Portugal: Do Autoritarismo à Democracia (1945-1974)

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Portugal: Do Autoritarismo à Democracia

Após a 2.ª Guerra Mundial, Portugal tentou, com Salazar, renovar a imagem do regime através de várias medidas, como a renovação da polícia política, que passou a chamar-se PIDE, a dissolução da Assembleia Nacional e a convocação de novas eleições.

Contudo, a estrutura da nova política e a atuação do governo não se alteraram significativamente. As campanhas eleitorais eram feitas sob vigilância da PIDE e os resultados eram manipulados. Esta abertura política de Salazar contribuiu para que se tornassem conhecidos os opositores ao regime, o que intensificou as perseguições, prisões, despedimentos da função pública e o exílio.

A Economia e o Mundo Rural

Em 1945, Portugal era um país maioritariamente rural, com uma agricultura atrasada, pouco desenvolvida e de baixa produtividade, o que obrigava a grandes importações de produtos agrícolas. O país apresentava uma forte assimetria regional:

  • Norte: predomínio de minifúndios (pequenas parcelas).
  • Sul: predomínio de latifúndios (imensas propriedades).

A resistência dos proprietários à modernização e o êxodo rural — a saída das populações do campo para as cidades em busca de emprego nas fábricas — constituíram impedimentos ao desenvolvimento agrícola.

Emigração e Clandestinidade

Ao longo dos anos 60, ocorreu uma grande emigração para países desenvolvidos da Europa, como França e Alemanha. As causas principais foram a pobreza, a fuga à incorporação militar (e, mais tarde, à Guerra Colonial) e a busca por liberdade política. Perante as dificuldades impostas pelo regime, muitos emigraram em clandestinidade.

O Desenvolvimento Industrial e os Planos de Fomento

O ideal da autarcia levou o regime a investir na indústria para reduzir a dependência externa:

  • 1.º Plano de Fomento (1953-1958): Focado em infraestruturas e indústrias-base (eletricidade, comunicações, transportes).
  • 2.º Plano de Fomento (1958-1963): Coincidiu com a entrada de Portugal na EFTA e acordos com o BIRD, FMI e GATT.
  • Plano Intercalar de Fomento (1965-1967): Focado na abertura ao exterior e reforço da economia privada.
  • 3.º Plano de Fomento (1968-1973): Focado na internacionalização, indústria privada e setor terciário.

Paralelamente, a expansão urbana gerou problemas como a formação de bairros de lata e a falta de saneamento básico.

A Questão Colonial e a Guerra

Para evitar a pressão internacional contra o colonialismo, Salazar renomeou as colónias como províncias ultramarinas. O regime incentivou a fixação de portugueses brancos e aplicou planos de fomento para explorar matérias-primas (petróleo, carvão) e modernizar a agricultura tropical.

Em 1961, eclodiu a Guerra Colonial. Apesar das tentativas de controlo e do desenvolvimento de infraestruturas, a pressão internacional e o domínio dos movimentos de libertação levaram, em 1973/74, o general Spínola a admitir que a guerra estava perdida e que era necessária uma solução política.

A Oposição ao Regime

A oposição organizada ao regime, iniciada pelo MUD (Movimento de Unidade Democrática), destacou-se em vários momentos:

  • 1949: Candidatura do General Norton de Matos à Presidência.
  • 1958: Candidatura de Humberto Delgado, que colocou o regime em risco.
  • 1961: Assalto ao navio Santa Maria por Henrique Galvão.
  • 1967: Assalto à dependência do Banco de Portugal por Palma Inácio.
  • 1969: Críticas abertas do Bispo do Porto ao regime.

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