Poetas Barrocos: Góngora, Lope de Vega e Quevedo
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Luis de Góngora
A tradição popular, clássica ou petrarquista, Góngora criou uma linguagem poética inovadora na maioria das vezes. Sua produção, difícil e minoritária, gerou entre seus leitores tanto rejeição e ardentes polêmicas quanto admiração e seguidores.
Poesia
Sua poesia divide-se em arte menor e arte maior, seguindo a tradição petrarquista:
- Arte Menor: Romances, letrillas e, acima de tudo, poemas satíricos e burlescos.
- Sonetos: Com temas de amor, seguindo a linha petrarquista, embora alterada pela consciência do tempo; outros são cômicos, e um terceiro grupo trata do desapontamento e da transitoriedade da vida.
- Grandes Poemas: Fábula de Polifemo e Galatea e Soledades. O Polifemo baseia-se na versão oferecida por Ovídio. Seu tema principal é o amor, enfatizando as razões pastorais para a importância da descrição da paisagem. O livro é escrito em oitavas.
Estilo
O estilo de Góngora caracteriza-se pelo cultismo, tornando-o difícil devido às alusões mitológicas. Enfatiza o uso de aliterações e paranomásias; as formas sintáticas são muito complexas e as frases longas. No léxico, predominam cultismos, campos associativos e metáforas relacionadas à cor e à música.
Soledades
Nestas composições em silvas, enfatiza-se a descrição da natureza e do trabalho rural, através de uma linguagem poética refinada e cheia de recursos expressivos.
Lope de Vega
Lope era um homem de extraordinária capacidade construtiva, tanto na narrativa quanto no teatro e na ópera.
Poesia
Sua poesia inclui composições de arte menor (letrillas, villancicos, seguidillas, romances) e poesia de estilo italiano (sonetos, canções, éclogas, epístolas).
Romances
Tipo petrarquista de arte menor. Em Rimas (1602-1609), inclui sonetos, bem como poemas de amor, mitológicos, morais e de circunstâncias.
Poesia religiosa: Rimas Sacras, que recolhe sonetos e outros poemas de devoção animada, confissão de culpa e arrependimento.
Estilo
Poetiza suas experiências e sentimentos. Seu estilo clássico de simplicidade expressiva mostra a continuação da poesia anterior, mas revela também seu apreço pelo conceito.
Francisco Quevedo
Autor de uma extensa obra que se destaca pela qualidade e pela publicação de seu vasto leque de temas, atitudes, métricas de linguagem e registros, compatível com a literatura de seu tempo.
Temas Poéticos
Escreveu poemas de arte maior e dois romances de arte menor.
- Poesia de Amor: Tem suas raízes na lírica cancioneiril, abordando a beleza da amada inacessível, o sofrimento do amante e a loucura amorosa.
- Poesia Moral e Metafísica: Estes poemas revelam uma profunda desilusão. O autor reflete sobre a brevidade e a transitoriedade angustiada da vida, o engano das aparências e a morte inevitável: a vida é um caminho para a morte.
- Poesia Burlesca e Satírica: Critica costumes e tipos humanos e sociais da época. Excelente na sátira feminina (dentro da misoginia), deprecia mitos clássicos e petrarquistas.
- Poesia Religiosa: Combina temas da poesia moral com a poesia religiosa, tratando do arrependimento por seus pecados e, em outros poemas, da reflexão sobre a Paixão de Cristo.
Estilo
Uso extremo de artifícios retóricos, como metáforas, comparações, antíteses e contrastes. Na poesia satírica e burlesca, há abundância de recursos projetados para produzir caricaturas e causar riso, utilizando expressões coloquiais e de registro comum. É também mestre na criação lexical e na modificação de expressões idiomáticas e provérbios, principalmente para fins paródicos.
A Prosa Barroca
Na prosa narrativa barroca, a prosa é culta e intelectual, sendo didática, moralista e muitas vezes satírica. Destacam-se:
- A novela pastoral.
- O romance bizantino.
- O romance cortesão.
As obras em prosa didática incluem aspectos históricos, políticos e religiosos.