Personagens e Resumo da Obra O Cortiço

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Principais Personagens

  • João Romão: Esperto, miserável, inescrupuloso (chegando, muitas vezes, a margear a desumanidade), ganancioso, empreendedor, enganador e invejoso. É o dono do cortiço no qual se ambienta o livro. É marido de Bertoleza. É um português capitalista que veio para o Brasil com o intuito de enriquecer de modo exacerbado; portanto, representa o capitalista explorador. Esse personagem privava-se do luxo, gastando apenas com aquilo que lhe traria mais dinheiro; foi assim que começou a comprar o terreno para construir o Cortiço.
  • Bertoleza: Trabalhadora, submissa, sonhava com a liberdade por meio de uma carta de alforria. É enganada por João Romão quando ele falsifica a carta. Quitandeira, vive com João Romão e é uma escrava que pensa ter comprado sua liberdade; portanto, representa o trabalhador escravo.
  • Miranda: Invejoso, ganancioso, rico, esperto, oportunista, não era feliz com o seu casamento; era casado com Dona Estela. É um português que veio para o Brasil e mora em um sobrado ao lado do cortiço, portanto, o vizinho rico de João Romão. Assim, representa a burguesia.
  • Jerônimo: Forte, trabalhador e honesto. É casado com Piedade, mas quer "bater virilha" com a Rita Baiana. É outro português que também veio para o Brasil; na obra, é visto como um trabalhador bastante disciplinado.
  • Piedade: Submissa, honesta e trabalhadora. Era esposa de Jerônimo e, assim como Bertoleza, assemelha-se nos aspectos psicológicos. Figura a típica mulher europeia.
  • Firmo: Gastador, vadio, galanteador, charlatão e presunçoso. Amigo de Rita Baiana, ganhava em uma semana para gastar em um dia. Mulato que se envolve com Rita Baiana.
  • Rita Baiana: Sensual, alegre e assanhada. Objeto de desejo de todos os homens do cortiço, o seu quadril baiano respondia para a direita e para a esquerda. A mulata sensual do Cortiço representa a mulher brasileira.
  • Pombinha: Amiga, inteligente e pura. Representa o extremo oposto de Rita Baiana, com sua beleza pura e sem pecado. Bonita, insatisfeita e totalmente seduzida pelo que lhe é imposto, ainda assim querida por todos.
  • Zulmira: Vivia para satisfazer a vontade do pai.
  • Henrique: Apreciado de Dona Estela.
  • Botelho: Era um pobre-diabo caminhando para os setenta anos, antipático, cabelo branco, curto e duro como escova, barba e bigode do mesmo teor.
  • Albino: Fechava a fila das primeiras lavadeiras.

O Contexto do Cortiço

O Cortiço: O livro de Aluísio de Azevedo é uma história que se passa em um cortiço. O Rio de Janeiro começa a ser povoado, mas sem infraestrutura. Com esse povoamento, até indústrias foram para o RJ, mas no Rio não havia infraestrutura e nem dinheiro, então as pessoas iam morar nos cortiços. Lá no cortiço, as pessoas trabalhavam para a burguesia; essas pessoas representavam a sociedade, ou seja, a comunidade inferior ao Rio de Janeiro. No cortiço morava o malandro, a prostituta, e lá também existiam portugueses que tinham poder em Portugal, mas no Brasil não eram nada. É a história da burguesia onde pessoas tentavam de todas as forças se estabelecer nessa posição.

Resumo da Obra

O Cortiço narra a busca do português João Romão pelo enriquecimento e, para tal, ele explora os empregados e é capaz de tudo para atingir seus objetivos. Romão é dono do cortiço, da taverna e da pedreira. Bertoleza, sua amante, o ajuda trabalhando sem descanso. Opondo-se a João Romão está Miranda, um comerciante bem-sucedido que disputa com o taverneiro um pedaço de terra para aumentar seu quintal; entretanto, não havendo acordo, há o rompimento provisório da relação entre eles.

João Romão, motivado pela inveja que tem de Miranda, que possui uma condição social superior, passa a trabalhar de forma árdua e a privar-se de certas coisas para enriquecer mais que o outro português. Entretanto, quando Miranda recebe o título de Barão, João Romão entende que não basta ter dinheiro, é necessário também ter uma posição social reconhecida e ostentar certos luxos, como frequentar lugares requintados, teatros, usar roupas finas, ler romances, etc.; isto é, inserir-se na efetiva vida burguesa.

Quando Miranda recebe o título de Barão e passa a ter superioridade afirmada sobre seu rival, João Romão opta por várias mudanças no cortiço, que agora ostenta ares aristocráticos, perdendo as características de miséria e desorganização, passando a se chamar Vila João Romão. Há, em paralelo, os moradores do cortiço que têm menor ambição, dentre eles, Rita Baiana e Capoeira Firmo, Jerônimo e Piedade.

O romance busca mostrar a influência do meio sobre o homem; um exemplo bem claro disso é o português Jerônimo, que tem uma vida exemplar, porém passa de trabalhador disciplinado para preguiçoso e displicente; para justificar, afirma que “o calor dos trópicos tirava-me as forças do corpo”. Como estratégia de ascensão social, João Romão pede a mão da filha de Miranda; porém, Bertoleza representa um empecilho, já que percebe as manobras do dono do cortiço para livrar-se dela e exige usufruir dos bens que ajudou a acumular. Para se livrar da amante, Romão a denuncia como escrava fugida e, em desespero, Bertoleza comete suicídio; assim, o caminho fica livre para o matrimônio de João Romão.

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