A Poesia Barroca: Temas, Estilo e Características
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Poesia Barroca
Questões temáticas: Continuou-se cultivando os temas da poesia anterior com a intensificação do expressivo, destacando-se os textos que expressam a ideia de desilusão e o sentimento de crise da época. A característica mais geral é a diversidade de temas:
- Poesia amorosa: A expressão do eu poético de dor por um amor frustrado, com a sobrevivência da descrição física do ser amado através de imagens petrarquistas. Surge também a partir de uma abordagem de paródia ou burlesco.
- Poesia filosófica e moral: Marcada pelo pessimismo, pela desilusão, pelo contraste entre a realidade e a aparência, pela transitoriedade da vida e pela consciência da morte. Recupera ideias estoicas que defendem a razão e o domínio das paixões para superar o medo da morte e a necessidade de uma vida virtuosa: as intrigas da corte, a injustiça, o dinheiro e a ambição foram censurados, especialmente na poesia satírica.
- Poesia religiosa: Predomina a poesia espiritual, de reflexão, arrependimento e celebração.
- Poesia burlesca: De caráter humorístico, incluindo escárnio e ataques pessoais. Degrada os mitos clássicos.
Os temas e motivos
Relacionados com a consciência da aflição, da crise e a preocupação com a transitoriedade da vida, destacam-se os temas do Ubi sunt e Cotidie morimur (morremos cotidianamente). Em resposta ao desapontamento, expressa-se o ideal de vida Aurea mediocritas (mediocridade dourada) e o Beatus ille.
Aspectos formais
A poesia barroca caracterizou-se por uma notável variedade genérica, estilística e formal dos registros de uso da linguagem, demonstrando sagacidade através da utilização de recursos expressivos.
- Métrica: Houve uma reavaliação da arte menor, especialmente o octossílabo: seguidilhas, canções, romances e letrilhas. É relevante também o aparecimento da Silva.
- O conceito e recursos expressivos: Abundam paralelos, hipérbatos excessivos, anáforas e um vocabulário que transita entre o cultismo e vozes coloquiais ou vulgares.
- O ideal artístico: O ideal renascentista foi substituído pela invenção e emulação barrocas. Importava, acima de tudo, surpreender e impressionar o leitor pela agudeza e dificuldade, exigindo um receptor culto.