Principais Doenças Geriátricas: AVC, DAC, DM, DPOC e Mais

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Acidente Vascular Cerebral (AVC): Sinais e Mecanismos

Acidente Vascular Cerebral (AVC): Sinal clínico de desenvolvimento rápido de um distúrbio focal ou global das funções cerebrais, de possível origem vascular e que tem duração superior a 24 horas. Lesões cerebrais agudas, causadas pela oxigenação insuficiente do cérebro. Ocorre por um coágulo que obstrui a passagem do sangue por uma artéria ou pelo rompimento dessa artéria. Isso leva à morte parcial do tecido cerebral, o que pode resultar em paralisia (parcial ou total) do corpo ou até morte súbita. Afeta, na sua maioria, idosos, porém 20% dos AVCs atingem indivíduos abaixo de 65 anos.

Mecanismos do AVC

AVC Isquêmico

Ocorre pela oclusão de um vaso ou por pressão de perfusão cerebral. Pode ser:

  • Trombose cerebral: Oclusão no próprio local da lesão.
  • Embolia: Coágulo forma-se em outra região do corpo, circula e desloca-se até as artérias cerebrais, ocasionando a obstrução e, consequentemente, o AVC isquêmico.

AVC Hemorrágico

Resulta do extravasamento do sangue para fora dos vasos em razão do rompimento da parede da artéria ou pelo rompimento de um aneurisma. É fortemente associado à elevação da Pressão Arterial (PA).

Manifestações Clínicas

  • Hemiplegia: Paralisia total do hemicorpo colateral à lesão.
  • Hemiparesia: Paralisia parcial do hemicorpo.
  • Alterações motoras, cognitivas, sensoriais e do controle postural.

Tratamento

Pode ser farmacológico ou não farmacológico, incluindo a prática de exercícios físicos direcionados a esses pacientes, em suas diversas modalidades (dança, exercícios que trabalhem os componentes da capacidade funcional, treinamento de equilíbrio, Square Stepping Exercise).

Doença Arterial Coronariana (DAC)

Associa-se diretamente ao processo aterosclerótico nas artérias coronárias (D e E), que gera possíveis comprometimentos dependendo da região acometida. O processo aterosclerótico diminui o fluxo sanguíneo no miocárdio, causado pelo estreitamento das artérias coronárias que irrigam a parede do coração, resultando em lesão isquêmica (falta de O2). Se a isquemia se torna prolongada e irreversível, pode levar ao Infarto do Miocárdio (IM).

O processo tem início na infância e adolescência, com possível agravamento na presença de outros fatores de risco:

  • Aterosclerose
  • Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)
  • Hipercolesterolemia
  • Tabagismo
  • Intolerância à glicose

Infarto do Miocárdio (IM)

É a principal causa isolada de morte no Brasil e no mundo ocidental. Ocorre por falta de suprimento de sangue a determinada parte do músculo cardíaco, fazendo com que as células dessa região deixem de receber O2 e nutrientes, levando à morte celular.

A causa mais comum da morte celular é a isquemia (falta de O2) no músculo cardíaco (miocárdio) devido a uma trombose e/ou vasoespasmo sobre uma placa aterosclerótica. O sintoma clássico é dor e pressão aguda no lado esquerdo do peito, podendo afetar também o pescoço e o braço. Em 15% dos casos, o sintoma pode ser apenas uma dor no lado direito do peito, seguida de vômitos, enjoos, sudorese, falta de ar, palpitações e tonturas. A dor se manifesta por mais de 10 minutos, pode ter diferentes intensidades, sumir e voltar espontaneamente. Nem todos os pacientes apresentam sintomas, dificultando o diagnóstico precoce.

Classificação do Infarto

  • Infarto Transmural: Mais comum e usualmente associado à aterosclerose coronária, ruptura de placa e trombose superposta. É a necrose isquêmica que envolve a espessura da parede ventricular no trajeto de uma única artéria coronária.
  • Infarto Subendocárdico: Necrose isquêmica limitada ao terço interno ou, no máximo, à metade da parede ventricular.

Fatores de Risco para IM

Aterosclerose, Hipercolesterolemia, HAS, Tabagismo, Obesidade, Sedentarismo, Diabetes Mellitus (DM), uso de Drogas, Apneia do sono e Arritmias podem aumentar em 30% a chance de desenvolver IM.

Diabetes Mellitus (DM)

Classificação Tipo 1

Corresponde a 5% a 10% dos diabéticos. Caracteriza-se pela destruição das células beta pancreáticas, o que leva à deficiência absoluta de insulina. Os portadores necessitam de injeções diárias de insulina para manterem a glicemia normal. É mais comum em crianças, adolescentes e adultos jovens.

Classificação Tipo 2

É a forma predominante de DM em adultos e idosos (90% a 95% dos casos). Sua origem se dá por uma série de fatores como a sensibilidade periférica à insulina, perda da primeira fase de resposta insulínica ou pico precoce e glicogênese hepática noturna. Associado principalmente à obesidade e à tendência familiar.

Classificação Tipo Gestacional

Adquirida durante a gestação. Normalmente se normaliza após o parto. Mulheres que apresentam ou apresentaram diabetes gestacional têm maior risco de desenvolverem DM II na velhice.

Diagnóstico e Sintomas

  • Diagnóstico: Glicemia de jejum (8 horas) = 126 mg/dL (SBD, 2012).
  • Sintomas: Ausência de sintomas e diagnóstico apenas pela análise sanguínea de rotina. Cansaço, emagrecimento, sede demasiada, sensação de “boca seca”, fome excessiva e excesso de diurese.

Fatores de Risco para DM

Histórico familiar, Obesidade, Cardiopatias, Idade acima de 45 anos, Hipercolesterolemia, Hipertrigliceridemia, História de macrossomia ou diabetes gestacional e Estilos de vida prejudiciais à saúde.

Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)

A DPOC se destaca como causa de doenças e óbitos em idosos. É uma obstrução crônica de fluxo aéreo, que pode ser parcialmente reversível.

Fatores Agressores

  • Tabagismo
  • Exposição a certos gases em ambiente de trabalho, poluição.
  • Uso frequente de gás de cozinha sem ventilação adequada.
  • Fumo passivo, quando exposto em quantidades elevadas.

Obstrução se dá por:

  • Bronquite crônica: Acúmulo de muco nas vias aéreas, principalmente nos pulmões.
  • Enfisema: Doença pulmonar que destrói os alvéolos pulmonares, gerando dificuldade para respirar.

Sintomas da DPOC

Tosse com muco (às vezes com sangue), Fadiga, Dores de cabeça, Infecções respiratórias frequentes, Falta de ar, Inchaço nos tornozelos, pés ou pernas, Chiado no peito. Mas pode ser silenciosa com pouco ou nenhum sintoma.

Pode ser diagnosticada e classificada de acordo com sua gravidade, pela presença dos sintomas crônicos (principalmente tosse e expectoração) e pela função pulmonar, que pode ser avaliada por espirometria: Leve, Moderada, Grave, Mais grave.

Doenças Gastrointestinais

Xerostomia (Sensação de Boca Seca)

Disfunção das glândulas salivares que pode ser decorrente de diversas causas:

  • Uso de certos medicamentos (Analgésicos, Anticonvulsivantes, Anti-histamínicos, Anti-hipertensivos, Diuréticos, Antidepressivos).
  • Pouca ingestão de líquidos.
  • Fumo, Respiração bucal crônica.
  • Doenças sistêmicas e metabólicas.
  • Lesão dos nervos das glândulas salivares.
  • Deficiência da higiene bucal.

Queixas Mais Comuns da Xerostomia

  • Sensação de secura e ardor na boca e na garganta.
  • Dificuldade de mastigar e deglutir.
  • Lesões ao se utilizar próteses.
  • Necessidade de se ingerir líquidos frequentemente.
  • A comida que se adere à mucosa e dentes.
  • Restaurações caem com facilidade.
  • Aumento do índice de cáries.

Complicações da Xerostomia

Dificuldade para alimentar-se e falar, Mau hálito, Aumento do número de cáries dentárias, Mucosa da boca se torna mais propensa a desenvolver infecções bucais, Necessidade de se ingerir líquidos frequentemente.

Hérnia de Hiato

Passagem do estômago para a região abdominal, através do hiato diafragmático. Afeta principalmente pessoas mais velhas, obesas e mulheres. Muitas vezes apresenta-se assintomática, e as primeiras manifestações são decorrentes do refluxo gastroesofágico. Afeta 1 a 20% dos adultos, com incidência crescente com a idade.

Constipação Intestinal

Alteração bastante frequente na população idosa, definida quando o indivíduo realiza menos de 3 evacuações por semana. Atinge 26% dos homens (♂) e 34% das mulheres (♀) acima de 65 anos, e 30% dos idosos.

Critérios para Diagnóstico de Constipação

Presença de:

  • Esforço evacuatório em pelo menos ¼ das defecações.
  • Fezes endurecidas ou ressecadas em pelo menos ¼ das evacuações.
  • Sensação de esvaziamento incompleto da ampola retal em pelo menos ¼ das defecações.
  • Manobras de facilitação manual da evacuação em mais de ¼ das defecações.
  • Duas ou menos evacuações por semana.

Caso o indivíduo apresente 3 ou mais dos sintomas, pode-se considerar que ele tem constipação intestinal, independentemente do uso regular de medicamentos com efeito laxante.

Causas/Fatores de Risco da Constipação

  • Estruturais ou mecânicas: Alterações anatômicas do cólon e reto.
  • Distúrbios endócrino-metabólicos: DM, hipertireoidismo.
  • Uso de drogas: Medicamentos hipertensivos, anticolinesterásicos (Alzheimer), uso excessivo de laxantes, entre outros.
  • Trânsito intestinal lento.
  • Desordem de esvaziamento retal.

Tratamento da Constipação

Torna-se importante para o idoso porque, se não controlada, pode gerar complicações que incluem pressão intratorácica e da pressão intra-abdominal, impactação fecal, perfuração intestinal e outras questões como medo, dependência de laxantes e insatisfação.

Doenças Osteoarticulares

Doenças que afetam o sistema esquelético, cuja principal complicação é a possibilidade de desenvolver limitações físicas e na locomoção do indivíduo. Metade da população apresenta algum tipo de doença.

Osteoporose

Distúrbio multifatorial e progressivo do esqueleto. Afeta 30% das mulheres na menopausa e 70% das mulheres com mais de 80 anos (1 em cada 3 desenvolve algum tipo de fratura).

Características

  • Redução da densidade mineral óssea.
  • Deterioração da microestrutura óssea.

Consequências

  • Enfraquecimento dos ossos.
  • Vulnerabilidade às fraturas.

É uma doença silenciosa, e os primeiros sintomas associam-se à ocorrência de fraturas, quando a doença já está instalada. As primeiras fraturas ocorrem espontaneamente nas vértebras, sem qualquer trauma, e acarretam dores na coluna, membros superiores (MMSS) e membros inferiores (MMII).

Classificação da Osteoporose

  • Primária Tipo 1: Predominante em mulheres e muitas vezes associada à menopausa. Caracterizada por perda acelerada do osso trabecular e ocorrência de fraturas vertebrais.
  • Primária Tipo 2: Predominante em idosos e caracterizada pelo comprometimento do osso cortical e trabecular.
  • Secundária: Associada a drogas (glicocorticoides, anticonvulsivantes, entre outras), doenças genéticas osteoarticulares, tumores, artrite reumatoide, imobilização prolongada, anemias crônicas, transplantes de órgãos e doenças gastrointestinais.

Prevenção da Osteoporose

Diagnóstico precoce da perda óssea para que o indivíduo inicie o tratamento, que deve incluir:

  • Dieta adequada.
  • Ingestão de cálcio.
  • Prática de exercício físico (caminhadas, treinamento com pesos e aeróbios com sustentação do corpo).
  • Reposição hormonal (mulheres na menopausa).

Osteoartrite (OA)

Distúrbio musculoesquelético progressivo e silencioso. Afeta articulações (principalmente mãos, coluna, quadril e joelhos). Afeta 6% a 12% da população adulta e 1/3 dos indivíduos com mais de 65 anos.

Características da OA

  • Perda progressiva da cartilagem articular.
  • Afeta também ligamentos, ossos e disco intra-articular.

Causas da OA

Processos inflamatórios que não fazem parte do curso natural do envelhecimento.

Classificação da OA

  • Primária: Tipo mais comum, sem origem ou causa identificáveis, com acometimento poliarticular, principalmente nas articulações interfalangeanas distais.
  • Secundária: Comprometimento de uma ou mais articulações de grau variado decorrentes de algumas doenças metabólicas, fatores anatômicos, trauma mecânico (fraturas e sobrecargas).

Fatores de Risco para OA

Idade, Sexo feminino, Deformações anatômicas, Lesão articular, Algumas atividades profissionais, Obesidade (fator mais significativo e previsível para OA, principalmente no joelho) e sobrecarga de peso sobre a cartilagem articular e ossos.

Câncer

Conjunto de mais de 100 doenças caracterizadas pelo crescimento desordenado (maligno) celular que invade os tecidos e órgãos, podendo espalhar-se (metástase) para outras regiões do corpo. Dois terços dos diagnósticos ocorrem em indivíduos com mais de 65 anos (reto, estômago, pâncreas, cólon e bexiga). Metade dos casos de CA de pulmão e linfoma (sistema linfático) são em indivíduos com mais de 65 anos. A taxa de mortalidade ultrapassa 80%.

Causas do Câncer

  • Fatores ambientais: Exposição prolongada a agentes carcinogênicos (substâncias químicas do ambiente, da alimentação, agentes físicos como certos tipos de radiação). Esses agentes são capazes de mudar e alterar, definitivamente, a constituição genética da célula (DNA).
  • Tabaco: Principal fator ambiental carcinogênico, causa primária de CA de pulmão, laringe, cavidade oral e esôfago.
  • Álcool: Causa tumores de esôfago, cavidade oral, faringe, laringe, mama, fígado, reto e pâncreas.

Classificação (dependente do tipo de célula afetada)

  • Carcinoma: Afeta tecidos epiteliais (pele e mucosas).
  • Sarcoma: Afeta tecidos conjuntivos (ossos, músculo ou cartilagem).

Prevenção do Câncer

Parar de fumar, Moderação na ingestão de álcool, Dieta e atividade física (exercício físico), Proteção à exposição solar.

Transtornos Mentais

Síndromes frequentes na psiquiatria geriátrica. 17% a 30% dos idosos apresentam algum quadro associado a este transtorno.

Fatores Predisponentes

  • Gênero feminino.
  • Baixa renda.
  • Baixa escolaridade.
  • Doenças físicas.
  • Incapacidades funcionais.

Transtorno Bipolar e Distimia

Transtorno Bipolar

Características: Episódios alternados de humor com euforia exacerbada (mania), podendo apresentar características psicóticas tais como ilusões, alucinações e depressão. A alternância, intensidade e duração dos episódios podem variar, mas é sempre recorrente.

Tratamento: Acompanhamento psicoterápico e intervenção farmacológica, além da observação do comportamento a fim de minimizar os riscos de suicídio.

Distimia

Características: Período longo de humor cronicamente deprimido e ocorrência de eventuais episódios de mania. Durações e intensidades menos severas que nos transtornos bipolares. Tendem a evoluir para depressão, mas podem converter-se em transtorno bipolar também.

Tratamento: Farmacológico (drogas antidepressivas).

Transtornos de Ansiedade Patológica

Quadro de ansiedade crônica e descontrolada.

Características da Ansiedade

Estado emocional transitório que envolve conflitos psicológicos e sentimentos desagradáveis de tensão, angústia e sofrimento. Esses sentimentos manifestam-se fisicamente por meio de taquicardia, distúrbios do sono, sudorese, vertigens, problemas gastrointestinais e náuseas.

Transtornos de Ansiedade e Pânico

Podem causar Fobias: Medos e expectativas excessivas com relação a situações cotidianas.

Fobia Social no Idoso

Pode ser o impedimento ou comprometimento de ações devido a perdas funcionais (ex.: comer utilizando próteses dentárias em público, manusear objetos que requerem motricidade fina, etc.). A imposição de isolamento desencadeia o distúrbio com mais facilidade.

Doença de Alzheimer

A Doença de Alzheimer é uma enfermidade incurável. A doença se apresenta como demência, ou perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais.

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