Pensamento Econômico e Filosofia: De Smith a Marx

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Argumentos de Stefano Zamagni em Defesa da Proibição da Usura

Stefano Zamagni defende a proibição da usura com base em:

  • Sua exploração dos vulneráveis;
  • Seu papel na ampliação da desigualdade;
  • Seu impacto negativo na comunidade.

Para suprimir essa prática no empréstimo, Zamagni propõe medidas como:

  • A regulação dos juros;
  • O apoio a instituições financeiras éticas;
  • A promoção da educação financeira;
  • O incentivo à solidariedade econômica.

Essas ações visam não apenas combater a usura, mas também promover uma economia mais justa e solidária, onde o acesso ao crédito seja equitativo e contribua para o bem-estar coletivo.

O Pensamento Econômico da Escola de Salamanca

A Escola de Salamanca era mais pró-mercado do que os franciscanos e é considerada a primeira escola a defender o liberalismo econômico. Para seus membros, a propriedade privada se justifica por:

  1. Assegurar a justiça: Se os bens fossem comuns, os indivíduos mal-intencionados se aproveitariam, consumindo mais do que o aportado para os bens comuns.
  2. Preservar a paz e a harmonia: Sempre que os bens são comuns, as disputas são inevitáveis.
  3. Garantir o cuidado: Assegura que se tenha mais cuidado com o que é seu do que com o que pertence a todos.
  4. Manter a ordem: É conveniente para manter a ordem na sociedade e promove a livre cooperação social.
  5. Lidar com a escassez: Ninguém pode isolar-se dos bens temporais. O pecado original deu origem à escassez, fonte dos problemas econômicos.

As Formas de Compaixão em Adam Smith: Franca e Forte

A única maneira de entender o que o outro precisa é colocar-se no lugar dele. Smith distingue duas formas de compaixão:

  • Forma Franca: O indivíduo se coloca no lugar do outro, mas mantém seus próprios valores.
  • Forma Forte: O indivíduo se coloca no lugar do outro, sem juízo de valores, incorporando o valor do outro.

O Conceito de Espectador Imparcial de Adam Smith

O Espectador Imparcial é fundamental para o processo de julgamento moral de Smith. Ele é o método utilizado para avaliar a virtude ou a maldade de uma ação. É o Espectador Imparcial quem decide se e quando uma ação é digna de louvor ou culpa, sendo esta a principal característica das ações nas quais os seres humanos devem se concentrar.

Os Três Contextos do Espectador Imparcial de Smith

Existem três contextos do Espectador Imparcial, que funcionam como um sistema de valores que mede o grau de distanciamento do “eu”:

  • Individual: Assume os próprios valores. O indivíduo sai de si mesmo, observa a ação, mas mantém os seus valores. Não há distanciamento completo.
  • Social: Assume parcialmente o valor do outro. Está distanciado de si mesmo, mas ainda mantém alguns valores próprios.
  • Universal: O indivíduo está totalmente distanciado de si mesmo, assumindo valores de uma “entidade divina”, ou seja, valores que não são seus nem da sociedade, sendo alheios a tudo.

A Interpretação de Oslington sobre a Mão Invisível

Para Oslington, a Mão Invisível não pode ser equiparada ao mecanismo de mercado ou preço. Ele argumenta que a “Mão Invisível” é, na verdade, a vontade de Deus que se revela na economia e nas relações humanas. É a ação de uma entidade metafísica, indicando que a economia segue uma ordem natural conduzida por Deus.

A Filosofia da História de Hegel

A história é a história do Espírito do Mundo e, por derivação, da consciência humana, que passa por um processo de autoconhecimento estimulado e veiculado pela cultura. Hegel tinha uma visão histórica da humanidade em que o ser humano é um produto de suas concepções históricas, filosóficas e culturais, e todo o progresso é baseado nisso.

Hegel concebe a filosofia da história como um processo racional e progressivo, impulsionado pelo Espírito Absoluto em busca da realização da liberdade humana e da autoconsciência. Ele utiliza a dialética para entender o desenvolvimento histórico, onde cada período gera contradições que levam a uma síntese mais elevada. A história é vista como teleológica, com o propósito subjacente de revelar a razão e o significado da experiência humana ao longo do tempo. Instituições sociais, figuras históricas e líderes desempenham papéis importantes nesse processo, agindo como veículos do Espírito Absoluto. Em suma, para Hegel, a história é um movimento progressivo em direção à realização da liberdade e da autoconsciência, revelando progressivamente o significado da existência humana.

O Cálculo Hedonístico de Jeremy Bentham

Jeremy Bentham propôs um método para medir e comparar a quantidade de prazer e dor associada a diferentes ações, chamado de Cálculo Hedonístico. Esse método considera sete critérios principais:

  1. Intensidade;
  2. Duração;
  3. Certeza ou incerteza;
  4. Proximidade;
  5. Fecundidade;
  6. Pureza;
  7. Extensão.

Esses critérios são aplicados a cada ação para determinar a utilidade líquida de prazer e dor resultante. O objetivo é maximizar a quantidade líquida de prazer e minimizar a quantidade líquida de dor para o maior número possível de pessoas, conforme preconizado pelo utilitarismo de Bentham.

Para Bentham:

  • Dor: É o esforço ou a privação a que um indivíduo se submete ao fazer uma escolha.
  • Prazer: É o quão útil essa escolha foi para o indivíduo no determinado tempo da escolha.

A Visão de Jevons sobre a Economia e o Mercado

Jevons concentrou seus estudos econômicos no mercado, ou, em termos marxistas, na esfera de circulação da mercadoria. Portanto, estava interessado na determinação dos preços de mercado dos bens em circulação.

Para tanto, ele não analisava os indivíduos como seres sociais, mas sim como agentes econômicos que possuíam duas características principais:

  1. Maximizadores racionais e calculistas;
  2. Obtêm utilidade ao consumir um bem.

Jevons utilizava a matemática como um instrumento importante de sua análise econômica, o qual permitia demonstrar a definição dos preços e as relações de troca de uma economia de forma lógica.

O Sistema Teórico Neoclássico (Distribuição)

No sistema teórico neoclássico, cada fator de produção (ou insumo de produção) é pago de acordo com sua produtividade, ou seja, sua importância na produção de um bem. Portanto, não há apropriação de excedente, pois, teoricamente, não há excedente.

A Teoria do Valor e do Preço de Olivi

Para Olivi, o valor é determinado pela combinação de:

  • Elementos objetivos: Escassez e custo da produção.
  • Elementos subjetivos: Avaliação do valor.

Assim, os preços deveriam ser definidos pela real necessidade de um bem, considerando os seguintes fatores:

  1. Necessidade;
  2. Escassez;
  3. Vontade (preferência).

O preço, portanto, não é definido apenas pela demanda e oferta.

Olivi: Contribuição à Teoria do Capital e a Usura

Para o pensamento econômico da época, a proibição da usura estava fadada à estagnação da economia, uma vez que sem crédito não haveria desenvolvimento econômico.

Olivi contribui com a distinção entre dinheiro e capital:

  • É considerado usura quando se empresta o simples dinheiro.
  • É considerado juro legítimo quando se empresta capital.

O juro legítimo é uma exceção à proibição da usura, resultado de uma leitura diferente da ação econômica. O ganho é considerado justo quando é o produto do trabalho da pessoa que se beneficia do dinheiro (capital).

A Filosofia da História de Karl Marx

A história, para Marx, é a história da habilidade e da capacidade humana, que atravessa um processo de capacidade produtiva, estimulada e vinculada pela estrutura econômica.

Para Marx, o indivíduo é resultado da estrutura econômica e não da consciência humana, sendo derivado da força de produção. Ele afirma que as relações de produção definem quem você é.

Marx defende que sua filosofia da história é científica. Nela, o ser humano individual não tem tanta importância; o que importa são as condições materiais e o indivíduo é o processo gerado por essas condições.

O Quadro Econômico de Quesnay

Quesnay simula uma situação de reprodução anual da economia a uma mesma escala, expondo os movimentos dos excedentes, tendo em vista a manutenção do estado estacionário.

O modelo se baseia em dois pressupostos principais:

  1. Teoria da produtividade exclusiva do trabalho agrícola.
  2. Caracterização das classes relevantes (distinção entre classe produtiva e classe dos proprietários de terra).

Essa distinção de classes está baseada em duas ordens de ponderações:

  • O direito à propriedade de terra e, por conseguinte, à renda que dela provém.
  • A natureza econômica dos gastos.

O funcionamento do Quadro Econômico, e, portanto, a reprodução dessa economia, depende do pagamento da renda fundiária e da maneira pela qual os proprietários gastam sua renda.

O gasto excessivo dos proprietários de terra em produtos manufaturados reduziria os preços dos gêneros agrícolas, porque uma parte desses gastos seria canalizada para a realização de compras no exterior. Os gastos dos produtores rurais também exercem um papel decisivo na reprodução.

O Bem Comum no Pensamento Franciscano

No pensamento dos franciscanos, o Bem Comum não diz respeito à pessoa como um indivíduo separado, mas sim em relação com as outras. Ou seja, está relacionado ao bem das relações entre pessoas.

O Bem Comum é apropriado para a vida em comunidade. Comum é aquilo que não pertence apenas à própria pessoa (em contraste com a propriedade privada).

As Influências Mais Importantes no Pensamento de Smith (Segundo Oslington)

O pensamento de Smith teve grande influência teológica, devido à época em que viveu, pois, nesse período, a Igreja tinha grande influência na formação acadêmica de pensadores e pesquisadores.

As influências mais importantes no pensamento de Smith, segundo Oslington, foram:

  • Estoicismo;
  • Calvinismo;
  • A Teologia da Ciência Natural Britânica.

A Filosofia da História de Marx (Contraste com Hegel)

Para Marx, o ser humano é resultado de uma estrutura econômica e não da consciência, como defendia Hegel. Segundo Marx, a história é a história da indústria humana, que deriva da força de produção.

São as relações de produção que determinam quem você é. A história é a história da habilidade/capacidade humana, que passa por um processo de capacidade produtiva, estimulado e vinculado pela estrutura econômica.

A Dialética Marxista

Para Marx, a dialética correta é aquela guiada pela estrutura econômica, e não a dialética guiada pela consciência humana (Hegel).

O argumento de Marx é que ele possui uma filosofia da história que é científica, baseada em uma dialética cuja dinâmica é dada pela estrutura econômica.

Do ponto de vista de Marx, o ser humano individual não tem muita importância. O que tem importância são as condições materiais.

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