As Principais Escolas do Pensamento Econômico

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Introdução

  • Início da Teoria Econômica: estreia da Escola Clássica, com a obra de Adam Smith (1776).
  • Antes disso: a atividade econômica era vista como parte integrante da Filosofia Social, da Política, da Moral e da Ética, constituindo um conjunto de preceitos ou de soluções adaptadas a problemas particulares.

Antiguidade

  • Grécia Antiga: primeiras referências na obra de Aristóteles, ao tratar, sob o prisma filosófico, dos conceitos de troca. Também Xenofonte – a quem se credita o termo (oikosnomos) – e Platão trataram do assunto, relacionando-o a princípios de gestão de bens privados e às atividades de auxílio à manutenção da cidade-estado.
  • Roma: não deixou nenhum escrito de destaque na área econômica.

Idade Média

  • A Economia estava associada ao bem comum. São Tomás de Aquino (Escolástica, séculos X a XV) condenou a usura (juros altos), defendeu a dignidade do trabalho (manual e intelectual) e o que chamou de “preço justo”, mas sob o enfoque puramente moral.
  • A Economia como ciência social surge com o progresso das técnicas físicas e biológicas ocorrido nos séculos XVIII e XIX e com a Revolução Industrial.

Mercantilismo

  • Conjunto de princípios de política econômica do capitalismo comercial e industrial (embrionário) que orientou as monarquias absolutistas.
  • Foi a primeira escola econômica, embora não representasse um conjunto técnico homogêneo.
  • Expôs que as nações deveriam defender a unidade nacional, promover a acumulação de riquezas através do comércio exterior, incluindo o estabelecimento de colônias, o protecionismo alfandegário e o entesouramento de riquezas – metais e pedras preciosas (Metalismo).
  • Estimulou guerras, exacerbou o nacionalismo e manteve a presença do Estado nos assuntos econômicos.

Fisiocracia

  • Escola de pensamento francesa do século XVIII, contrária às ideias mercantilistas, especialmente quanto ao liberalismo econômico.
  • Obra de maior destaque: “O Quadro Econômico” (1758), de François Quesnay. Tratava-se de uma reação contra o tratamento assistemático e disperso dos problemas econômicos.
  • Sustentou que a terra era a única fonte de riqueza e que esta consistia em bens produzidos com a ajuda da natureza, em atividades econômicas como a lavoura, a pesca e a mineração.
  • Doutrina da Ordem Natural: o Universo é regido por leis naturais, absolutas, imutáveis e universais, desejadas pela Divina Providência para a felicidade dos homens.
  • Foi contra o excesso de regulamentação e intervenção governamental, que incentivava atividades mercantilistas em um momento ameaçado pela falta de alimentos.
  • Fez parte da filosofia social utilitarista e do harmonismo.
  • Trouxe grande contribuição à economia: formulou uma teoria do liberalismo econômico, de forma sistemática e lógica, com uso de conceitos da Medicina (circulação, fluxos, órgãos, funções), apesar de ainda se ater a considerações éticas.

Escola Clássica

  • Ganhou destaque após a Revolução Industrial, justificando a nova ordem econômica.
  • Sua contribuição foi a de formar um corpo teórico próprio e desenvolver um instrumental de análise específico para as questões econômicas. Seu tema central pertence à ciência positiva, analisando as relações econômicas de forma abstrata, de modo a obter leis e teorias gerais sobre o comportamento econômico.

Escola Clássica – Adam Smith

  • Precursor da moderna Teoria Econômica. Viveu de 1723 a 1790.
  • Obra: A Riqueza das Nações, 1776. Bastante abrangente, trata desde as leis de mercado e aspectos monetários até a distribuição do rendimento da terra, expondo uma nítida sistematização dos fenômenos econômicos.
  • Defendia que o mercado possui uma mão invisível, quando atua em livre concorrência, promovendo o bem-estar de toda a sociedade. O mercado e seus mecanismos de concorrência agiriam como regulador das decisões econômicas, sem necessidade da atuação do Estado (LIBERALISMO).

Laissez-faire, Laissez-passer, le monde va de lui-même.

  • A causa da riqueza das nações é o trabalho humano (Teoria do Valor-Trabalho).
  • Ampliação dos mercados + iniciativa privada Þ tendência de troca Þ divisão de trabalho Þ aumento da destreza pessoal + economia de tempo + aperfeiçoamento de máquinas e técnicas Þ produtividade elevada Þ riqueza.

Escola Clássica – David Ricardo

  • Desenvolveu modelos econômicos analíticos.
  • Aprimorou a Teoria do Valor-Trabalho e desenvolveu a Lei dos Rendimentos Decrescentes, aplicada à questão da terra.
  • Tratou da renda auferida pelos proprietários das terras mais férteis e desenvolveu a Teoria das Vantagens Comparativas, importante e atual item da teoria do comércio internacional.
  • Seus estudos tiveram grande importância ao disseminarem ideias que seriam desenvolvidas posteriormente. Deram origem a duas correntes antagônicas: a neoclássica e a marxista.

Escola Clássica – J. S. Mill

  • Sintetizador do pensamento clássico, avança ao incorporar mais elementos institucionais e definir restrições, vantagens e funcionamento de uma economia de mercado, se opondo à universalidade das leis de concorrência imposta pelo sistema liberal.

Escola Clássica – J. B. Say

  • Ampliou a obra de Smith, subordinando o problema das trocas à produção.
  • Lei de Say: “A oferta cria sua própria demanda”.

Escola Clássica – Thomas Malthus

  • Sistematizou uma teoria geral sobre a população, segundo a qual o crescimento populacional dependia da oferta de alimentos.
  • Constatou que, enquanto a população crescia em progressão geométrica, a produção de alimentos crescia em proporção aritmética. Em função disso, era a favor da adoção de obstáculos ao crescimento populacional. Ele não previu o ritmo e o impacto do progresso tecnológico nem as técnicas de limitação da fertilidade humana.

Escola Clássica – Friedrich List

  • Combateu as políticas de liberdade do comércio internacional ao propor que o Estado protegesse a produção e a distribuição de riqueza, impondo tarifas e planejando o desenvolvimento da indústria, tendo em vista o equilíbrio entre produção e consumo.

Escola Neoclássica

  • Teve início na década de 1870 e desenvolveu-se até as primeiras décadas do século XX.
  • Elaborou os princípios teóricos fundamentais da economia moderna e privilegiou seus aspectos microeconômicos; buscou abstrações simplificadoras e sedimentou o raciocínio matemático de Ricardo, deixando em segundo plano questões macroeconômicas e outros aspectos da realidade social.
  • Alfred Marshall (1842 – 1924) foi o grande destaque, com sua obra Princípios de Economia, 1890 e sua análise de rendimentos crescentes e o relacionamento com a viabilidade do mercado competitivo.
  • Inclui as Escolas: sueca (Wicksell), austríaca (ou Psicológica, de Menger e Bohm-Bawerk), de Cambridge (Marshall) e de Lausanne (ou Matemática, de Walras e Pareto).
  • Principais análises marginalistas: comportamento do consumidor, teoria do valor-utilidade, curvas de utilidade, curvas de produção, equilíbrio de mercado, etc.
  • Outras análises importantes: Teoria do Desenvolvimento Econômico de Schumpeter, Teoria do Capital e dos Juros de Bohm-Bawerk e Teoria Quantitativa da Moeda (vários autores), que aborda análise monetária.

Escola Keynesiana

  • Iniciou-se em 1936, com a publicação da obra de John Maynard KeynesTeoria geral do emprego, dos juros e da moeda. Contexto: Anos 30 – Grande Depressão.
  • Princípio da Demanda Efetiva: torna-se necessária a intervenção do Estado através de uma política de gastos públicos, uma vez que o volume de emprego é afetado pelo nível de produção de um país. É o fim do lassez-faire e da Lei de Say da época clássica.
  • O debate sobre o trabalho de Keynes gerou três grupos distintos:
    • Monetaristas: privilegiam o controle da moeda e um baixo grau de intervenção do estado.
    • Fiscalistas: recomendam o uso de políticas fiscais ativas e um acentuado grau de intervenção do Estado na economia.
    • Pós-keynesianos: realizam uma releitura de Keynes, enfatizando o papel da especulação financeira e do Estado na condução da atividade econômica.

Escola Marxista

  • Têm como obra central O Capital, de Karl Marx. Desenvolveu uma Teoria do Valor-Trabalho, segundo a qual a apropriação do excedente produtivo (a MAIS-VALIA) explica o processo de acumulação e as relações entre as classes sociais (burguesia X proletariado).

Escola Institucionalista

  • Têm como expoentes Veblen e Galbraith, que criticam o alto grau de abstração da Teoria Econômica e o desprezo à influência do tempo e das instituições sociais.
  • Negam que o comportamento humano seja economicamente racional, pois refletem as influências das instituições dominantes e do desenvolvimento tecnológico. Caberia ao Estado abrandar tais influências, tributando o consumo pernicioso.

Escola do Bem-Estar

  • Recomendou, na obra de Arthur Cecil Pigou, a substituição da empresa privada pela ação do Estado em empreendimentos que visem necessidades sociais, bem como o uso de um sistema de tributos e subsídios para assegurar a provisão de certos bens e serviços.

Neoliberalismo

  • Contexto Histórico

“...reação à expansão da intervenção do Estado na economia, numa tentativa de recompor a primazia do mercado.”

  • Principais Características:
    • Total liberdade de mercado
    • Mínima participação econômica estatal e desburocratização
    • Privatização de empresas estatais
    • Ênfase na globalização e livre circulação de capitais
    • Adoção de medidas contra o protecionismo econômico
    • Redução da tributação e controle de gastos públicos
  • Pontos Positivos:
    • Estimula a competitividade
    • Incentiva o desenvolvimento tecnológico
    • Controla preços pela livre concorrência
    • Acelera o processo de realocação de fatores
  • Críticas:
    • Beneficia somente grandes potências e empresas multinacionais
    • Em países pobres: desemprego, baixos salários e aumento das diferenças sociais
    • Dependência do capital internacional

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