Parasitologia: Doenças e Tratamentos

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Toxoplasmose

Nos adultos, causa infecção crônica assintomática, podendo gerar um quadro agudo febril com linfadenopatia. Em crianças, na vida intrauterina, produz infecção subaguda, encefalopatia e coriorretinite em casos congênitos graves. Em soropositivos imunodeprimidos, produz encefalite. É um parasita endocelular obrigatório. O ciclo se faz de forma sexuada na mucosa intestinal do hospedeiro definitivo (gatos) e assexuada nos hospedeiros intermediários. Após o desenvolvimento, os parasitos acumulam-se em cistos (bradizoítos) na fase crônica. O gato, em cada evacuação, elimina de 2 a 20 milhões de oocistos que mantêm a infecção por 18 meses. Tanto os taquizoítos como os bradizoítos são infectantes.

Infecção por Toxoplasma

Os parasitos invadem os macrófagos e leucócitos. No cérebro, desenvolvem-se cercados por uma membrana cística. A proteção é assegurada pela imunidade celular. Mulheres com infecção crônica não contaminam os filhos no útero nem abortam. Mas, se contraírem durante a gestação, o risco de aborto é grande. No primeiro trimestre, é toxoplasmose aguda do feto com lesões no sistema nervoso e retina. No último trimestre, é assintomática.

Toxoplasmose no Adulto

Assintomática, a doença dura de um a vários meses, de forma irregular, com cefaleias, mal-estar e anorexia. Nos casos graves, há exantema e lesões viscerais. Em pacientes imunodeficientes, pode causar uma encefalite aguda.

Diagnóstico

O parasita é fugaz e só se observa na fase aguda. Os toxoplasmas são encontrados no líquor, tecidos ou corados pelo Giemsa. As técnicas ELISA são usadas para detecção de anticorpos IgG (fase crônica) e IgM (fase aguda).

Tratamento

Age nos taquizoítos, sem influir nos bradizoítos. É feito com pirimetazina, sulfatiazina, clindamicina e, na ocular, prednisona. Os bradizoítos só morrem a pelo menos 2 dias a 20 graus negativos.

Ancilostomose

São três:

Ancylostoma duodenale, Necator americanus, Ancylostoma ceylanicum. Vivem no intestino delgado, fixados à mucosa, sugando sangue. Penetram na pele de quem anda descalço e, no caso da A. duodenale, a infecção pode ser por via oral.

Reprodução

O Necator põe cerca de 6 a 11 mil ovos por dia. O Ancylostoma duodenale põe de 20 a 30 mil por dia. As larvas infectantes entram pela pele, vão pela circulação ao coração e pulmões, depois alvéolos, bronquíolos, depois são deglutidos, indo para o intestino onde se tornam vermes adultos, localizando-se no duodeno e jejuno. Se entrarem pela boca, não fazem o ciclo pulmonar.

Patologia

Erupção pápulo-eritematosa, edema ou dermatite alérgica. Em infecções maciças, pode ocorrer, no ciclo pulmonar, uma pneumonite disseminada que constitui a Síndrome de Loeffler. O sangue evacuado pelos helmintos é reabsorvido pelos intestinos.

Sintomatologia

Pode produzir insuficiência cardiocirculatória, podendo levar à morte, tonturas, vertigens, zumbidos nos ouvidos e manchas no campo visual, palpitações.

Diagnóstico

Exame coproscópico, esfregaço feito com fezes. Tratamento com albendazol e mebendazol.

Strongyloides

Produzem ovos embrionados e larvas do tipo rabditoide. No solo, formam machos e fêmeas. Pode ser assintomática, produzindo enterite e enterocolite ou quadro grave em quem usa corticoide. Apresenta ciclo direto (de larvas rabditoides passam para filarioides), ciclo indireto (de rabditoides formam machos e fêmeas no solo, produzindo ovos), podendo infectar por via oral sem completar o ciclo pulmonar.

Patologia

Na pele, formam eritema. Nas lesões no duodeno e jejuno, pequenas hemorragias em função do parasita. Causa diarreia e evacuações sanguinolentas.

Sintomatologia

Fase aguda: leucocitose de 15 a 45% de eosinófilos. Fase crônica: desconforto abdominal, cólicas, úlcera péptica, náuseas, diarreias. Casos graves: astenia, desidratação, anemia, emagrecimento.

Diagnóstico

Pelos métodos de Rugai, Baermann, coprocultura de Harada-Mori.

Tratamento

Ivermectina, tiabendazol, albendazol.

Amebas

Organismos eucariontes, unicelulares, sem flagelos. Na fase trofozoíta, alimentam-se por fagocitose, pinocitose ou transporte. Reproduzem-se por divisão simples, formam cistos.

Entamoeba histolytica é patogênica e a Entamoeba dispar não é patogênica. Outras com poder patogênico: Entamoeba coli, Entamoeba hartmanni, Endolimax nana, Entamoeba gingivalis, Entamoeba poleki (porco).

Ciclo

A ameba tetranucleada, quando ingerida, abandona o cisto e se divide em 8 trofozoítos e, no intestino grosso, crescem e se multiplicam, completando o ciclo não patogênico. A infecção é assintomática.

Colite Amebiana Aguda

Dor abdominal, febre, evacuações muco-sanguinolentas.

Amebíase Intestinal

Forma clínica de pacientes sintomáticos: evacuações frequentes, flatulência, dor abdominal.

Complicações

Colite amebiana fulminante.

Giardia lamblia

Mecanismos de Transmissão

Águas não tratadas, alimentos contaminados com água de esgoto, mãos contaminadas, transmissão sexual.

Distribuição

Cosmopolita, crianças de 8 a 12 anos, surtos em ambientes fechados.

Patogenia

Diarreia e má absorção intestinal.

Diagnóstico

Parasitológico: nas fezes formadas, pesquisa de cisto pelo método de Hoffmann. Imunológico: no soro, pesquisa de anticorpos por ELISA. Molecular: amostras de água, pesquisa de DNA por PCR.

Tratamento

Albendazol e metronidazol.

Ascaris lumbricoides

Localizado no jejuno e íleo. Cada fêmea produz 200.000 ovos por dia. Os ovos férteis são esféricos. No solo, embrionam em 2 semanas, e os inférteis não embrionam. Na fase de invasão, depende do número de larvas. Nos pulmões, pode ocorrer a Síndrome de Loeffler. Na fase intestinal, há desconforto abdominal, dor epigástrica, cólicas, má digestão, irritabilidade, ranger de dentes e coceira no nariz.

Diagnóstico

Parasitológico de fezes, pelo método de Lutz.

Enterobius

O habitat é o intestino grosso, região cecal.

Diagnóstico: irritabilidade, insônia, distúrbios do sono, colite crônica, fezes moles, prurido anal que se agrava à noite. Para achar os ovos, o melhor é pelo método da fita adesiva.

Trichuris

Mergulhado na mucosa do intestino grosso, no ceco e apêndice. Alimenta-se de sangue, podendo causar ulcerações na mucosa, diarreias e dor abdominal. Na maioria dos casos, é assintomático.

Os ovos permanecem infectantes por cerca de 5 anos. Ingeridos, chegam diretamente ao intestino grosso. O parasitismo é assintomático. Em crianças, pode ocorrer nervosismo, insônia, eosinofilia, diarreias, tenesmo, perda de peso. Por uma irritação intestinal elevada, pode ocorrer prolapso retal. Qualquer exame de fezes vai diagnosticar.

Tratamento: mebendazol, albendazol, ivermectina.

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