Posicionamento e Transferência de Pacientes: Técnicas e Recursos

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Posicionamento do Paciente

A boa postura e a mecânica corporal, associadas ao uso de dispositivos ergonomicamente desenhados, são muito úteis quando pacientes inativos necessitam ser posicionados e movimentados. A posição de um paciente inativo é modificada para aliviar a pressão sobre as protuberâncias ósseas do corpo e para promover a mobilidade funcional (alinhamento que mantém a capacidade de movimento e deambulação).

Os princípios gerais para o posicionamento são os que seguem:

  • Mudar a posição do paciente inativo pelo menos a cada 2 horas.
  • Solicitar ajuda, se necessário.
  • Elevar a cama a uma altura apropriada.
  • Remover travesseiros e dispositivos de posicionamento.
  • Soltar as sondas de drenagem da roupa de cama.
  • Virar o paciente em um bloco único, para evitar a torção da coluna vertebral.
  • Colocar o paciente em um bom alinhamento, com as articulações levemente flexionadas.
  • Recolocar os travesseiros e os dispositivos de posicionamento.
  • Apoiar os membros numa posição funcional.
  • Usar a elevação para aliviar edema ou promover o conforto.
  • Oferecer cuidados à pele após o reposicionamento.

Posições Comuns

Os enfermeiros normalmente usam seis posições corporais ao assistir pacientes acamados: supina, lateral, lateral oblíqua, posição de pronação, de Sims e de Fowler.

Posição Supina

Na posição Supina, a pessoa deita-se sobre as costas. Há duas preocupações básicas associadas ao uso dessa posição: pressão prolongada sobre as costas, especialmente na área da porção final da coluna vertebral, levando a rupturas na pele; e pressão exercida sobre os dedos dos pés pela própria roupa de cama que, combinada com a gravidade, os força a assumir uma posição para baixo, conhecida como pé equino, uma posição disfuncional permanente causada pelo encurtamento dos músculos da panturrilha e pelo alongamento da musculatura oposta na porção anterior da perna. O pé equino interfere na deambulação porque implica na capacidade da pessoa de colocar o calcanhar no solo. Contudo, a posição supina é recomendada como uma forma de diminuir a incidência da síndrome da morte súbita infantil entre recém-nascidos.

Posição Sims

Na posição Sims (posição semiprona), o paciente deita-se sobre o lado esquerdo do corpo, com o joelho direito dobrado na direção do peito. O braço esquerdo é posicionado ao longo das costas do paciente, e o peito e abdome ficam inclinados para frente. A posição de Sims também é utilizada em procedimentos e exames que envolvam o acesso ao reto e à vagina.

Posição de Fowler

A posição de Fowler (posição semi-sentada) permite que o paciente coma, fale e possa olhar a sua volta com mais facilidade. Há três variações comuns da posição de Fowler:

  • Na posição de Fowler rebaixada, a cabeça e o dorso elevam-se a 30 graus.
  • Na posição de Fowler intermediária ou de semi-Fowler, há uma elevação de 45 graus.
  • Quando a elevação é de 60-90 graus, tem-se a posição elevada de Fowler.

Os joelhos podem não ser elevados, mas, fazendo isso, alivia-se o peso sobre a porção inferior da coluna vertebral. A posição de Fowler é especialmente útil para pacientes com dispneia, porque faz com que os órgãos abdominais se afastem do diafragma. O alívio da pressão sobre o diafragma permite a troca de maiores volumes de ar. Permanecer sentado por um período prolongado, todavia, reduz o fluxo sanguíneo nos tecidos da região coccígea e aumenta os riscos de ocorrência de úlceras de pressão nesse local.

Recursos de Posicionamento

Existem muitos recursos que ajudam a manter o bom alinhamento do corpo na cama e que previnem o desconforto ou a pressão. Qualquer posição, não importando o quão confortável ou anatomicamente correta seja, deve ser mudada com frequência.

Rolos Trocantéricos

Os rolos trocantéricos evitam que as pernas flexionem-se para fora. Os trocânteres são as protusões ósseas da cabeça do fêmur, próximo ao quadril. A colocação de um recurso desse tipo junto a eles ajuda a evitar que a perna gire para fora.

Rolos para as Mãos

Os rolos para as mãos são recursos que preservam a capacidade funcional do paciente de agarrar e pegar objetos. Eles previnem as contraturas (permanente encurtamento dos músculos, que resistem à extensão) dos dedos das mãos. Esses rolos mantêm o polegar posicionado um pouco afastado do resto da mão, a um ângulo moderado dos demais dedos. Os dedos são mantidos em posição levemente neutra, em vez de cerrados com firmeza. Uma pequena toalha de rosto enrolada ou uma bola podem ser usadas como alternativa aos suportes manuais comercializados. Esses rolos são removidos regularmente para facilitar os movimentos e o exercício.

Trapézio

O trapézio é uma peça triangular metálica, presa por meio de uma corrente colocada acima da cabeceira da cama. O paciente agarra-se ao trapézio para elevar o corpo e movimentar-se na cama. A não ser que a elevação ou a movimentação dos braços seja indesejável, o trapézio constitui um dispositivo excelente para auxiliar o paciente acamado a melhorar seu nível de atividade.

Transferindo Pacientes

A transferência (movimento do paciente de um local para outro) refere-se à movimentação do paciente, da cama para uma cadeira ou maca e novamente para a cama. Ela auxilia quando se trata de uma transferência ativa. Quando se tem uma transferência totalmente feita por outros ou com auxílio de recursos mecânicos, ela se chama transferência passiva.

Dispositivos de Transferência

Vários recursos estão disponíveis para auxiliar na transferência dos pacientes. O uso de barras, cintas ou pranchas de transferência ou, ainda, de gruas mecânicas, ajudam a diminuir os riscos de danos ao paciente e ao enfermeiro. Os dispositivos de transferência são especialmente úteis no cuidado de pacientes que sentem medo de cair ou que não possuem confiança nas habilidades da equipe para transferi-los de forma segura e confortável.

Barra de Transferência

Alguns pacientes com incapacidades acham que as barras de transferência os ajudam a permanecer ativos e independentes. A barra de transferência é adaptada entre o colchão e a estrutura da cama e serve como uma trave em que ele pode se agarrar e como um corrimão, que suporta seu peso, enquanto sai e retorna ao leito. A barra de transferência não é considerada um recurso restritivo como as grades laterais, pois o paciente fica livre para se movimentar. Ela favorece a atividade e a mobilidade para várias pessoas que se encontram fisicamente desafiadas.

Barra Tipo Trapézio no Leito

Tem como objetivo auxiliar o paciente a sentar-se, mover-se para baixo ou para cima e elevar o quadril no leito de forma independente. É constituída de uma estrutura fixa ou móvel, com uma cinta para regulagem de altura e um triângulo para apoio das mãos.

Barras de Apoio na Parede e Suporte de Segurança para Vaso Sanitário

Apresentam formas e desenhos em função das necessidades dos usuários e do ambiente. São construídas de aço inoxidável, em diversos tamanhos, com diâmetro aproximado de 32mm, superfície de agarre com frisos antideslizantes, e favorecem a segurança e a adaptação das mãos.

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