Principais Parasitoses Humanas: Malária, Leishmaniose e Doença de Chagas

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Principais Parasitoses Humanas

Malária

Agente: Plasmodium sp (Em aula: P. falciparum)

  • Forma Evolutiva na Lâmina: Trofozoíto (no hospedeiro vertebrado).
  • Forma Infectante: Esporozoíto (nas glândulas salivares do vetor).
  • Hipnozoítos: Presentes em P. vivax e P. ovale.
  • Espécies Causadoras: P. falciparum, P. vivax, P. malariae, P. ovale (este último não é endêmico no Brasil).
  • Vetor: Fêmea do mosquito Anopheles sp (mosquito-prego), que se desenvolve em água limpa.
  • Padrão Ouro Diagnóstico: Técnica de gota espessa (parasitológico).
  • Sintomas: Febre, calafrios e sudorese.
  • Malária Grave (Cerebral): Causada por P. falciparum.
  • Tratamento:
    • Malária não grave: Cloroquina ou Coartem (artemeter + lumefantrina) via oral (VO).
    • Malária grave: Artesunato ou Clindamicina ou Artemeter intravenoso (IV).
    • Para hipnozoítos: Primaquina.
  • Profilaxia: Tratamento do doente, proteção do indivíduo sadio (repelentes, telas, mosquiteiros) e controle do vetor (inseticidas).
  • Hospedeiros: Definitivo $\Rightarrow$ Vetor; Intermediário $\Rightarrow$ Vertebrado.

Leishmaniose

Agente Etiológico: Leishmania sp

  • Forma Evolutiva na Lâmina: Amastigotas (fase crônica, em macrófagos teciduais) ou Promastigota (fase aguda).
  • Forma Infectante: Promastigota metacíclica (nas glândulas salivares do vetor, durante o repasto sanguíneo).
  • Espécies Causadoras:
    • LTA (Leishmaniose Tegumentar Americana): L. guyanensis, L. amazonensis, L. braziliensis.
    • LV (Leishmaniose Visceral): L. chagasi, L. infantum, L. donovani.
  • Vetor: Fêmea do mosquito Lutzomyia sp (flebotomíneo). Em aula, foi vista Lu. longipalpis. Nome popular: mosquito-palha.
  • Padrão Ouro Diagnóstico:
    • LTA: Intradermorreação de Montenegro (sorológico).
    • LV: RIFI e ELISA (sorológico).
  • Formas Clínicas:
    • LTA: Cutânea, cutaneomucosa, cutânea difusa e cutânea disseminada.
    • LV: Assintomática, subclínica, aguda, sintomática crônica, dérmica pós-calazar.
  • Tratamento: Antimonial pentavalente (Glucantine), Anfotericina B (para gestantes, imunossuprimidos e resistência).
  • Profilaxia: Proteção do sadio (repelentes, telas, mosquiteiros), controle do vetor (inseticidas), educação em saúde e eliminação de cães soropositivos (para LV).
  • Hospedeiros: Definitivo $\Rightarrow$ Vertebrado; Intermediário $\Rightarrow$ Vetor.
  • Características do Vetor: O macho possui gancho sexual; a fêmea tem abdome globoso e é a única que transmite (hematófaga); hábitos domiciliados; desenvolvimento em locais com matéria orgânica.
  • Principais Espécies por Forma Clínica: LTA $\Rightarrow$ Lu. intermedia; LV $\Rightarrow$ Lu. longipalpis.

Doença de Chagas

Agente Etiológico: Trypanosoma cruzi

  • Forma Evolutiva na Lâmina: Amastigotas (fase crônica, intracelular em músculo cardíaco, esquelético e linfonodos) ou Tripomastigota (fase aguda, no sangue do hospedeiro) ou Epimastigota (no intestino do vetor).
  • Forma Infectante: Tripomastigota metacíclica (presente nas fezes do triatomíneo após o repasto sanguíneo, no reto do vetor).
  • Vetor: Triatomíneo (hematófago), como Panstrongylus sp, Triatoma sp, Rhodnius sp.
  • Transmissão: Fezes do triatomíneo, congênita, transfusional, oral, transplante.
  • Padrão Ouro Diagnóstico:
    • Fase Aguda: Exame parasitológico (esfregaço, gota espessa, xenodiagnóstico, hemocultura).
    • Fase Crônica: Exame sorológico (ELISA, RIFI).
  • Formas Clínicas: Assintomática, aguda (Sinal de Romaña, chagoma de inoculação), forma indeterminada, cardíaca, digestiva, mista e nervosa (questionável).
  • Tratamento: Benzonidazol (eficaz apenas na fase aguda, contra formas sanguíneas).
  • Profilaxia: Melhoria habitacional, higiene, combate ao vetor (inseticidas ou controle biológico) e cuidados com animais domésticos, educação em saúde.
  • Hospedeiros: Definitivo $\Rightarrow$ Vertebrados; Intermediário $\Rightarrow$ Vetor.

Toxoplasmose

Agente Etiológico: Toxoplasma gondii

  • Forma Evolutiva na Lâmina: Taquizoítos (fase aguda) ou Cisto com bradizoítos (fase crônica).
  • Formas Infectantes:
    • Taquizoíto: Leite cru não pasteurizado ou não fervido.
    • Cisto com bradizoítos: Carne crua (principalmente porco e cordeiro).
    • Esporozoíto (oocisto maduro): Água e alimentos contaminados.
  • Padrão Ouro Diagnóstico: Exames sorológicos $\Rightarrow$ Teste de avidez (ELISA, RIFI). Quanto maior a avidez, maior a cronicidade.
  • Sintomas: Icterícia, hepatomegalia, urticária, coriorretinite.
  • Formas Clínicas: Aguda (febre), congênita (Tétrade de Sabin), ocular, cutânea, cerebroespinhal e generalizada. Crônica $\Rightarrow$ assintomática, podendo reagudizar.
  • Tratamento:
    • Fase aguda: Pirimetamina + Sulfadiazina (+ Ácido folínico) $\Rightarrow$ 1ª escolha.
    • Gestante: Espiramicina.
    • Forma ocular: Prednisona + antiparasitários.
  • Profilaxia: Não consumir carne crua ou leite cru; não ingerir água não tratada; cuidados com gatos domésticos (castração, ração) e manejo adequado das fezes; exame pré-natal.
  • Observação: Gato é o hospedeiro definitivo (ciclo sexuado); o homem é intermediário.

Tricomoníase

Agente Etiológico: Trichomonas vaginalis

  • Forma Evolutiva na Lâmina: Trofozoíto.
  • Formas Infectantes: Trofozoíto.
  • Hospedeiro Definitivo: Homem.
  • Padrão Ouro Diagnóstico: Exame parasitológico $\Rightarrow$ Esfregaço a fresco ou esfregaço permanente (fixado e corado).
  • Sinais e Sintomas: Corrimento vaginal fluido, abundante, amarelo-esverdeado, bolhoso, odor fétido (mais frequente no pós-menstrual); cérvice com aspecto de morango. Homens tendem a ser assintomáticos.
  • Transmissão: Sexual e congênita.
  • Tratamento: Metronidazol (VO). Em gestantes, tratamento tópico. É crucial tratar o parceiro e evitar relações sexuais durante o tratamento.
  • Profilaxia: Uso de preservativo.

Giardíase

Agente Causal: Giardia lamblia

  • Forma Evolutiva na Lâmina: Trofozoíto (no intestino delgado).
  • Transmissão: Fecal-oral $\Rightarrow$ Ingestão de água e comida contaminadas com cistos. Transmissão pessoa-pessoa (comum em creches, pois crianças levam as mãos à boca).
  • Hospedeiro Final: Homem.
  • Padrão Ouro Diagnóstico: Exame Parasitológico de Fezes (EPF). Líquido $\Rightarrow$ Trofozoíto; Sólido $\Rightarrow$ Cisto.
  • Sinais e Sintomas: Diarreia persistente autolimitada, diarreia com emagrecimento, diarreia aquosa, explosiva, com cheiro fétido, distensão e dor abdominal.
  • Tratamento: Nitazoxanida (Annita), Metronidazol (para casos refratários), Albendazol, Tinidazol (para grávidas).
  • Profilaxia: Higiene pessoal (lavagem das mãos), ingestão de água fervida ou filtrada, saneamento básico, educação em saúde.

Amebíase

Agente Causal: Entamoeba histolytica

  • Transmissão: Fecal-oral $\Rightarrow$ Ingestão de água e comida contaminadas com cistos.
  • Forma Evolutiva na Lâmina: Trofozoíto.
  • Hospedeiro Final: Homem.
  • Padrão Ouro Diagnóstico: Exame Parasitológico de Fezes (EPF).
  • Sinais e Sintomas: Febre, dor abdominal, diarreia. Casos graves $\Rightarrow$ Colite ulcerativa, necrose da mucosa intestinal e amebíase extra-intestinal (fígado, pulmão, etc.).
  • Tratamento:
    • 1ª Escolha: Secnidazol.
    • 2ª Escolha: Metronidazol.
    • Forma grave: Ornidazol.
    • Nitazoxanida (Annita) também é utilizada.
  • Profilaxia: Higiene pessoal, lavar adequadamente os alimentos, ingestão de água filtrada ou fervida, saneamento básico, educação sanitária e combate a insetos presentes (que atuam como vetores mecânicos).

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