Positivismo, Kant, Hegel, Marx, Sartre e Nietzsche

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Positivismo de Auguste Comte

O positivismo foi a primeira corrente da Sociologia. Foi a teoria pioneira que organizou princípios sobre o homem e a sociedade buscando explicá-los cientificamente. O principal representante e criador desse movimento foi o filósofo Auguste Comte.

O positivismo é visto como uma corrente conservadora, pois procurava justificar a nova sociedade que estava surgindo tendo como inspiração a sociedade feudal, com sua estabilidade e acentuada hierarquia social. Os positivistas não viam nenhum progresso em uma sociedade urbanizada e industrializada; lamentavam o enfraquecimento da religião e da família. Consideravam a sociedade moderna dominada pelo caos, pela anarquia e pela desorganização social. Por isso, eram preocupados com a ordem, além de enfatizarem a importância da hierarquia, da autoridade, da tradição e dos valores morais para a conservação da vida social.

No Brasil, é possível notar diversas influências do positivismo, como, por exemplo, a frase que está impressa na bandeira brasileira: “Ordem e Progresso”. Essa frase era uma alusão à ideia de que, sem ordem, o país não se desenvolveria.

Immanuel Kant — Filosofia moral

Immanuel Kant desenvolveu a filosofia moral em três obras importantes:

  • Fundamentação da Metafísica dos Costumes (1785)
  • Crítica da Razão Prática (1788)
  • Crítica do Julgamento (1790)

Na filosofia moral ou ética, Kant é provavelmente mais conhecido pela teoria sobre uma obrigação moral única e geral, que explica todas as outras obrigações morais: o imperativo categórico. A formulação geral é: “Age de tal modo que a máxima da tua ação se possa tornar princípio de uma legislação universal”. O imperativo categórico, em termos gerais, é uma obrigação incondicional — ou seja, uma obrigação que temos independentemente da nossa vontade ou dos nossos desejos (em contraste com o imperativo hipotético). As nossas obrigações morais podem resultar do imperativo categórico.

Kant apresentou três formulações do imperativo categórico, que ele acreditava serem essencialmente equivalentes (apesar de opiniões contrárias de vários comentadores):

  • Fórmula da lei universal: “Age somente segundo aquela máxima através da qual tu possas ao mesmo tempo querer que ela venha a se tornar uma lei universal.”
  • Fórmula da humanidade: “Age de modo que uses a humanidade, tanto na tua pessoa como na pessoa de qualquer outro, sempre ao mesmo tempo como fim e nunca meramente como meio.”
  • Fórmula da autonomia: síntese das anteriores — devemos agir de modo que possamos pensar em nós mesmos como legisladores universais através das nossas máximas.

Dialética de Hegel

Georg Wilhelm Friedrich Hegel sustentava que a realidade pode ser compreendida pela dialética, um sistema de lógica que envolve a tríade tese, antítese e síntese, na qual as contradições levam a um acordo que se realiza na síntese — na ideia absoluta ou espírito. Se uma pessoa pensa sobre uma categoria, como a natureza, ela é forçada a pensar sobre o seu oposto, como a história. Ao estudar o desenvolvimento da tensão entre natureza e história em um dado período, ela é levada à próxima era.

As condições naturais dão forma ao que acontece na história, e as atividades humanas que moldam a história, por sua vez, podem transformar ou alterar as condições naturais. A síntese das ideias sobre natureza e história em uma era dada cria o começo de uma nova era.

Materialismo histórico (Marx e Engels)

Materialismo histórico é uma abordagem metodológica ao estudo da sociedade, da economia e da história, elaborada por Karl Marx e Friedrich Engels (embora Marx não tenha usado sempre essa expressão). Como sistema explicativo, o materialismo histórico foi expandido e refinado por muitos estudos acadêmicos desde a morte de Marx.

De acordo com a tese do materialismo histórico, a evolução histórica, desde as sociedades mais remotas até a atual, se dá pelos confrontos entre diferentes classes sociais decorrentes da "exploração do homem pelo homem". A teoria serve também para explicar as relações entre sujeitos. Assim, como exemplos apontados por Marx, temos:

  • No feudalismo: servos oprimidos pelos senhores.
  • No capitalismo: a classe operária oprimida pela burguesia.

Existencialismo — Jean-Paul Sartre

O existencialismo procurou compreender a relação do homem com o mundo, a partir do pressuposto de que os seres humanos são inteiramente livres e, portanto, inteiramente responsáveis pelo que fazem. O mundo tem o sentido que os homens lhe dão; não há sentido preexistente. O filósofo mais conhecido desse movimento foi Jean-Paul Sartre (1905–1980), cuja obra reafirma o princípio da liberdade humana na criação do próprio destino.

Nietzsche

Friedrich Nietzsche realizou uma crítica sistemática de todos os valores da cultura ocidental, mostrando que muitos deles haviam perdido sua razão de ser. Levando a sério as teorias evolucionistas de Charles Darwin (1809–1882), afirmou que o universo não foi criado por Deus e que, por consequência, os homens vivem em um universo sem sentido objetivo. Sua filosofia procura encontrar uma resposta não religiosa para o sentido da vida humana.

Em lugar de uma moralidade de escravos, identificada com a moral cristã, Nietzsche defendeu a exaltação da pessoa e a ideia do super-homem — um ser ideal, livre das noções convencionais de bem e mal.

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