Platão: Mito da Caverna e Mundo das Ideias

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Ao iniciar a leitura, uma vez tendo os conhecimentos importantes de Platão, dar-nos-emos conta de que está relatando o famosíssimo Mito da Caverna. Trata-se de dois homens que, durante toda a sua vida, foram encerrados nessa caverna, e o único que veem são sombras que passam e projetam-se na parede da caverna. Assim, os homens acham que as sombras são seres reais, até que um sai e descobre os seres perfeitos, e que o que via antes era apenas a cópia ou a sombra dos seres perfeitos. É daí que parte Platão para explicar a origem das coisas. Diz que há um mundo suprassensível, ou o que chama de Mundo das Ideias, que é onde habita o perfeito, a ideia, que para o nosso filósofo era o verdadeiro ser, e não um processo mental como hoje conhecemos. Dizia Platão: "Tudo o que existe se concebe por uma ideia". E, pelo contrário, existe o mundo sensível, que vem das ideias, que atua como principal forma e de um princípio material, isto é, um princípio ilimitado e indeterminado de caráter físico. Também fala sobre a alma que, para ele, era o direito de aprender através de um órgão cujo fim é esse; que o segredo está em levar a esse órgão, e com a alma, a vista do que nasce da contemplação do que é, até que possa pousar os olhos no mais luminoso que habita no ser mesmo, ou seja, de acordo com a nossa doutrina, no bem. A faculdade de saber, como é a essência mais divina, nunca perde a sua força, somente volta a ser útil ou inútil, benéfica ou prejudicial, de acordo com a direção que se dá. Um estado corresponde a forçar os indivíduos de natureza privilegiada a que se dediquem à mais sublime das ciências, contemplando o bem em si mesmo e elevando-se até ele através desse caminho escarpado do qual falamos. Ao fazer com tanto cuidado os seus cidadãos, não é a intenção de deixá-los livres para o uso das suas faculdades como lhes aprouver, mas servir-se deles para fortalecer os laços do estado. Para concluir, dizendo que a verdadeira ciência para o filósofo não era nem a música, nem outra, senão que era a ciência dos números, a ciência do cálculo. Os objetos que convidam a alma à reflexão são aqueles que não produzem duas sensações contrárias ao mesmo tempo, e as coisas que obrigam à reflexão são aquelas que originam duas sensações contrárias quando os sentidos não se dão conta de que seja tal coisa ou tal outra oposta, já fira o objeto os sentidos de perto ou de longe.

Estrutura Dialética do Mundo das Ideias

Existe uma outra questão muito problemática na teoria ontológica de Platão: a da relação que têm as ideias entre si. Dadas as características das ideias, devem ser totalmente independentes umas das outras. No entanto, Platão concebe o mundo das ideias como um mundo hierarquicamente organizado, com ideias inferiores e ideias superiores, de tal modo que as ideias superiores englobam as ideias inferiores até alcançar no topo uma ideia suprema: a Ideia de Bem. Este tipo e estrutura na qual uma série de seres são, ao mesmo tempo, uma multiplicidade e uma unidade, chama-se, desde Platão, estrutura dialética. Para nos apoiar em uma imagem, que o próprio Platão usou, o mundo das ideias é como uma pirâmide estratificada em que cada degrau que se atinge recolhe e incorpora o degrau acima até resumir todos no cume. Desta maneira, na base da pirâmide estariam as ideias menos universais e, à medida que se avança, passa-se às ideias mais universais até alcançar a Ideia que englobaria toda a realidade, a Ideia de Bem. Tomaremos, por exemplo, as ideias de homem, Igualdade e Diferença: a Ideia de Homem implica igualdade com respeito a si mesmo e diferença a qualquer outra coisa, mas a ideia de Igualdade ou a ideia de Diferença não implicam a Ideia de Homem; disto se deduz que, sendo ideias independentes, a Ideia de Homem é algum degrau acima das de Igualdade ou Diferença na ordenação hierárquica do mundo das ideias.

Os Quatro Significados do Mito da Caverna

  • Os graus ontológicos da realidade: As sombras no fundo da caverna são as sombras de seres ou entes sensíveis; as estátuas, bonecos e outros objetos projetados são os próprios seres sensíveis; o mundo de fora da caverna simboliza o mundo das ideias; o Sol vem simbolizar a Ideia de Bem.
  • Os graus de conhecimento: A visão das sombras simboliza a Eikasía ou imaginação; a visão dos objetos projetados simboliza a Pistis ou crença; o caminho para a saída simboliza a ascensão nos graus de conhecimento; a curiosidade simboliza a tarefa do estudioso, do que quer chegar a sábio; a visão do mundo real simboliza a episteme em seus diferentes graus, antes confusa, e, depois, clara ao perceber o Sol, ou seja, a Ideia de Bem, cume da sabedoria.
  • A educação: O mito da caverna atinge seu sentido pleno quando Platão o completa fazendo regressar aquele que saiu da caverna para relatar aos homens acorrentados as suas descobertas. É a missão fundamental de quem alcança a sabedoria: educar os ignorantes, fazendo de guia no difícil caminho do conhecimento.
  • A política: O mito da caverna também tem uma leitura política: explica a essência do sistema proposto por Platão como sistema político ideal: apenas um sábio pode guiar a sociedade e, organizadamente, libertar da escravidão a que submete a ignorância. O chefe é sempre um servidor, o que mais trabalha e o que mais arrisca.

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