Popper e Kuhn: A Evolução do Conhecimento Científico
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1. Explique o papel que a crítica assume na conceção de Popper acerca da evolução do conhecimento científico.
Popper assume a crítica como o processo que permite à ciência aproximar-se da verdade, fazendo com que esta progrida. Para este, a ciência é uma atividade crítica. Criticamos as nossas hipóteses com o propósito de detetar erros e na esperança de, ao eliminarmos os erros, nos aproximarmos da verdade.
A ciência avança por meio de tentativa e erro, isto é:
- Parte de um problema;
- Propõe hipóteses;
- Elimina os erros;
- Descoberta de novos problemas e assim sucessivamente.
Assim, consideramos uma dada hipótese; ao criticá-la, encontraremos erros, o que nos vai permitir reformulá-la ou abandoná-la por outra teoria. Com isto, o cientista consegue aproximar-se da verdade, permitindo que a ciência não estagne.
2. Tendo em conta as afirmações de Popper, explicite a razão pela qual devemos escolher o conceito de verosimilhança em vez do de verdade.
Segundo Popper, devemos escolher o conceito de verosimilhança pois, ao escolhermos o conceito de verdade, arriscamo-nos a ter uma atitude dogmática, não permitindo que a ciência progrida e fazendo com que esta estagne. Para ele, a ciência nunca se pode afirmar como detentora da verdade; esta é conjetural, ela não atinge a verdade, apenas se aproxima dela.
Por isso, para Popper, devemos seguir o conceito de verosimilhança, pois a ciência nunca atinge a verdade absoluta, apenas se aproxima dela. Mesmo as teorias que não foram falsificadas guardam sempre a possibilidade de virem a ser refutadas no futuro.
3. Distinga, segundo Kuhn, a ciência normal da ciência extraordinária.
As anomalias são problemas ou enigmas que os cientistas não conseguem resolver a partir dos pressupostos teóricos fundamentais de um paradigma. Nos períodos normais da atividade científica — designada ciência normal —, os enigmas resolvem-se como puzzles. Cada peça, mais tarde ou mais cedo, encaixaria.
O problema surge quando isso não acontece e estamos perante uma anomalia. Para Kuhn, perante factos ou problemas, o cientista não tem como preocupação primeira tentar falsificar as suas teorias (como Popper defende), mas sim procurar uma forma de resolver os problemas que surgem, mantendo as suas teorias.
Quando as anomalias se vão acumulando, não sendo possível responder aos problemas decorrentes das mesmas, a ciência entra em crise. A atividade científica vive um período instável, de escolha e debate sobre a manutenção do paradigma vigente e sobre a eventual adoção de melhores teorias, novos conceitos e princípios. Procura-se, assim, definir os alicerces de um novo paradigma que permita explicar aquilo que não é mais explicável à luz do paradigma anterior — o período da ciência extraordinária.
4. Descreva as condições em que se dão as crises na ciência.
A crise na ciência começa quando o excesso de anomalias obriga o cientista a abandonar o paradigma vigente. Segundo Kuhn, os cientistas fazem todos os possíveis para manter as suas teorias, não as abandonando imediatamente; só quando o confronto com as anomalias provoca um "mal-estar" é que estes procuram outro paradigma ou reformulam o mesmo, passando da ciência normal para a ciência extraordinária.
A partir daí, há duas maneiras possíveis para se sair da crise na ciência:
- Reformulam o paradigma vigente, continuando a ciência normal;
- Opera-se uma revolução científica, que impõe a mudança e a adoção de um novo paradigma (ciência extraordinária).
5. Compare as posições de Popper e Kuhn relativamente ao processo de escolha e avaliação das teorias científicas.
Popper e Kuhn têm duas conceções diferentes do processo de escolha e avaliação das teorias científicas:
- Karl Popper: Defende que a ciência se desenvolve em direção à verdade das teorias, correspondendo cada vez mais à realidade. Segundo ele, devemos obedecer ao critério da falsificabilidade, ou seja, devemos criticar todas as teorias para que estas possam ser refutadas, aproximando-se assim cada vez mais da verdade. Para Popper, uma teoria é científica se, e só se, resistir à sua refutação. É essencial ter uma atitude crítica para encontrar a verdade (ou a sua aproximação).
- Thomas Kuhn: O processo de escolha e avaliação das teorias científicas tem em conta os paradigmas vigentes, sendo estes incompatíveis e incomparáveis (incomensuráveis). Para ele, a escolha entre teorias rivais obedece a:
- Critérios objetivos: Partilhados por toda a comunidade científica (regras e valores comuns).
- Critérios subjetivos: Dependentes de fatores individuais, relativos ao que cada cientista sente e pensa no momento da avaliação.