O Pensamento Medieval: Universidades e o Argumento de Anselmo
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O Contexto Histórico e o Surgimento das Universidades (Século XIII)
No século XIII, a cidade cresceu, e a burguesia ganhou espaço no seio da organização social estabelecida (nobreza, clero, soldados e funcionários). Estes avanços impulsionaram o desenvolvimento das cidades e, consequentemente, surgiram as universidades catedrais. Nesta época, a Igreja era extremamente importante, visto que a Idade Média foi dominada por crenças sobrenaturais, como a superstição e a magia. O caráter sagrado da Igreja, as ordens mendicantes, conquistaram as universidades e os órgãos de poder, combatendo as heresias.
A Igreja organizou as Cruzadas para conquistar a Terra Santa, o que resultou na criação de um intercâmbio de informações entre o Islã e a Europa. Houve também a redescoberta da antiga cultura grega e aristotélica.
A Organização das Universidades
Na filosofia deste período, as universidades eram o espaço cultural que se desenvolveu a partir de professores e escolas monásticas. Começaram como grupos de professores ou estudantes que se reuniam para formar guildas e irmandades. A organização era composta por:
- Um presidente (ou reitor);
- A assembleia geral de alunos, formada por estudantes de várias nações que elegiam um capelão para dirigir o centro, juntamente com o presidente;
- A administração, composta por um reitor (ou dirigente), dois tesoureiros e zeladores.
As matérias ensinadas, reconhecidas pela Igreja, exigiam que os alunos cursassem primeiro as Artes Liberais (Trivium e Quadrivium). Os professores dedicavam-se a ensinar o texto, admirando a palavra escrita como um repositório da verdade, e comentavam textos filosóficos antigos. Contudo, a filosofia não era uma disciplina separada, mas estava sujeita à tradição religiosa e caracterizada por ter como meta a iluminação através de métodos e conceitos filosóficos da verdade revelada.
O Argumento Ontológico de Santo Anselmo
Este argumento é aceito pelos autores dialéticos, mas criticado por autores como Santo Tomás de Aquino, pois ele não se baseia na experiência. A ideia central do argumento de Anselmo é que todos nós temos em mente a ideia de um Ser Perfeito (o maior ser concebível). Mesmo o insensato (o 'idiota' mencionado) que diz em seu coração que Deus não existe, tem essa ideia na mente, nem que seja para a rejeitar.
A Crítica de Tomás de Aquino
Santo Tomás de Aquino apresenta várias objeções:
- Falta de Universalidade: Nem todos os homens têm essa ideia inata, pois as ideias vêm da experiência, e nem todos tiveram a experiência desse Ser.
- Existência como Predicado Lógico: Tomás de Aquino insiste que a existência não é um fato, mas um predicado lógico. A perfeição não pode ser alcançada por qualquer outro ser; o Ser Perfeito deve conter todas as outras perfeições na unidade e na totalidade. Se lhe faltasse a perfeição da existência, seria possível conceber um ser mais perfeito, o que contradiz a definição inicial.
A crítica final de Tomás de Aquino é que refutar o ideal (a ideia na mente) não implica necessariamente a existência real, pois a existência deve ser provada pela experiência (a posteriori), e não apenas pela razão (a priori).