Os Grandes Polos de Desenvolvimento Económico Mundial

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1.2 - Os Polos de Desenvolvimento Económico

A Hegemonia dos EUA

O mundo atual tem três grandes polos de desenvolvimento económico: EUA, União Europeia e Ásia-Pacífico, e uma grande potência, os EUA. Detendo o maior PIB mundial, dos Estados Unidos depende grande parte do equilíbrio económico mundial. É nos EUA que o neoliberalismo tem a sua maior expressão, mesmo que outras grandes potências económicas sigam a mesma política:

  • Impostos reduzidos sobre as empresas;
  • Reduzidos encargos com segurança social;
  • Liberalização dos despedimentos.

A sua economia tem características que marcam o sistema económico capitalista mundial:

  • A maior parte das maiores empresas multinacionais da indústria, comércio e finança são norte-americanas.
  • O movimento financeiro destas grandes empresas ultrapassa os montantes movimentados pela maior parte dos estados do mundo.
  • As multinacionais americanas têm interesses instalados em todo o mundo.
  • O EUA é o maior mercado de consumo mundial.
  • É o maior exportador de serviços do mundo, com 75% da sua economia dependente do setor terciário nas áreas da banca, seguros, transportes, restauração, cinema e música.
  • Grande desenvolvimento e produtividade do setor pecuário e agrícola, sendo os maiores exportadores mundiais nesta área.
  • Grande desenvolvimento das regiões urbanas do noroeste, mas também do sudoeste dos EUA, associado às novas tecnologias (Silicon Valley) e ao elevado investimento em investigação científica em parques tecnológicos (associando universidades, empresas e centros de pesquisa).

Ao longo dos anos 90, com a presidência de Bill Clinton, os EUA reforçaram o seu papel na zona da Ásia-Pacífico, contrariando a penetração europeia no mundo. Tomaram-se várias medidas:

  • Desenvolveram-se relações comerciais e políticas com pequenos e grandes países do Pacífico e Índico.
  • Revitalizou-se a APEC (Cooperação Económica Ásia-Pacífico), criada em 1989. Criou-se a NAFTA (Acordo de Comércio Livre da América do Norte) entre México, Canadá e EUA que, no entanto, não avançou posteriormente devido à oposição dos países da América Latina, como a Venezuela.

Hegemonia Político-Militar

A intervenção americana no Kuwait para contrariar a política agressiva de Saddam Hussein face a este país levou a um reforço do papel hegemónico militar dos EUA, apoiando-se nos seus aliados ocidentais e aproveitando-se das dificuldades sentidas pela Rússia após a desagregação da União Soviética e do Pacto de Varsóvia.

O seu papel a nível mundial tem sido marcado por diferentes fatores:

  • Multiplicaram as sanções económicas sobre países que não respeitam as regras do direito internacional ou que constituem uma ameaça à segurança e à economia mundial.
  • Reforço do papel da OTAN.
  • Protagonismo militar em várias regiões ameaçadas pela instabilidade política (Somália 1992 a 1994, Afeganistão 2001).

A União Europeia

Recuperação de Aprendizagens

  • 1944 - Conferência de Bretton Woods, decidiu-se:
    1. Criação de novo sistema monetário internacional assente no dólar;
    2. Criação do FMI;
    3. Criação do BIRD ou Banco Mundial.
  • 1947 - Acordo Geral de Tarifas e Comércio GATT (General Agreement on Tariffs and Trade).
  • 1947 - Criação do Benelux, união aduaneira entre Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo.
  • 1947 - Plano Marshall de apoio aos países europeus dá origem à OECE (Organização Europeia de Cooperação Económica).
  • 1950 - Declaração Schuman para a cooperação entre a França e a Alemanha no carvão e aço.
  • 1951 - CECA, com impulso de Jean Monnet, criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço com França, Alemanha, Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda.
  • 1957 - A CECA transforma-se em CEE pelo Tratado de Roma, com objetivos de política agrícola, comercial comum, união aduaneira e monetária.
  • 1957 - Criação da Euratom (Comunidade Europeia da Energia Atómica).
  • 1960 - Fim dos efeitos do Plano Marshall; a OECE transformou-se em OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico).
  • 1960 - Portugal e mais 6 países europeus criaram a EFTA (Associação Europeia de Comércio Livre).
  • 1960 - Adesão de Portugal ao BIRD e FMI.
  • 1962 - Adesão de Portugal ao GATT.
  • 1968 - União Aduaneira e entrada em funcionamento do Mercado Comum.
  • 1975 - Criação do Parlamento Europeu.
  • 1986 - Ato Único Europeu: estabeleceu entre os Estados-Membros as fases e o calendário das medidas necessárias para a realização do Mercado Interno em 1992. Tratava-se de um instrumento institucional novo que alterou pela primeira vez o Tratado de Roma, consagrando o regresso ao voto maioritário no Conselho Europeu, na medida em que alargava o campo das decisões maioritárias ao domínio do mercado interno.
  • 1992 - Tratado de Maastricht: cooperação não só económica, mas nos campos da política externa, segurança coletiva e assuntos internos (justiça, asilo, imigração, etc.).
  • 1999 - União Económica e Monetária: criação do Euro e do Banco Central Europeu.
  • 2002 - O Euro entrou em circulação nos estados aderentes.

A União Europeia Atual

Comunidade de 27 estados europeus com 23 línguas diferentes, aproximadamente 500 milhões de pessoas e o maior mercado mundial. Desde sempre, os objetivos da CEE eram:

  • União aduaneira e a concertação no campo da energia atómica (EURATOM).
  • Política agrícola comum.
  • Concertação no combate ao desemprego.
  • Apoio às regiões menos favorecidas.
  • Criação da moeda única.

Os efeitos dos choques petrolíferos e da crise económica da década de setenta levaram a um marasmo contrariado a partir de 1985 pelo impulso dado por Jacques Delors, que procurou dinamizar e levar por diante a união económica a um número maior de elementos. Assim se desenvolveu, a partir de 1992/1993, o Mercado Único Europeu, com consequências não só económicas, mas posteriormente políticas e sociais (doc 14 p.32), depois da criação do Livro Branco e do Ato Único Europeu de 1986. Assim, desde o Tratado de Maastricht de 1992, os países da CE passaram a cooperar e a convergir no sentido de políticas comuns não só económicas, mas em todas as áreas: políticas económicas, política externa e segurança, e política interna e justiça.

Como consequência do Tratado, instituiu-se em 1999 a moeda única em todos os países da comunidade com a criação do Banco Central Europeu.

Países aderentes:

  • 1957: França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda, Luxemburgo (6).
  • 1973: Irlanda, Reino Unido, Dinamarca (9).
  • 1981: Grécia (10).
  • 1986: Portugal, Espanha (12).
  • 1995: Suécia, Finlândia, Áustria (15).
  • 2004: Estónia, Letónia, Lituânia, Polónia, Rep. Checa, Eslovénia, Hungria, Eslováquia, Malta, Chipre (25).
  • 2007: Roménia, Bulgária.

A entrada dos países mais periféricos e atrasados a partir de 1981 levantou problemas de convergência à CE, sendo adotadas medidas:

  • Canalização de verbas para apoio a políticas de convergência.
  • Aceitação de candidaturas de novos países desde que satisfaçam os critérios de admissão (regimes de democracia, respeito pelos direitos humanos, economia de mercado viável, aceitação dos textos e condições impostas pela CEE).

Dificuldades

Dificuldades diversas têm sido enfrentadas pela CEE:

  • Oposição de largos setores da população dos estados aderentes aos objetivos predominantemente económicos e políticos da comunidade.
  • Oposição dos partidos políticos à esquerda das opções de política neoliberal dos países mais importantes da comunidade.
  • A política de convergência política e de progressiva integração com a anulação das autonomias nacionais tem provocado hesitações do Reino Unido, da Dinamarca ou Suécia, França ou Holanda.
  • As disparidades culturais e sociais dos países que integram a UE provocam com frequência nas populações nacionais sentimentos de rejeição das medidas mais avançadas e com consequências mais abrangentes em termos políticos, nomeadamente a moeda única ou a eliminação de fronteiras.

Ásia-Pacífico

Fases do desenvolvimento económico da Ásia:

  1. Japão: meados dos anos 50 até anos 70 do século XX.
  2. Hong Kong, Singapura, Coreia do Sul e Formosa (Taiwan).
  3. Malásia, Tailândia, Indonésia e China.

Medidas de Desenvolvimento

O forte desenvolvimento económico do Japão incentivou os países do sudeste asiático à industrialização. Beneficiando da proximidade do Japão e do seu importante mercado, os quatro tigres da Ásia desenvolveram políticas agressivas:

  • Políticas económicas protecionistas;
  • Atração de investimentos estrangeiros;
  • Concessão de incentivos às exportações;
  • Investimento forte no ensino.

Beneficiaram de vantagens competitivas importantes:

  • Mão de obra pouco reivindicativa;
  • Baixo custo de mão de obra;
  • Fracos apoios sociais e más condições de segurança no trabalho.

Problemas mais graves

  • Grave dependência da economia dos países industrializados;
  • Dependência energética acentuada.

A partir dos anos 70, a crise do mundo ocidental obrigou estes países a diversificarem mercados e a explorarem os mercados mais próximos e mais rentáveis:

  • Aprofundaram relações comerciais com a ASEAN (Associação dos Países do Sudeste Asiático, 1967: Tailândia, Malásia, Filipinas, Indonésia), beneficiando das matérias-primas em que estes eram ricos.
  • Exportavam manufaturados e tecnologia para os países ASEAN e importavam matérias-primas baratas como o petróleo.
  • Malásia: maior produtor mundial de borracha, óleo de palma e estanho.
  • Tailândia: agricultura e turismo.
  • Filipinas: exporta milho, cânhamo, arroz, cana-de-açúcar e tabaco. Possui também quantidades razoáveis de minérios de crómio, cobre, ouro, ferro, chumbo, manganês e prata.
  • Indonésia: as principais indústrias são a petrolífera e de gás natural, além da indústria têxtil, de papel e de minerais; os principais produtos agrícolas são arroz, milho, mandioca, batata-doce, tabaco, chá, café, especiarias e borracha.

A partir dos anos oitenta, o desenvolvimento induzido por estes contactos levou ao crescimento da economia dos países ASEAN devido à sua mão de obra ainda mais barata, que os tornava mais concorrenciais. A ASEAN tornou-se um espaço económico de produção de mercadorias e produtos baratos sem concorrência nos mercados europeu e americano. Em 1989, a APEC foi criada agrupando os EUA, Nova Zelândia, Austrália, Canadá e os países asiáticos com economias complementares, resultando num crescimento ainda maior.

Alguns inconvenientes ainda se assinalam nesta região apesar da prosperidade:

  • Baixos salários e pobreza acentuada;
  • Altos níveis de poluição;
  • Desrespeito pelos direitos humanos e uso frequente do trabalho infantil;
  • Governos de caráter autoritário.

Questão de Timor

Invadido pelas tropas indonésias em 7 de dezembro de 1975 perante a ameaça de uma independência timorense guiada pela FRETILIN, de índole marxista, o território de Timor manteve-se sob a tutela indonésia contra a vontade da comunidade internacional e da ONU. Em 1991, o massacre do cemitério de Santa Cruz em Díli atraiu a atenção da opinião pública internacional. Em 1996, o bispo D. Ximenes Belo e Ramos-Horta foram galardoados com o Prémio Nobel da Paz, chamando a atenção para a ocupação ilegal. Pressionada pelos parceiros ASEAN, a Indonésia aceitou um referendo sob supervisão da missão UNAMET. Os timorenses votaram pela independência, mas seguiu-se uma vaga de violência. A pressão dos EUA e da Austrália exigiu a retirada da Indonésia, e a independência foi finalmente proclamada em maio de 2002. A instabilidade continuou com acontecimentos dramáticos em 2006.

Abertura da China à Economia de Mercado

A morte de Mao e os falhanços do Maoísmo obrigaram a uma reflexão política nos anos 70. Deng Xiaoping procedeu à modernização da China com o sistema de socialismo de mercado. Lançou medidas determinantes:

  • Abertura cultural admitindo críticas aos excessos do maoísmo.
  • Desenvolvimento dos setores da agricultura, indústria, comércio, ciência e indústrias militares.
  • Diplomacia orientada para a abertura ao capitalismo ocidental.
  • Reestruturação do setor agrário com a descoletivização de terras e arrendamento a longo prazo.
  • Criação de Zonas Económicas Especiais (ZEE): Zhuhai, Xiamen, Shenzhen, Shantou e Hainan, como portas ao investimento e tecnologia ocidental, com regimes fiscais favoráveis.
  • Aproximação às economias japonesa e americana desde 1978.
  • Adesão ao FMI, Banco Mundial e acordos do GATT em 1986.
  • Integração de Hong Kong (1997) e Macau (1999) na tutela chinesa, com regimes especiais de transição.

Dificuldades:

  • Baixo custo de mão de obra provoca desigualdades e dificulta o mercado interno.
  • Grandes disparidades entre o interior rural e o litoral desenvolvido.
  • Incentivos à indústria de bens de consumo corrente.
  • Abandono das políticas de autarquia.
  • Abertura política e cultural lenta, frequentemente desrespeitadora dos direitos humanos.

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