Poemas Clássicos sobre a Morte: Álvares de Azevedo e Mais

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Sobre a Morte (Álvares de Azevedo)

Se Eu Morresse Amanhã!
Se eu morresse amanhã, viria ao menos
Fechar meus olhos minha triste irmã;
Minha mãe de saudades morreria
Se eu morresse amanhã!
Quanta glória em meu pressentimento futuro!
Que aurora de porvir e que manhã!
Eu perderia chorando essas coroas
Se eu morresse amanhã!
Que sol! Que céu azul! Que doce n'alva
Acorda a natureza mais louca!
Não mais no meu peito batera
Se eu morresse amanhã!
Mas essa dor da vida que devora
O desejo de glória, ou o afã...
A dor no peito ao menos emudecera
Se eu morresse amanhã!

Adeus, Meus Sonhos! (Álvares de Azevedo)

Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E meu peito, que tanto a vida enchi,
Morreu na minha mocidade triste!
Misérrimo! Votei aos meus dias
À sina de um amor sem fruto
E minh'alma agora na treva dorme
Como um olhar que envolve em morte.
Que deixei, meu Deus?
Morra comigo
A estrela de meus amores,
Já não vejo no meu peito morto
Um punho sequer de flores murchas!

A Morte de Sua Majestade Fidelíssima (Manuel de Santa Maria Itaparica)

In moriar nidulo meo, sicut & Phaenix multiplicabo dies meos. (Job 29.18)
Domini in ambulabimus in aeternum, et ultra. (Mich 4.5)

Morreu enfim o Rei dos Lusitanos,
Mas que homem não sentiu a morte?
Como Fênix morreu, desta sorte,
Próprios anos acrescentou morrendo.
Um Rei tão único entre os homens
Que tinha a parca ao lado,
Fora grande o sentimento tão forte,
Sem causar imensos danos.
Mas como já Fênix desfalecida
Acrescenta deste modo a sua idade,
Não se sente esta morte, louvada é:
Oh! Mildera-se a nossa saudade,
Que deu o nosso Rei, perdendo a vida
Tão cedo, para a eternidade elevar.

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