Planejamento, Metodologias e Avaliação na Prática Docente
Classificado em Desporto e Educação Física
Escrito em em
português com um tamanho de 33,07 KB
A Prática do Planejamento e Seus Componentes Básicos
Na Unidade VI, estudamos as concepções e tipos de planejamento, aprendemos a definir, situar e a diferenciar os diversos planejamentos que permeiam a prática educativa. Nesta unidade, abordaremos com maior riqueza de detalhes os tipos de planejamentos mais próximos do professor que exerce a docência. Você perceberá que o ato de educar ultrapassa as quatro paredes da sala de aula. Esperamos que goste. Vamos lá!
Objetivo da Unidade:
- Reconhecer a importância do planejamento para o professor, destacando os elementos envolvidos no processo de elaboração dos mesmos.
Na unidade anterior, nós estudamos os conceitos de planejamento e os diversos níveis de abrangência. Agora, destacaremos de forma mais específica os planejamentos ligados diretamente ao professor.
Planejamento da Escola ou Projeto Político Pedagógico (PPP)
É realizado por toda a comunidade escolar e envolve tanto a dimensão pedagógica, quanto a comunitária e administrativa, portanto, torna-se o planejamento integral da escola.
Componentes do Projeto Político Pedagógico (PPP)
Na organização do Projeto Político Pedagógico – PPP, a comunidade escolar deve levar em consideração os seguintes componentes:
- Identificação da Instituição: Todo projeto precisa estar devidamente identificado com nome da instituição, localização, área de atuação, atos autorizativos e, se for o caso, o CNPJ.
- Princípios, Fins e Objetivos da Educação: Esses princípios são os preconizados para a educação nacional e podem ser encontrados na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei nº 9.394/96.
- Finalidades e Objetivos da Instituição: São os fins e os objetivos da própria instituição de ensino; nesse item é interessante destacar a missão da instituição, desta forma fica mais fácil nortear a sua ação.
- Linha Político-Filosófico-Metodológica: Esse item abordará a linha filosófica e a política adotada pela escola, além de explicitar o caminho geral, os princípios metodológicos que sustentam a prática que a escola utiliza.
- Marco Referencial: É a fundamentação que a escola utiliza para tomar uma posição frente à sua identidade, sua visão de mundo, seus valores e seus compromissos. O marco referencial é formado por: marco situacional, marco doutrinal e marco operativo.
- Marco Situacional: Identifica a visão do grupo sobre a realidade, sua visão de mundo.
- Marco Doutrinal: Identifica a proposta de sociedade; a proposta de educação que o grupo assume.
- Marco Operativo: Identifica a tomada de posição quanto à organização do trabalho nas dimensões pedagógica, comunitária e administrativa.
- Diagnóstico: É o levantamento e análise de dados da realidade escolar, com real destaque para as reais necessidades da instituição.
- Organização Curricular: É a dinâmica do currículo, envolve o perfil do aluno, as competências desejadas, a metodologia a ser utilizada, o perfil do egresso, os eixos transversais, os programas, os cursos oferecidos, o sistema de avaliação, a matriz curricular.
- Programação: É o estabelecimento da linha de ação a ser adotada, as ações concretas a serem desenvolvidas para dar conta de atender às necessidades reais da instituição.
- Atividades de Capacitação: É a explicitação do programa de educação continuada para todos os envolvidos no processo educativo.
- Avaliação: É a avaliação conjunta do projeto, feita por toda a comunidade escolar; será a partir da avaliação que se fará a reelaboração do PPP para o próximo período letivo.
A construção do Projeto Político Pedagógico é um trabalho coletivo importante e que deve levar em conta a qualidade formal e política e os princípios éticos em sua elaboração, além de consolidar a autonomia intelectual do grupo sem, contudo, ferir o Regimento Escolar.
Projeto de Ensino-Aprendizagem
O projeto de ensino-aprendizagem compreende aqueles planejamentos realizados na escola com a finalidade de nortear o trabalho pedagógico. Podemos distinguir dois tipos de projeto de ensino-aprendizagem:
Plano de Curso
O Plano de Curso é um roteiro da distribuição das unidades didáticas no decorrer do ano letivo e deve conter os seguintes componentes:
- Identificação da instituição, do curso, da disciplina, da série, do ano e do professor.
- Número de aulas em que o plano será desenvolvido.
- Justificativa da disciplina que deverá englobar o porquê de ensinar, o para que ensinar e o como ensinar.
- Objetivos Gerais da disciplina.
- Objetivos Específicos.
- Conteúdos.
- Número de aulas destinadas a cada conteúdo.
- Desenvolvimento metodológico.
- Bibliografia do aluno.
- Bibliografia de aprofundamento.
Plano de Aula
O Plano de Aula é um detalhamento do plano de curso e deve estar inserido em todos os outros planejamentos de maior abrangência e contar com os seguintes elementos:
- Identificação da instituição, do curso, da série, das atividades ou da disciplina, do professor e a data.
- Unidade didática.
- Objetivos Específicos.
- Conteúdo.
- Duração da aula.
- Desenvolvimento metodológico, incluindo estratégias, recursos e avaliação.
Componentes de um Planejamento
Objetivos
Objetivos são metas estabelecidas, é o que se pretende atingir, o que se espera. Ao definir objetivos, em geral, coloca-se ênfase em modificações de comportamento do aluno quanto a conhecimentos, habilidades e atitudes.
Os objetivos podem ser classificados em:
Quanto à sua Abrangência
- Objetivos Gerais: São aqueles mais amplos e mais complexos, que poderão ser alcançados em um período de tempo maior, por exemplo, ao final do Ensino Fundamental ou Ensino Médio, ou até mesmo ao final de uma série ou etapa.
- Objetivos Específicos: Referem-se a aspectos mais simples, mais concretos, de observação mais fácil, alcançáveis em menor tempo, como, por exemplo, aqueles que surgem ao final de uma aula ou de uma unidade de trabalho.
Quanto ao Domínio
- Domínio Cognitivo: Refere-se à cognição, ao pensamento, à reflexão, à razão, compreendendo de simples informações à mais alta habilidade de raciocínio.
- Domínio Afetivo: Refere-se à afetividade, ao sentimento, ao envolvimento, à emoção, aos valores, às atitudes, às apreciações, aos interesses, compreendendo da vivência diária à valorização.
- Domínio Psicomotor: Refere-se às habilidades operativas ou de movimento, à ação necessária ao desenvolvimento.
Os três domínios devem ser trabalhados de forma integral, tendo-se em vista que o homem é um ser unificado e integral. A separação dos domínios acontece apenas para fins de estudo.
Quanto ao Nível Taxionômico (Taxonomia de Bloom)
Benjamin Bloom organizou uma classificação que relaciona os produtos da aprendizagem ao nível trabalhado. Entretanto, cabe frisar que o trabalho educativo deve buscar o alcance de todos os níveis.
Área Cognitiva
- Conhecimento: Refere-se à evocação de informações, fatos, características, utilizando basicamente a memória.
- Compreensão: Refere-se ao entendimento, à interpretação.
- Aplicação: Refere-se à capacidade de abstração e posterior transferência e emprego do aprendido em novas situações.
- Análise: Refere-se à capacidade de desdobrar o todo em suas partes e posterior reintegração.
- Síntese: Refere-se à capacidade de a partir de partes formar o todo utilizando para isso a criatividade, apresentando, assim, ideias próprias e singulares.
- Avaliação: Refere-se à capacidade de inferir um julgamento, externando, assim, uma análise crítica.
Área Afetiva
- Acolhimento: Refere-se aos interesses espontâneos, à receptividade, à atenção.
- Resposta: Refere-se à atuação, à obediência e à participação.
- Valorização: Refere-se ao real envolvimento, à convicção.
- Organização: Refere-se ao verdadeiro comprometimento.
- Sistema de Valores: Refere-se às ações de acordo com os valores internalizados.
Quanto à Categoria
- Objetivos de Conhecimento: Referem-se aos conhecimentos que o aluno vai adquirir (informações, fatos, conceitos, princípios e suas aplicações, teorias, interpretações, análises, estudos, hipóteses, pesquisas etc.).
- Objetivos de Habilidades: Referem-se a tudo aquilo que o aluno vai aprender a fazer desenvolvendo sua capacidade motora e as diversas habilidades (experimentar, coordenar seus movimentos, montar, trabalhar em equipe, construir, etc.).
- Objetivos de Atitudes: Referem-se a comportamentos que devem ser desenvolvidos e indicam valoração, importância, ética, moral, conscientização etc.
Conteúdos
Conteúdos são os temas, os conhecimentos a serem ensinados no decorrer do período letivo, é a matéria propriamente dita.
Os conteúdos precisam ser analisados, organizados e selecionados para que possam realmente atender ao projeto educativo.
Seleção de Conteúdos
Na seleção de conteúdos não se pode perder de vista alguns aspectos, tais como:
- Atualização;
- Contextualização;
- Adequação à faixa etária;
- Interesses;
- Integração às diversas áreas do conhecimento;
- Instigação da curiosidade;
- Visão ampla para o futuro.
Além da observância de aspectos fundamentais e importantes, é crucial estabelecer alguns critérios de seleção descritos por Libâneo:
- Correspondência entre objetivos gerais e conteúdos: Os conteúdos devem expressar objetivos sociais e pedagógicos de maneira que possam instrumentalizar a camada popular para a participação ativa na vida.
- Caráter científico: Os conteúdos devem refletir o conhecimento por parte do professor da matéria a ser ensinada, assim como a identificação de noções básicas e do volume da matéria.
- Caráter sistemático: O programa de ensino deve partir de conhecimentos sistematizados que garantam uma lógica interna.
- Relevância social: Os conteúdos são relevantes para a vida concreta quando ampliam o conhecimento da realidade, instrumentalizam os alunos a pensarem metodicamente, a raciocinar, a desenvolver a capacidade de abstração, enfim, a pensar a própria prática.
- Acessibilidade e solidez: O conteúdo deve ser compatível com o nível de preparo e desenvolvimento mental dos alunos.
A Direção do Ensino e as Atuais Perspectivas Metodológicas
Ao planejar suas ações, o docente busca caminhos para apresentar seu conteúdo, de modo a alcançar os objetivos educacionais. Com isso, ele se depara com a escolha da metodologia que utilizará para levar o aluno a aprender.
Nesta unidade, abordaremos as metodologias mais utilizadas e as inovações da tecnologia na educação.
Objetivo da Unidade:
- Apresentar as metodologias mais utilizadas, levando a uma reflexão dos recursos e métodos que incorporam a ação docente, preparando os profissionais da educação de modo a romper paradigmas e buscar o novo na esfera educacional.
Diante de nossos estudos, foi possível constatar que a Educação é um momento privilegiado, em que professores e alunos juntos constroem significados para os fenômenos que ocorrem no contexto em que estão inseridos. A prática docente exige uma estruturação que levará o aprendiz ao conhecimento, como estudamos na unidade V.
No trabalho docente, cabe ao professor selecionar e organizar, no momento do planejamento de sua aula, os procedimentos didáticos, ou seja, os métodos de ensino que utilizará para mediar a aprendizagem do aluno.
Você deve estar se perguntando: que métodos são esses? Como posso ensinar? Quais os procedimentos que posso utilizar? Que recursos o contexto atual educacional tem para me oferecer?
Destacaremos, a seguir, alguns métodos de ensino que têm como objetivo a mediação escolar, visando estimular a mente dos alunos para a compreensão e incorporação dos conceitos, habilidades e conhecimentos propostos. Vale lembrar que só sabemos se funciona, se nos arriscarmos a ousar uma prática diferente. O desafio impulsiona o indivíduo a vencer obstáculos.
Aula Expositiva
Este método é o mais utilizado. É a exposição dos conhecimentos demonstrados pelo professor, em que a atividade dos alunos é receptiva.
Mas é preciso prestar atenção nessa metodologia: há momentos em que se faz necessária, porém não podemos esquecer que o aluno tem que ser construtor de sua aprendizagem, logo deve participar desse processo e não meramente receber informações.
A aula expositiva se utiliza da exposição verbal, da ilustração, da demonstração e da exemplificação. Precisamos ficar atentos para que as aulas expositivas não se tornem uma memorização mecânica e sem significados. É preciso buscar a interatividade e a participação do aluno no seu processo de construção e apropriação de conhecimento.
O docente pode utilizar a aula expositiva, desde que tenha a preocupação de manter viva a emoção, a criatividade e a vontade de ser e estar na sala de aula. Ao fazer opção por essa metodologia, o professor pode tomar duas posturas:
- Dogmática: Não permite participação, é o dono da verdade e os alunos são meros receptores.
- Dialogada: O docente tem a postura de expor o conteúdo através do diálogo, da participação, leva o aluno à reflexão e à construção do conhecimento a partir dos pontos-chave propostos pelo professor.
Uma boa aula expositiva é aquela que contempla a interatividade, em que o professor faz uma constante autoavaliação, busca os pontos falhos e faz uma análise da aprendizagem alcançada pelos seus alunos, de modo a permitir uma postura reeducadora.
Exemplo de aula expositiva interativa: O professor de matemática, ao ministrar sua aula expositiva, levou para sala de aula seus slides. De um slide para outro, o professor lançava um desafio para a turma, de modo que todos participassem da aula.
Estudo Dirigido
Consiste em tarefas dirigidas e orientadas pelo professor, a fim de proporcionar ao aluno um trabalho independente, de modo a buscar resolver a proposta apresentada de modo consciente e criativo.
O docente deverá propor, com base no tema em estudo, situações que os alunos buscarão resolver, levando em consideração todos os pontos abordados e estimulando a pesquisa na biblioteca, proporcionando, desse modo, o hábito da pesquisa.
Podemos exemplificar esse método destacando o estudo de caso, no qual o professor propõe uma situação e os alunos devem analisar, buscar, compreender, elaborar e chegar à assimilação do conteúdo com o caso apresentado.
Desse modo, o docente poderá verificar o nível de compreensão e assimilação dos conteúdos propostos na aula.
Trabalho em Grupo
É um método que tem como objetivo principal despertar nos alunos a cooperação entre si na realização de uma tarefa na qual o professor distribuirá temas de estudos, levando os mesmos a buscar a compreensão dos conhecimentos pré-estabelecidos.
O trabalho em grupo é um modelo que vem atribuindo mais valor à aprendizagem cooperativa, ou seja, os alunos trabalham em grupo e o resultado deste trabalho deve ser discutido por todos e cada participante deverá deixar sua contribuição.
É primordial que o professor acompanhe os grupos para verificar se todos estão contribuindo, participando e aprendendo. Logo, o professor proporcionará aos alunos diversas funções para chegar à aprendizagem, tais como: a discussão, a pesquisa, a tempestade de ideias, sondagens, a construção de ideias e, principalmente, a criatividade.
Logo, podemos destacar a teoria de Vygotsky, que ressaltava a importância da interação com o meio para a aprendizagem humana. O indivíduo aprende com a troca com o outro. Quem já não passou pela experiência de assistir a uma aula, em que o professor falava, falava e no final você ficou com uma enorme interrogação? Até que um colega se aproximou e lhe deu algumas explicações e pronto, tudo se tornou mais claro. Assim é também com nossos alunos, logo precisamos promover a interação, mas sem esquecer que deve ser uma metodologia mediada, na qual o professor é o mediador, sem deixar perder o objetivo proposto pelo trabalho.
Tipos de Trabalho em Grupo
Podemos considerar trabalho em grupo:
- Debate: É uma técnica que oportuniza o desenvolvimento da capacidade de expressão oral e de argumentação lógica de forma objetiva e crítica. Aplica-se de forma apropriada a temas polêmicos. O aluno deve ser informado com antecedência do tema para que possa coletar informações e posicionar-se frente ao mesmo. O debate permite também o exercício do respeito mútuo.
- Tempestade de Ideias (Brainstorming): É uma técnica que estabelece, produz e sintetiza ideias, favorece a iniciativa, o pensamento criador e a oralidade do aluno. Deve ser utilizada quando o objetivo é reunir o maior número de ideias possíveis sobre determinado problema. A tempestade de ideias favorece o desenvolvimento da liberdade plena de pensamento, além de minimizar os efeitos da crítica sem fundamento.
- Seminário: É uma técnica muito utilizada na escola, em que o aluno apresenta sua pesquisa ao grupo, e estimula a participação de todos. Deve propiciar condições para que todos os alunos estudem o assunto a ser apresentado. O seminário favorece a pesquisa, a discussão e a elaboração de conclusões sobre o tema estudado.
- Júri Simulado: É uma técnica que permite tratar um tema proposto com objetividade e realismo. Estimula a pesquisa, a habilidade de argumentação e a análise crítica dos alunos. O júri simulado permite ao professor trazer para a sala de aula um tema real para ser estudado, analisado e criticado profunda e construtivamente.
Aula Passeio
É o meio pelo qual o aluno tem a possibilidade de vivenciar na prática os conteúdos apresentados, levando à discussão e à compreensão das situações cotidianas do contexto social, educacional e familiar. É uma atividade que contempla os aspectos físicos e mentais, que estimula o conhecimento e as habilidades já adquiridas.
Após uma aula passeio, o aluno retorna para a escola mais seguro de sua aprendizagem e seu enriquecimento com as experiências vividas.
O professor deverá ter uma ideia clara sobre a aula passeio. O local a ser visitado precisa ser previamente estudado pelo professor, para que, desse modo, possa orientar os alunos a realizarem um roteiro prévio dos aspectos mais importantes a serem observados durante a aula-passeio.
Diante dos atuais estudos educacionais, foi possível constatar que há muito o conhecimento deixou de ser privilégio único da sala de aula para se tornar possível a sua busca em outros espaços sociais como, por exemplo: museus, cinemas, ruas da cidade, praias, supermercados, teatros, fábricas e outros. A aula-passeio tem como principal objetivo educacional ampliar os olhares e as experiências educacionais sob novas perspectivas.
É importante destacar que a aula-passeio surgiu com os estudos de Freinet através da observação das crianças que, quando estavam ao ar livre, demonstravam-se mais motivadas diante do processo de aprendizagem.
Mas, vale ressaltar que é uma metodologia que deve ser planejada, ou seja, ter começo, meio e fim. É preciso ter os registros e, ao retornar para a escola, fazer um feedback do passeio.
Exemplo de uma aula-passeio: A professora de ciências estava trabalhando em suas aulas sobre a preservação do meio ambiente. Ela agendou um passeio para o lixão da cidade, onde é realizado um trabalho de reciclagem e reaproveitamento do lixo produzido pela sociedade. Em sala de aula, a professora propôs um roteiro a ser observado - registro de fotos e anotações - e todos foram para a tal aula. Ao retornar, os alunos, juntamente com a professora, relataram o que viram e construíram um texto coletivo. Na próxima aula, eles farão uma exposição das fotos com o texto construído pelos alunos. E durante a semana poderá ser feito uso dos registros para abordar outras atividades.
Dramatização e Entrevista
- Dramatização: É o meio pelo qual o aluno tem possibilidade de demonstrar o que aprendeu utilizando a comunicação oral, corporal, gestual através da representação. É uma atividade que contempla o desenvolvimento do raciocínio indutivo e dedutivo, desenvolve a criatividade, habilidades e hábitos sociais e oportuniza uma aprendizagem de forma dinâmica.
- Entrevista: É uma técnica desenvolvida a partir de perguntas e respostas envolvendo interpretação e discussão e seu principal objetivo é a aquisição de conhecimentos e de atitudes. Oportuniza o desenvolvimento da habilidade de comunicação, de interpretação e registro, dentre outras.
Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA)
Além dos métodos aqui apresentados, a prática educativa pode contar com o apoio dos recursos tecnológicos que contribuem para o enriquecimento da ação docente. Uma metodologia atualmente utilizada é a educação a distância, através do ambiente virtual de aprendizagem.
A ideia de educação a distância não é recente, surgiu na Grécia Antiga. Mas, foi a partir do final do século XX que o conceito de educação a distância nos moldes que conhecemos se consolidou e desenvolveu-se amplamente em todo o mundo.
Hoje podemos afirmar que é uma forma de educação que permite a aprendizagem individual e em grupo, com a mediação de recursos didáticos organizados, veiculados em diferentes tecnologias de informação e de comunicação, com o apoio de um sistema de acompanhamento. Propicia a comunicação bidirecional nas relações aluno-aluno e professor-aluno, favorecendo o aprender a aprender, independente de tempo e espaço. Permite o aprendizado flexível, onde os próprios participantes gerenciam o seu tempo de estudo e escolhem como fazê-lo.
Vantagens da Educação a Distância (EAD)
- FLEXIBILIDADE:
- Amplia as possibilidades de escolha de local e horário de estudo;
- Permite maior adaptação ao ritmo de aprendizagem do participante.
- DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS:
- Autonomia de estudo e organização do trabalho intelectual;
- Incentivo à pesquisa;
- Troca de informações.
- AMPLITUDE:
- Possibilidade de atender grande número de pessoas, situadas em diferentes localidades, simultaneamente, sem deslocamento de casa ou do trabalho.
Para melhor compreender a mediação pedagógica através de novas tecnologias, leia atentamente o comentário de Moran (2003) em sua obra “Novas tecnologias e mediação pedagógica”. Ele afirma que:
“Por novas tecnologias em educação, entende-se o uso da informática, do computador, da Internet, do CD ROM, da hipermídia, da multimídia, de ferramentas de educação a distância – como chats, grupos ou lista de discussão, correio eletrônico, etc. – e de outros recursos e linguagens digitais de que atualmente se dispõe e que podem colaborar significativamente para tornar o processo de educação mais eficiente e mais eficaz.”
Sendo assim, podemos constatar que a direção da ação docente é de responsabilidade do professor acompanhado pela equipe técnico-pedagógica da escola, que devem preparar e selecionar as metodologias de suas aulas, utilizando os recursos de acordo com a realidade social que estamos vivendo.
É necessário considerarmos que é fato o avanço tecnológico e que a educação não pode estar alheia a essa situação. Sendo assim, o uso das novas tecnologias é o atual desafio do contexto escolar em que professores e alunos estão acostumados às metodologias tradicionais de ensino e só percebem que são capazes de alcançar novos horizontes, quando vivenciam as novas tecnologias. Como você, que está tendo a oportunidade de experimentar um desses mais novos recursos didáticos através da educação a distância via ambiente virtual de aprendizagem.
Avaliação Escolar: Conceitos, Funções e Tipos
Chegamos à última etapa da sequência didática. Esta fase é reconhecida por muitos profissionais de educação como a mais complexa – a avaliação do processo ensino-aprendizagem.
Quem nunca sentiu arrepios ao chegar à data da prova daquela matéria difícil ou que não se sentiu mal fisicamente ao ser avaliado em alguma questão? Avaliar é um processo natural e contínuo dos seres humanos.
Precisamos contemplar, medir e inferir um grau QUANTITATIVO ou QUALITATIVO na maioria das questões de nossas vidas.
Exemplo 1: Ao sair de casa, não olhamos no espelho para apreciar o traje e a sua composição?
Exemplo 2: Ao adquirirmos um produto, não observamos e analisamos seu estado e sua importância?
Essas são algumas formas de avaliação cotidiana e que acontecem naturalmente. Na escola não poderia ser diferente. É preciso avaliar o processo de ensino-aprendizagem.
A grande questão é: como conduzir a avaliação? Como avaliar? O que deve ser avaliado? Vamos entender o conceito de avaliação.
Conceitos de Avaliação
- O professor Cipriano Carlos Luckesi (1986) afirma que a avaliação é uma apreciação qualitativa sobre dados relevantes do processo de ensino-aprendizagem e que auxilia o professor a tomar decisões sobre seu trabalho.
- Segundo Claudino Piletti (1991:190): “Avaliação é um processo contínuo de pesquisas que visa interpretar os conhecimentos, as habilidades e as atitudes dos alunos, tendo em vista mudanças esperadas no comportamento propostas nos objetivos, a fim de que haja condições de decidir sobre alternativas do planejamento do trabalho do professor e da escola como um todo.”
- Libâneo (2000) define a avaliação como um componente do processo de ensino que visa, através da verificação e qualificação dos resultados obtidos, determinar a correspondência destes com os objetivos propostos e, daí, orientar a tomada de decisões em relação às atividades didáticas seguintes.
Diante dos conceitos apresentados, é possível observar que a avaliação é uma ferramenta de construção do conhecimento, pois ao mesmo tempo em que avalia o indivíduo, contribui para fazer e refazer a aprendizagem humana, com o objetivo de alcançar a apropriação do conhecimento.
Funções da Avaliação
As três concepções desses educadores contemplam as funções da avaliação escolar:
- Função Pedagógico-Didática: Aprimorar, ampliar e desenvolver capacidades cognoscitivas.
- Função de Diagnóstico: Identificar, conduzir fracassos e progressos.
- Função de Controle: Diagnosticar as situações didáticas.
“A avaliação não é um fim, mas um meio”. Piletti (1991, p.190). É um autêntico instrumento didático de análise e, portanto, necessita passar por uma organização que acompanhe o desenvolvimento do que foi ensinado e discutido em sala de aula.
A prova não pode ser uma "caixinha de surpresa". O aluno deve ter consciência de que vai ser avaliado e como será avaliado e, por sua vez, o professor deve se organizar para utilizar a avaliação como método de confirmação daquilo que ele pôde observar no dia a dia em sala de aula. Apesar de seu caráter classificatório, a prova não deve ser um ajuste de contas entre professor e aluno, conforme alerta Vasco Moretto. Muitas vezes, utilizando-se de sua autoridade de forma deturpada e envaidecida, o professor utiliza a prova para provar que é possuidor de conhecimento e controle. Com certeza, esta é uma postura antididática!
Tipos de Avaliação
Consideremos, então, os três tipos de avaliação:
- Diagnóstica: É utilizada para verificar os conhecimentos anteriores. Tem como objetivo diagnosticar o nível de aprendizagem do indivíduo. É uma avaliação que pode ser utilizada no início ou no final do processo de aprendizagem.
Ex.: Atividade de sondagem. O docente pode propor uma atividade com questões que levem os alunos a demonstrarem seu conhecimento acerca da atividade proposta.
- Formativa: É utilizada para acompanhar o processo de aprendizagem, tem como objetivo verificar o nível de aprendizagem do indivíduo, de modo a reforçar os conteúdos não apreendidos durante o processo de aprendizagem. É um processo de fazer e refazer as propostas com intuito de alcançar o êxito da construção do conhecimento.
Ex.: Após a avaliação, fazer a correção da mesma de modo a reforçar os pontos não apreendidos, voltando e refazendo o processo.
- Somativa: É utilizada para classificar ao final de um período de aprendizagem. Tem como objetivo medir a aprendizagem humana, de modo a classificar essa aprendizagem. São as avaliações aplicadas para quantificar a aprendizagem humana.
Ex: Provas de concursos, vestibular e outros.
Avaliar requer uma prática docente coerente: não se pode avaliar aquilo que não se ensina. Esta avaliação deve começar no primeiro dia de aula e deve culminar no último.
Você deve estar pensando: prova não avalia nada!
Realmente, a prova só se constitui em um instrumento legítimo de verificação se tiver coerência com o que o professor ensinou e como objetivo principal ser um norteador dos objetivos alcançados e dos que faltam alcançar.
Classificação da Avaliação
Quanto à Regularidade do Processo Avaliativo
- Contínua: A avaliação contínua é aquela que acontece de forma permanente em todo o processo educativo, continuamente em todos os momentos.
Ex: A observação e o registro do progresso do aluno.
- Pontual: A avaliação pontual é aquela que acontece em momentos pré-estabelecidos; é previamente marcada.
Ex: Provas bimestrais.
Quanto à Perspectiva do Avaliador
Nessa classificação, destacam-se três tipos:
- Interna: É aquela avaliação planejada, organizada e aplicada pelo próprio professor que conduziu o processo ensino-aprendizagem.
Ex: Um teste que o professor aplica ao terminar um conteúdo.
- Externa: É aquela avaliação planejada, organizada e aplicada por alguém que está fora do processo ensino-aprendizagem.
Ex: O ENEM é um processo de avaliação externa aplicada nacionalmente.
- Autoavaliação: É aquela avaliação em que o avaliador é o próprio avaliado. Esse tipo de avaliação permite que as pessoas conheçam suas potencialidades e limitações.
Ex: A autoavaliação discente permite que o próprio aluno descubra seus erros.
A avaliação é um momento da educação previsto no calendário escolar e deve acontecer de forma planejada. As instituições de ensino possuem autonomia para construir sua metodologia de avaliação, mas devem lembrar-se que esta é um ato pedagógico e, portanto, deve ser um momento tranquilo e organizado.
Técnicas Avaliativas
A avaliação é um processo amplo e complexo e você, que está começando a caminhar na área da licenciatura, deve continuar seus estudos sobre o tema. Lembre-se que o processo de avaliação é dinâmico e não deve ficar restrito a apenas alguns instrumentos ou métodos.
No processo educativo, devemos também avaliar a nossa prática, os métodos e procedimentos de ensino utilizados, os programas desenvolvidos, o cotidiano educativo, a própria instituição escolar. Em outras palavras, todos os componentes do processo educacional devem ser avaliados continuamente.