Personagens de Os Maias: Ega, Dâmaso e Alencar
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João da Ega
João da Ega usava "um vidro entalado no olho", tinha "nariz adunco, pescoço esganiçado, punhos tísicos, pernas de cegonha". João da Ega é a projeção literária de Eça de Queirós. É um personagem contraditório: por um lado, romântico e sentimental; por outro, progressista, crítico e sarcástico do Portugal Constitucional. Amigo íntimo de Carlos desde os tempos de Coimbra, onde se formara em Direito (muito lentamente). A mãe era uma rica viúva e beata que vivia ao pé de Celorico de Basto, com a filha. Boémio, excêntrico, exagerado, caricatural, anarquista sem Deus e sem moral. É leal com os amigos e sofre também de diletantismo. Terminado o curso, vem viver para Lisboa e torna-se amigo inseparável de Carlos. Ele teve a sua grande paixão: Raquel Cohen. Um falhado, corrompido pela sociedade, encarna a figura defensora dos valores da escola realista por oposição à romântica. Na prática, revela-se um eterno romântico. Nos últimos capítulos, ocupa um papel de grande relevo no desenrolar da intriga. É a ele que Guimarães entrega o cofre. É juntamente com ele que Carlos revela a verdade a Afonso. É ele que diz a verdade a Maria Eduarda e a acompanha quando esta parte para Paris definitivamente.
Eusébiozinho
Eusébiozinho é o oposto de Carlos (lado negativo) no que respeita à educação; doentio, mergulhado nas educações da sua mãe e tia.
Dâmaso Salcede
Dâmaso Salcede é a personagem mais caracterizada por Eça, tornando-se um "cabide de defeitos": defeitos de origem (filho de um agiota), presumido, cobarde, sem dignidade, mesquinho, enfatuado e gabarola, provinciano e tacanho. Tem somente uma preocupação na vida: o "chique a valer". Fisicamente é baixote, gordo, frisado como um noivo de província, mas a quem não falta pretensiosismo. Aproxima-se de Carlos, que admira e inveja, por interesse e desejo de condição social. Tenta convencer-se e convencer os outros do seu fascínio irresistível face ao sexo oposto, não obstante as suas conquistas estarem confinadas a espanholas de reputação muito duvidosa. Possuidor de grande bazófia e sendo um enorme cobarde, difama pública e anonimamente Carlos, mas retrata-se logo em seguida. Nada tem de inteligente, de honrado ou de nobre. Consegue casar com uma filha dos Condes de Águeda, que se apressa a traí-lo. Condensa toda a estupidez, futilidade e ausência de valores da sociedade. Decalca qualquer comportamento importado do estrangeiro, principalmente de França.
Tomás de Alencar
Alencar é incoerente; condena no presente o que cantara no passado; há uma contradição entre aquilo que ele diz e aquilo que ele faz. Falso moralista, refugia-se na moral por não ter outra arma de defesa. Acha o Realismo/Naturalismo imoral. Desfasado do seu tempo, é um defensor da crítica literária de natureza académica, com preocupação em questões de natureza formal em detrimento do conteúdo.