Parto Natural: Fisiologia e Fases em Animais
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Definição
Parto natural — processo fisiológico no qual o feto e seus envoltórios são expulsos do útero. Ocorre dilatação da via de expulsão e início das contrações uterinas e abdominais.
Via fetal
Via fetal: conduto formado por parte do aparelho genital e regiões circunvizinhas pelo qual o produto transita durante o parto.
Via fetal óssea
Via fetal óssea: formada pelos ossos ílio, ísquio, púbis, sacro e primeiras vértebras coccigianas, constituindo a pelve.
Via fetal mole
Via fetal mole: constituída pelo colo cervicais (cérvix), vagina, vestíbulo da vagina, vulva e ligamentos sacro-isquiáticos. Possui pontos de distócia como na vulva, cérvix e anel himenal devido ao seu estreitamento, podendo ocorrer também oclusão e compressão das vias fetais moles por neoplasias e torção.
Desencadeamento do parto
Desencadeamento do parto: é o feto, e não a mãe, que domina o mecanismo que estimula o parto.
Períparto
Periparto: maturação final do feto; estágios finais da maturação feto-placentária; preparação da glândula mamária; preparação para involução uterina; início da atividade ovariana.
Miométrio: quiescência → redução da capacidade contrátil. A progesterona (P4) promove relaxamento uterino para que ocorra o crescimento fetal (bloqueio da contratilidade). Um fator importante para o início do desencadeamento do parto é a remoção desse bloqueio de contratilidade causado pela P4.
Papel do cortisol fetal
Aumento do cortisol fetal: a maturação do hipotálamo fetal resulta em aumento das sinapses e, portanto, da função neuroendócrina. O hipotálamo adquire capacidade de responder aos hormônios placentários (estrógeno, progesterona, prostaglandinas). Fatores estressantes, como variações de pressão sanguínea levando a hipóxia e variações na disponibilidade de glicose, contribuem para essa ativação.
Via esteroide: cortisol fetal → metabolismo que favorece aumento do estrógeno: progesterona → 17α-hidroxiprogesterona → androstenediona → aromatase → estrógeno.
O aumento do cortisol resulta em aumento do estrógeno e redução relativo da progesterona, ocorrendo aumento da responsividade à ocitocina e relaxamento da cérvix, além de aumento da liberação de prostaglandinas (PGE, PGI, PGF2α).
- PGE – relaxamento.
- PGI – vasodilatador.
- PGF2α – lise do corpo lúteo e aumento da contração.
Desencadeamento do parto em RU
Desencadeamento do parto em RU (ruminantes): depende da maturação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal do feto, que responde adequadamente ao estresse do final da gestação produzindo cortisol. O estresse fetal é gerado pelo desconforto no ambiente uterino devido ao volume e ao pouco espaço disponível. Fisiologicamente, o feto responde produzindo e liberando CRH (hormônio liberador de corticotrofina), que age sobre as células corticotróficas da hipófise determinando a liberação de ACTH, que por sua vez estimula a adrenal fetal, resultando no aumento do cortisol na circulação fetal. O aumento do estrógeno pela placenta leva ao aparecimento de receptores para ocitocina e à síntese de prostaglandinas.
Espécies: porca e égua
Porca: a ativação da 17α-hidroxilase placentária aumenta o metabolismo da progesterona oriunda do corpo lúteo em estrógeno.
Égua: aumento do córtex adrenal fetal → aumento do cortisol fetal → aumento do estrógeno e queda da progesterona → resposta à ocitocina.
O papel da relaxina
Relaxina — produzida pelo corpo lúteo (CL), placenta e folículos pré-ovulatórios; atua em ambientes com aumento do estrógeno. Promove relaxamento da sínfise púbica, ligamentos pélvicos, cérvix, miométrio e ductos da glândula mamária. Causa mudanças nos índices de glicosaminoglicanas e colágeno.
Fases do parto
1) Fase prodrômica (preparação do parto)
Ocorrem modificações morfofuncionais antes das contrações uterinas. As fêmeas em geral procuram solidão. Sinais incluem inapetência, ansiedade, agitação, saída do tampão mucoso e dilatação cervical.
Alterações corpóreas maternas: vulva edemaciada; vagina edemaciada, úmida e hiperêmica; relaxamento dos ligamentos pélvicos e da sínfise púbica; diminuição da temperatura (~1 °C); repleção da glândula mamária.
Sinais de parto por espécie
- Vaca: afrouxamento das articulações e ossos da pelve (até 2 semanas antes); edema de vulva e vagina; modificação da secreção da glândula mamária; liberação do tampão mucoso.
- Égua: relaxamento dos ligamentos sacro-isquiáticos (menos evidentes), inquietação e sudorese; descida do colostro (2 a 3 dias); alterações de eletrólitos no leite (aumento de cálcio e potássio, diminuição de sódio).
- Porca: aumento de aproximadamente 1 °C na temperatura corporal 12 a 24 h antes.
2) Fase de dilatação
Início das contrações uterinas até a ruptura das membranas fetais. As contrações são regulares e rítmicas. Sinais incluem dor (inquietação materna), modificações na posição e postura fetal, insinuação do feto e das membranas fetais. Normal: aproximadamente 6 contrações a cada 15 minutos.
Contrações uterinas
Contrações uterinas — controladas por hipotálamo, hipófise e hormônios. A ocitocina despolariza a membrana das células miometriais em ambientes com redução da progesterona.
Contrações da musculatura interna: inicialmente irregulares, com duração de 25 a 50 segundos. Posteriormente tornam-se rítmicas, enérgicas e com duração de 50 a 90 segundos. Na fase de expulsão permanecem ativas por até 120 segundos. O normal é cerca de 6 contrações a cada 15 minutos.
Mecanismos de receptores adrenérgicos: α-adrenoceptores → despolarização; β-adrenoceptores → polarização.
Fase de expulsão
Fase de expulsão: rompimento dos envoltórios até o nascimento. Ocorrem contrações uterinas e abdominais intensas. Sinais incluem decúbito e esforços; o reflexo de Ferguson (reflexo neurogênico que determina secreção súbita de ocitocina, aumentando intensidade e frequência das contrações uterinas necessárias para a expulsão final do feto); rompimento das bolsas fetais e expulsões.
Fase de expulsão e características por espécie
- Vaca: ruptura do alantoide e do âmnio na vagina; nascimento geralmente sem envoltórios fetais; parto dura 1 a 3 horas em vacas e até 6 horas em novilhas; eliminação da placenta entre 30 minutos e 8 horas; sinais: desconforto abdominal, liquefação do tampão mucoso, queda da temperatura, depressão do flanco, parto em qualquer horário, aumento e edema do úbere.
- Égua: ruptura da estrela cervical (alantocório); nascimento envolto pelo âmnio, que se rompe com o movimento do feto; parto dura em média 30 minutos; eliminação da placenta entre 15 e 120 minutos; sinais: sudorese, decúbito lateral; parto frequentemente à noite.
- Pequenos ruminantes: inapetência, micção e defecação; pode isolar-se ou não; gêmeos → 15 a 30 minutos de intervalo entre produtos; parto em qualquer horário.
- Porcas: costumam parir no fim da tarde ou à noite; sinais: grunhidos, movimentos da cauda e pedalagem dos membros; intervalo de 15 a 20 minutos entre leitões; pós-parto → estação e micção abundante.
Início da lactação e maturação fetal
Início da lactação: durante o parto eleva-se o cortisol materno, importante para o início da lactação. Receptores cutâneos, na espinha dorsal e no hipotálamo respondem, com liberação de ocitocina.
Maturação do feto: início da respiração espontânea depende do fator surfactante; o cortisol estimula a síntese espontânea do surfactante e a adrenalina estimula sua liberação. Utilização de glicose, glicogênio e gordura: estoques pré-natais regulados pela função adrenal; a sobrevivência depende dos estoques de glicogênio, principalmente hepático. A manutenção da gordura marrom é importante — é oxidada e libera energia.
Sinais de maturação do feto por espécie
- Bovinos: pelos abundantes e coloração própria; dentes (pinças e primeiros médios); cascos bem formados; peso 20–60 kg; particularidade: pelos do umbigo mais longos que os demais.
- Equinos: pelos abundantes e coloração própria; dentes molares e às vezes pinças superiores; cascos bem formados; peso variando entre 30–60 kg.
- Pequenos ruminantes: pelos abundantes e coloração própria; incisivos não erupcionados, mas notados; cascos bem formados; peso variando entre 1,5–3,5 kg.
- Suínos: pelos com cerdas curtas e finas, característicos da raça; dentes incisivos e caninos; cascos bem formados; peso variando entre 1–2 kg.
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