Poema de Mio Cid: autoria, estrutura e métrica
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Surge o problema: a épica medieval espanhola sofre com a grave escassez de textos preservados.
Teoria tradicionalista
Menéndez Pidal: afirma que os poemas épicos surgiram em castelhano quase no calor dos acontecimentos descritos. No caso do Poema de Mio Cid, Menéndez Pidal sustenta que a obra se originou e foi transmitida por via oral logo após a morte do protagonista.
Teoria individualista
A teoria individualista é representada por Colin Smith, que defende que o poema é uma unidade de trabalho experimental composta por um único autor em um dado momento.
Estrutura, conteúdo e características
O poema tem uma estrutura tripartida com base nas três cantares que o compõem: a canção do exílio ... Quanto à intenção do autor e à fidelidade aos fatos históricos, parece claro que a obra é uma criação poética que mistura o verídico com o inventado, com finalidade essencialmente artística. O Cid exemplifica a fidelidade ao rei; outras partes concentram-se em propaganda de Castela-Leão e na oposição entre a nobreza menor e a aristocracia. El Cid é personagem central e encarna as virtudes do cavaleiro medieval.
Métrica e estilo
Os versos são agrupados em rima monorrima assonante, de comprimento variável, e apresentam uma cesura que divide o verso em dois hemistíquios. O texto mantém muitos traços da linguagem oral e de documentos legais, indicando que o autor conhecia bem esses registros.
- Utilização de epítetos épicos e fraseologia binária, com enumerações e antíteses.
- Uso abundante do discurso direto, o que confere realismo e intensidade.
- Apelo ao público para captar sua atenção.
- Variedade de tempos verbais, com predomínio do presente histórico.
Mester de juglaría e do clero
Século XIII. A oficina dos menestréis, ou mester de juglaría, tinha como função entreter o público com seus recursos e competências: cantares, música etc. A audiência era mista, e os intérpretes ajustavam a performance aos espectadores presentes. Havia vários tipos de menestréis, desde os mais toscos até os mais apreciados; muitos também eram malabaristas.
Mester do clero: características
O nome aparece pela primeira vez no Livro de Alexandre. Nesse trabalho, o autor contrapõe o mester do clero ao mester de juglaría, orgulhando-se de uma arte regular e consistente, em oposição às irregularidades e à falta de técnica atribuídas ao mester de juglaría. As características resumem-se em:
- Obras escritas em castelhano por autores cultos e educados, não por menestréis.
- Uso do verso alexandrino, frequentemente dividido ao meio (hemistíquio).
- Intenção educativa e informativa, com objetivo de disseminar conhecimento ao público.
- Os autores do mester do clero empregam também recursos e truques próprios dos menestréis.
Gonzalo de Berceo
Gonzalo de Berceo é o primeiro poeta castelhano conhecido pelo nome; nasceu no final do século XII, em Berceo. É o mais representativo do mester do clero. Todas as suas obras têm temas religiosos. Como é característico desse mester, Berceo demonstra grande interesse em conservar as fontes. É também um artista original, que incorpora em suas obras sua própria visão de mundo: certa ironia, toques de comédia e, especialmente, recursos menestréis e uma linguagem que oscila entre o culto e o popular.
No emprego do popular mais brilhante, Berceo revela-se um poeta intenso e realista, capaz de dar vida a temas que poderiam ter permanecido áridos e exemplarmente moralizantes.
Obras conhecidas: Milagros de Nuestra Señora (Milagres de Nossa Senhora). Esses relatos estão inseridos num movimento devocional mariano então vigente na Europa, presente em coleções de milagres em latim e em línguas românicas.