de Equipamentos Comunitários, viveu a utopia de resolver carências urbanas (infraestrutura, saneamento, transporte e educação).
- Lelé é um dos raros exemplos mundiais de profissional que mantém viva a tradição do arquiteto que resolve integralmente a construção. Como projetista e construtor de obras complexas, elabora uma arquitetura comunicável e universal.
- Ao enfrentar o desafio da produção industrial e da economia de escala, Lelé levou ao limite a precisão do dimensionamento e a organização dos componentes construtivos, recuperando os preceitos da coordenação modular apregoados por Teodoro Rosso.
- As obras de Lelé caracterizam-se por uma variedade surpreendente de soluções arquitetônicas adequadas a cada programa.
- O arquiteto construtor e engenheiro artista deixou um legado que se manifesta na relação mestre-aprendiz. Sua obra é objeto de estudo no Brasil e no exterior, servindo como investigação sobre a produção industrial da construção, aos moldes de Nervi e dos grandes mestres da Bauhaus.