Nutrição na Infância: Pré‑escolar e Escolar

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Nutrição na infância

Mil dias: alimentação quantitativa e qualitativa e estabelecimento de hábitos alimentares.

Pré-escolar: 2 a 6 anos – baixa velocidade de ganho de peso, redução do apetite e aumento da autonomia.

Fase escolar: 7 a 10 anos – melhor aceitação dos alimentos; capacidade gástrica próxima da do adulto; AF/consumo/obesidade.

Nutrição pré-escolar

Pré-escolar: Hábito alimentar: genética + meio ambiente; bem-estar emocional, social e físico da criança; necessidades nutricionais individualizadas. Avaliação da qualidade da dieta: Preschoolers Diet-Lifestyle Index (PDL‑Index), com inclusão de comportamento e estilo de vida.

Hábito alimentar do pré‑escolar

  • Consumo médio das crianças: 1523 kcal;
  • 51% da energia e 60% dos lipídios consumidos em casa;
  • Fornecimento de alimentos com alta densidade energética em casa, com menor consumo na escola;
  • Profissionais: orientação aos pais, além de diretores.

Características nutricionais

  • Diminuição da velocidade de crescimento e do apetite;
  • Atenção desviada para outras atividades;
  • Falta de interesse pela alimentação: NORMAL (não usar chantagens nem obrigar a criança a comer);
  • Transição de mamadeira para copo.

Aspectos fisiológicos e comportamentais

Os sistemas metabólico e digestivo aproximam‑se dos do adulto, porém o volume gástrico é pequeno (200 a 300 ml). O apetite é inconstante; a inapetência pode ocorrer para chamar atenção. Os intervalos entre refeições dependem do tamanho das refeições. Preferências alimentares influenciam a ingestão; a criança é capaz de autorregular a ingestão. Preferência por alimentos de alta densidade energética. Estratégias familiares podem aumentar a rejeição: agrupamentos de alimentos em "bons" e "ruins"; restrição estimula maior consumo. O tamanho da porção influencia o consumo. Bebidas açucaradas estão associadas à obesidade.

Inapetência no pré‑escolar

Avaliação do estado nutricional: é a queixa mais frequente das mães. Considerar crescimento, desenvolvimento, hábitos alimentares e parâmetros bioquímicos. Falta de apetite pode causar baixa ingestão alimentar, baixo peso relativo à estatura e diminuição do ritmo de crescimento. Diferenciar inapetência comportamental e orgânica.

Inapetência comportamental

Base psicogênica: a criança deixa de comer para chamar atenção, criando um ciclo vicioso difícil de romper. O nutricionista deve avaliar cuidadosamente o comprometimento emocional e encaminhar para especialista quando necessário.

Inapetência orgânica

Associada a deficiência de micronutrientes; dieta homogênea e pobre em qualidade; desinteresse independente da presença da mãe; pode haver anemia ferropriva. Tratamento pode incluir suplementação medicamentosa.

Recomendações importantes para inapetência comportamental

  • Rever a introdução dos alimentos complementares. A preferência por alimentos como batata e legumes em sopas liquidificadas dificulta o estímulo do paladar;
  • Maior interesse pelo ambiente reduz o interesse pela alimentação;
  • Ansiedade dos pais e expectativa quanto à quantidade ingerida podem gerar pressão inadequada;
  • Evitar estratégias que "façam a criança comer" (televisão, aviãozinho e outras brincadeiras que a distraiam para que ela coma sem perceber);
  • Evitar substituição de alimentação sólida por bebidas adocicadas; evitar chantagem nas primeiras recusas;
  • Horários de alimentação rígidos podem ser desnecessários: a criança não precisa almoçar às 11h se não tiver apetite ou tiver consumido alimentos recentemente. Respeitar intervalos entre refeições.

Recomendações práticas dietéticas para inapetência orgânica do pré‑escolar

Intervalo de 2 a 3 horas entre a ingestão de qualquer alimento e as principais refeições. Volumes pequenos nas refeições e fracionamento da dieta: 6 refeições diárias, incluindo lanches; biscoitos e guloseimas devem ser contemplados nos lanches. Se houver recusa da refeição principal, não substituir por leite ou outros produtos lácteos; oferecer mais tarde. Manter verduras e legumes nas refeições mesmo que a criança não os aceite, porém sem obrigatoriedade de consumo e sem comentários caso sobrem no prato. Servir as refeições sem sucos; retirar o que sobrou do prato sem fazer comentários. As guloseimas não devem ser utilizadas como recompensas ou castigos.

Estratégias de intervenção

Recusa de carnes: oferecer porções pequenas de carnes macias; incluir bolos de carne, espaguete com molho de carne; oferecer legumes, ovos e queijos.

Bebe pouco leite: oferecer queijo, iogurte e incluir queijos nas preparações; usar leite para cozinhar cereais (ex.: arroz doce); permitir uso de canudinho.

Bebe muito leite: oferecer água quando estiver com sede; limitar ingestão de leite a uma porção; trocar mamadeira por copo.

Recusa de verduras, legumes e frutas:

  • Oferecer mais frutas;
  • Cozinhar menos, deixando mais firmes;
  • Servir verduras e legumes cortados em tiras;
  • Oferecer verduras e legumes com molhos;
  • Incluir verduras e legumes em sopas e molhos;
  • Servir cereais com frutas in natura;
  • Oferecer de forma contínua e persistente.

Come muitas guloseimas: limite a compra e o preparo de alimentos doces em casa; evite chantagens e recompensas; evite oferecer doce como lanche; reduza o açúcar pela metade nas preparações; oriente a pessoa responsável a não oferecer doces com frequência.

Nutrição do escolar

Maior socialização e independência; melhor aceitação de preparações; volume gástrico comparável ao do adulto; maior segurança e independência nas funções motoras; variação de atividade física; pode ocorrer inapetência ou apetite voraz.

Características do escolar

  • Omissão do café da manhã;
  • Baixa ingestão de leite;
  • Depósitos para o estirão;
  • No final da idade escolar: aumento de peso;
  • Sobrepeso: tratamento pode levar à ansiedade;
  • Estudos mostram baixo consumo de verduras e legumes;
  • Programas de intervenção na escola são recomendados.

Consumo alimentar escolar

Consumo diário de frutas; consumo diário de verduras; consumo diário de feijão e leite; presença de alimentos ricos em sódio, gordura e açúcar.

Consumo de suco de frutas e a condição nutricional

Consumo excessivo de suco está associado à diarreia crônica e retardo do crescimento; troca de água e leite por sucos pode ocorrer. Melhora com a restrição do suco de frutas; estudos são controversos. Recomenda-se 100 ml/dia de suco 100% (Vitamina C). Importante: advertir a família sobre riscos do consumo excessivo.

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