Obstáculos ao comércio mundial: agricultura, cultura, dados

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Agricultura

A agricultura tem características específicas que fazem com que seja muitas vezes deixada de fora nos acordos de comércio internacional, nomeadamente:

  • Apesar de hoje ser uma parte bastante pequena da economia mundial, era há poucas décadas o maior sector empregador do mundo, inclusivamente em países desenvolvidos.
  • Ao contrário do que acontece com outros bens, todos os países têm sectores agrícolas, o que significa que em todos os países há grupos de pressão de agricultores que têm algo a perder na abertura do país à importação de bens agrícolas.
  • A alimentação é um bem essencial. Por isso muitos países estão reticentes à ideia de se tornarem completamente dependentes do estrangeiro para o seu consumo, mesmo que produzam o bem de forma bastante ineficiente (exemplo: produção de laranjas na Hungria antes da queda do muro de Berlim).
  • Para além da questão da dependência, existe o receio do comércio internacional por motivos de saúde pública e higiene.
  • Mas, ao mesmo tempo, a produção agrícola está sujeita a grandes economias de escala e benefícios de localização. A produção fragmentada, muitas vezes em climas pouco propícios, leva a ineficiências bastante grandes.

Cultura

Outro dos sectores da sociedade que habitualmente se opõe a acordos de comércio livre é o sector da cultura:

  • A oposição normalmente surge na forma da imposição de quotas de conteúdos nacionais nas televisões, rádios e cinema.
  • Este tipo de quotas corresponde, na prática, a limitações quantitativas à exportação de produtos culturais do estrangeiro.
  • Esta posição é assumida com base no argumento da necessidade de defesa da língua e da cultura de cada país.
  • Tipicamente, é o argumento utilizado em países fora do eixo anglo-saxónico, tipicamente compostos por países exportadores de conteúdos culturais.
  • A Europa é um bom exemplo deste tipo de proteccionismo, mas o Canadá também tentou proteger a sua indústria cultural aquando da assinatura da NAFTA.
  • As preocupações dos agentes culturais tendem a receber uma importância desproporcionada devido à popularidade e tempo de antena dado aos agentes culturais.
  • Com a emergência da internet e de ferramentas de partilha online, o protecionismo cultural tornou-se menos eficiente. Apesar disso, ainda é motivo de discussão na negociação dos grandes acordos de comércio livre.

Informação e base de dados

Países que entrem em acordos de comércio internacional podem ter diferentes leis sobre privacidade de dados. Se o acordo inclui sectores que armazenem dados sensíveis sobre clientes, tal pode ser um problema (um cliente europeu da Google está sujeito às leis de privacidade americanas ou europeias?).

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