Origens das Favelas no Brasil: Séc. XIX

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No século XIX, a medicina sanitarista brasileira condenou a casa do pobre urbano. O cortiço, a casa de cômodos e as habitações precárias passaram a ser considerados um ambiente prejudicial à saúde e à produtividade do capitalismo. A partir dessa época, as classes pobres passaram a ser classificadas como perigosas.

Em Paris, no mesmo século, as intervenções de Napoleão III tinham a intenção de promover uma reforma urbana, não só para tornar a cidade grande, mas para acabar com o antigo desenho medieval. Para alcançar esses objetivos, demoliram construções antigas, mudaram o traçado das ruas, expulsando moradores das áreas centrais. Paris foi reorganizada de forma geométrica, surgiram novas casas e novos comércios.

No Brasil, teve início com o 1° prefeito do Rio de Janeiro, Barata Ribeiro. Em 1893, mandou demolir todos os cortiços do centro da cidade, dizendo que os moradores não respeitavam regras de higiene exigidas pela prefeitura. Havia 600 cortiços, abrigando 25% da população. Esses moradores mudaram para os morros mais próximos. Pouco mais tarde, os soldados que haviam lutado na Guerra dos Canudos também se fixaram no Morro da Providência. Eles aguardavam casas que o governo prometeu, mas nunca ganharam. Esse Morro da Providência passou a ser conhecido como Morro da Favela, que hoje é o Monte Santo (BA), e passou a se chamar assim porque tinha uma vegetação que o cobria, "favela". O Morro da Providência entrou para a história como a 1° favela do Brasil e abrigou remanescentes dos cortiços, ex-escravos e soldados da Guerra dos Canudos.

Segundo Valladares, o livro de Euclides da Cunha, Os Sertões, que narra o episódio da Guerra dos Canudos, teria servido de modelo não só para a descrição da geografia, mas para a população daquele espaço. Segundo ele, "a gênese do processo de construção da representação social da favela", ele afirma que existem alguns dogmas em relação à favela (dogma é algo apresentado como certo, indiscutível). Um desses é o de que a favela é espaço específico da pobreza. Seguindo esse raciocínio, como se a favela fosse o próprio símbolo, o local aglomerado de problemas sociais, no entanto, isso está carregado de preconceitos. O preconceito está em associar obrigatoriamente a palavra pobreza a um vazio. Se, porventura, falta pão, luz, água, isso não quer dizer que faltarão também valores morais, paz social, rotina, cotidiano. Outro dogma é que a favela apresenta uma "unidade", mas todo lugar tem uma variedade de vida, de modos de viver.

Arraial de Canudos: o povoamento surgia dentro de algumas semanas, tinha aspecto perfeito de uma cidade cujo solo houvesse sido sacudido e brutalmente dobrado por um terremoto.

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