Poema de Mio Cid: Origem, Estrutura e Estilo
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Origem dos Poemas Épicos
A origem dos épicos tem sido associada a várias fontes: carmina maiorum (canções heroicas dos visigodos sobre os antepassados germânicos), a épica francesa, o folclore árabe-andaluz e a épica popular. Os épicos espanhóis fazem parte da tradição literária do mester de jogralia ou a arte dos jograis, por isso são anónimos. Conhecemos muitas baladas e canções graças às prosificações de cronistas medievais.
Ciclos das Canções de Gesta
Os poemas épicos relacionados com a história de Castela agrupam-se em três grandes ciclos: o dos Condes de Castela, o do Cid e o de Carlos Magno.
Poema de Mio Cid
O Poema de Mio Cid é um poema épico composto no período de plenitude da épica medieval espanhola, entre a segunda metade do século XII e o início do século XIII. Chegou até nós num único manuscrito.
Manuscrito, Autoria e Data de Composição
O códice que contém o Poema de Mio Cid tem 3730 versos e está incompleto. A tese de Ramón Menéndez Pidal defende a autoria dupla: um poeta de San Esteban de Gormaz seria responsável pela parte I e parte do Canto II e III, prevalecendo os aspetos informativos. Um poeta de Medinaceli, um revisor, a quem Menéndez Pidal atribui características mais novelescas, seria responsável pela realização mais poética e dramática da obra. Per Abbat seria simplesmente o copista. Quanto à data de composição, situa-se no final do séc. XII ou início do séc. XIII, entre 1201 e 1207.
Estrutura
O Poema de Mio Cid tem uma grande unidade narrativa, baseada numa série de motivos relacionados com Rodrigo Díaz de Vivar, o protagonista. A obra divide-se em três cantares: Cantar do Desterro, Cantar das Bodas das filhas do Cid e Cantar da Afronta de Corpes. O segundo cantar é o centro poético do poema.
Linhas de Argumentação
O Poema de Mio Cid tem duas linhas de argumentação:
- A primeira refere-se à aventura que se segue ao desterro do Cid, resultando na conquista de Valência, na recuperação da honra perdida e na reconciliação entre senhor e vassalo.
- A segunda linha narra os casamentos das filhas do Cid, a afronta de Corpes e a busca da glória para o protagonista.
Métrica
O Poema de Mio Cid é um poema épico, narrativo em verso, que segue o esquema métrico próprio do mester de jogralia. A sua métrica caracteriza-se por versos irregulares (anisossilabismo), com cerca de 14 a 16 sílabas, com uma cesura que os divide em dois hemistíquios. A rima dos versos é assonante, e aqueles com a mesma rima agrupam-se para formar uma tirada (laisse), não uma estrofe.
Língua e Estilo
O Poema de Mio Cid foi escrito entre os sécs. XII e XIII, num dialeto castelhano com presença de aragonesismos. Algumas das suas características são:
- Escassez de adjetivos, reservados para passagens descritivas de maior impacto.
- Dinamismo verbal: o narrador alterna entre o ponto de vista narrativo no passado e o diálogo no presente.
- Prevalência da justaposição e coordenação sobre a subordinação.
- Léxico concreto, com termos do quotidiano, muitos relativos ao direito, ao esforço bélico, etc. Aparecem arcaísmos, latinismos e arabismos.
- Oralidade e improvisação.
- Sobriedade, clareza e simplicidade da linguagem, características do estilo realista.
- Expressões formulares, como o epíteto épico, usado para realçar a qualidade de uma personagem.
- Expressões de súplica ou agradecimento.
- Apelos do narrador à atenção do público.
- Uso de paralelismos, exclamações, comparações, antíteses e pleonasmos.
- Predomínio do diálogo, introduzido ou não por verbos dicendi.
Temas
Os temas mais importantes são o desterro injusto, o do bom cavaleiro, a vassalagem, a guerra como meio de obter honra, riqueza e fama, a inveja, a vingança, a justiça e o favor real. Acima de todos, destaca-se o tema da recuperação da honra perdida.