Polidrâmnia, Oligodrâmnia, RPM e Corioamnionite

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Polidrâmnia (Excesso de Líquido Amniótico)

Causas:

  • Anomalias congênitas: SNC (anencefalia, defeitos do tubo neural); atresias altas do TGI (esôfago e duodeno).
  • Causas maternas: DM, DHPN, gemelidade, patologias placentárias, infecções.
  • Idiopática.

Diagnóstico:

  • Fundo uterino (FU) maior que o esperado para a IG (idade gestacional).
  • Hipertonia uterina e apresentação fetal indefinida; aumento da atividade uterina.
  • USG (padrão-ouro): bolsão de líquido amniótico (LA) > 8 cm no diâmetro vertical.

Prognóstico:

  • Mortalidade perinatal (associada a malformações, prematuridade, lesões anóxicas).
  • Insuficiência cardíaca e renal; maior risco em gestantes com diabetes.
  • Risco de ruptura prematura das membranas (RPM) com apresentações distócicas; hemorragia no secundamento e no pós-parto.

Tratamento:

  • Feto com achados normais (USG e cariótipo): tentativa de prolongar a gestação por amniocentese/amniodrenagem transabdominal. Entre 24–34 semanas, administração de corticosteroides para maturação fetal.
  • Feto malformado: possibilidade de interrupção da gestação por indução (ocitocina) e amniotomia, conforme legislação e conduta institucional.
  • Conduta materna: observação rigorosa no secundamento e no quarto período; uso profilático de 10 UI de ocitocina após a saída da placenta.

Oligodrâmnia (Diminuição do Líquido Amniótico)

Causas:

  • Doença renal fetal: agenesia renal, displasia multicística, rim policístico infantil, obstrução baixa do trato urinário.
  • Restrição do crescimento intrauterino (RCIU).
  • Gemelidade.

Diagnóstico:

  • Útero pequeno para a IG (idade gestacional).
  • USG: bolsão de LA < 2 cm no diâmetro vertical.

Prognóstico:

  • Risco de morte fetal.
  • Hipoplasia pulmonar.
  • Anormalidades esqueléticas.

Ruptura Prematura das Membranas (RPM)

Definição: amniorrexe espontânea que ocorre antes do início do trabalho de parto. Se antes de 37 semanas, é RPM pré-termo.

Causas:

  • Corioamnionite.
  • Vaginose bacteriana.
  • Diminuição do colágeno das membranas, tabagismo, histórico de conização ou parto pré-termo.
  • Sobredistensão uterina, cerclagem do colo, amniocentese, hemorragia.

Diagnóstico clínico:

  • História de perda de líquido amniótico pela vagina.
  • Exame especular: LA escoando pelo orifício cervical.
  • Toque vaginal é contraindicado quando há suspeita clínica (pode reduzir o período de latência e aumentar morbidade infecciosa).

Diagnóstico laboratorial (se necessário):

  • USG para avaliação fetal e do volume de LA.
  • pH vaginal ≥ 6,5 (teste auxiliar).

Prognóstico:

  • Risco de infecção materna e fetal.
  • Para a mãe: infecção puerperal.
  • Para o feto: maior mortalidade neonatal por hipoplasia pulmonar, síndrome de dificuldade respiratória ou hemorragia intraventricular (especialmente se parto antes de 28 semanas).

Tratamento (conforme IG e viabilidade):

  • < 24 semanas: consideração de interrupção da gestação (indução com ocitocina ou misoprostol) dependendo da viabilidade, prognóstico fetal e decisão clínica/legislativa.
  • 24–32 semanas: internação por 72 h, monitorização de sinais de infecção, corticosteroides por 48 h para maturação pulmonar, antibiótico profilático — ampicilina 2 g IV a cada 6 h; avaliação da viabilidade fetal (perfil biofísico fetal — PBF).
  • > 32 semanas: indução do parto ou cesárea conforme indicação obstétrica; profilaxia para GBS conforme diretrizes locais.

Corioamnionite (Infecção das Membranas e do LA)

Infecção do líquido amniótico e das membranas fetais, geralmente associada a infecção ascendente por organismos da flora vaginal.

Fatores de risco: parto pré-termo, RPM por > 12 h, trabalho de parto prolongado.

Quadro clínico:

  • Febre materna (> 38 °C).
  • Aumento da frequência cardíaca materna e fetal.
  • Útero dolorido; líquido amniótico purulento.

Diagnóstico: essencialmente clínico (baseado no quadro materno e evidências de infecção).

Prognóstico:

  • Complicações maternas: bacteriúria, infecção de parede abdominal após cesárea, sepse materna.
  • Complicações neonatais: sepse, pneumonia e meningite neonatal.

Tratamento:

  • Antibioterapia: ampicilina 2 g IV a cada 6 h + gentamicina 1,5 mg/kg IV a cada 8 h + metronidazol 500 mg IV a cada 8 h.
  • Indução do parto e manejo obstétrico adequado conforme a condição materna e fetal.

Observação: As condutas devem seguir protocolos locais, condição clínica da mãe e do feto e legislação vigente. A terminologia e as siglas (IG, FU, LA, USG, RPM, GBS, PBF) foram mantidas e explicadas quando necessário para preservar o conteúdo original.

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