O que é o Bem? Perspectivas de Aristóteles, Mill e Kant

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O que é o bem?

Ética é a reflexão sobre a moral, a saber, sobre o que consideramos bom e mau. Todos seguimos determinados padrões morais que reconhecemos, embora não façam parte de um código escrito. Todos atribuem um valor moral a certos atos, próprios ou de terceiros. Todos nós temos uma ética, apesar de termos pouco conhecimento consciente da mesma. Em nossas decisões, nossas opiniões sobre o que pensamos ser certo ou errado revelam uma posição ética particular.

Aristóteles: o bom é a felicidade

Para Aristóteles, todas as ações humanas têm um fim. Sempre que fazemos algo, fazemos para atingir uma meta ou objetivo, e essa meta é o que dá sentido às nossas ações. Nossa vida é moldada como uma sequência de fins: agimos para um fim que nos propomos, mas este é também um meio para outro fim. Deve haver uma meta final, um propósito que não seja meio para outra coisa; caso contrário, a cadeia da nossa vida não teria sentido. O objetivo final, que é desejado por si só, é a felicidade.

A felicidade só é possível para aquele que vive guiado pela razão, para aqueles que não se deixam levar pela paixão e são capazes de controlar seus desejos e medos. Um bom homem é o homem sábio: aquele que busca o meio-termo entre os extremos. Esse equilíbrio pode variar de acordo com as circunstâncias e a pessoa em causa. Entretanto, a felicidade só pode ser alcançada se preenchidos determinados requisitos:

  • Físicos;
  • Materiais;
  • Emocionais.

Stuart Mill: o bom é o que é útil

O filósofo elaborou a teoria ética conhecida como utilitarismo. Para o utilitarista, o bem é o que é útil, proveitoso e agradável. Acredita-se que todas as pessoas buscam a felicidade e a relacionam ao prazer. Todos queremos o que queremos porque é prazeroso, mas nem todo prazer é desejável, uma vez que existem prazeres fugazes que acabam causando dor.

Para Stuart Mill, há prazeres de baixa e alta categoria:

  • Baixos prazeres: prazeres corporais.
  • Prazeres elevados: dizem respeito à nossa capacidade criativa e intelectual.

Mill diz que a felicidade é atingível se não for tratada como uma vida contínua em êxtase, mas como uma vida com momentos de emoção, com poucas e transitórias dores e muitos prazeres variados. De acordo com a teoria utilitarista, devemos agir tentando alcançar a maior felicidade possível para o maior número de pessoas.

Kant: o bom é o que é feito por obrigação

Para Immanuel Kant, os seres humanos são seres racionais e naturais. Somos governados por leis naturais (como comer, dormir e beber água), mas também somos racionais, pois somos regidos pela lei moral. A lei moral está em nossa razão e é a mesma para todos os seres humanos. Ela diz que o que eu acho melhor para mim deve valer também para todos os outros.

Quando fazemos o bem, não temos dificuldade em conceber que nossa intenção conte como lei universal. Mas, se agirmos mal, não queremos que nossa intenção se torne lei universal; quando agimos mal, pretendemos ser a exceção. O mentiroso quer mentir, mas não quer ser enganado. Para Kant, o que é mais relevante é a intenção do ato, não o resultado ou o fim. As boas obras são feitas pelo senso de dever.

Kant distingue legalidade e moralidade:

  • Legalidade: um ato é legal quando coincide com o dever.
  • Moralidade: um ato só é moral se for feito puramente pelo dever, e não por interesse, conveniência ou medo.

O ser humano está acima de qualquer preço; as pessoas têm um valor intrínseco e não relativo, sendo, por isso, insubstituíveis.

Felicidade e sofrimento em uma perspectiva religiosa

Os seres humanos são conscientes da vida e da inevitabilidade da morte. Maravilhamo-nos com o nascimento e lamentamos a morte. Sergio Bergman observa: "O Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o seu santo nome". Questionamos a visão de Deus quando o resultado de uma ação provoca dor e perda, querendo saber onde Deus está e qual é o seu lugar.

Todos estamos constantemente sendo testados. O importante é ver como reagimos à evidência, que nem sempre será dolorosa. Parte da vida é a aceitação de que certas coisas se perdem e não voltam, como a morte de um parente. Primo Corbelli afirma que a situação atual faz com que as pessoas sofram ainda mais religiosamente, sentindo o silêncio de Deus diante da impunidade, onde parece que os maus são os que vencem. Para esta visão, o sofrimento não é um valor, é algo que deve ser combatido. A verdadeira felicidade é sentir-se útil aos outros.

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