Principais Teorias e Escolas da Comunicação

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Teoria da Informação

Teoria da Informação: Elaborada por Shannon e Weaver em 1949. É uma sistematização do processo comunicativo a partir de uma perspectiva puramente técnica. Chama-se matemática porque dá ênfase aos aspectos quantitativos. O fluxo segue a ordem: Fonte de Informação – transmissor – canal – receptor – destino.

Objeto de estudo: É a transmissão de mensagem através de canais mecânicos. Objetivo: Medir a quantidade de informação passível de se transmitir por um canal, evitando-se as distorções possíveis de ocorrer no processo. O significado da mensagem não tem tanta importância. O que se destaca e importa é o processo, o mecanismo no qual a fonte de informação escolhe uma mensagem determinada numa gama de opções possíveis.

Modelo Comunicativo Semiótico

Modelo Comunicativo Semiótico:

  • Denotação: 1º nível de significação — corresponde ao significado correto.
  • Conotação: Nível com sentido acrescentado.

Eco e Fabbri: Demonstram que existe um problema na significação nos processos comunicativos. Eles dão importância ao código que é usado para uma mensagem chegar do emissor para o destinatário. Descodificação: É quando os destinatários fazem uma interpretação das mensagens diferente das intenções do emissor e do modo como ele previa que a descodificação seria executada.

Escola de Chicago e Interacionismo Simbólico

Chicago, Interacionismo Simbólico: Lançou o interacionismo simbólico — a sociedade não pode ser estudada fora dos processos de interação entre pessoas. Pessoas se relacionam através de símbolos e os símbolos estruturam o processo de comunicação.

A sociedade tem duas tendências:

  • 1ª – Socialização: A interação dos indivíduos constitui seu próprio cimento — comunicação como emprego expressivo.
  • 2ª – Individualização: A competição entre os membros constitui seu fator de renovação — comunicação como emprego.

Interacionismo Simbólico baseia-se em três premissas:

  1. Seres humanos agem em relação ao mundo fundamentando-se nos significados que este lhe oferece;
  2. Os significados de tais elementos são provenientes ou provocados pela interação social que se mantém com outras pessoas;
  3. Tais significados são manipulados por um processo interpretativo utilizado pela pessoa ao se relacionar.

A sociedade é produto da comunicação. É uma condição de possibilidade de interação social. Comunicação: Processo estruturado por símbolos. Os homens não agem em função das coisas, mas do significado que as coisas tomam no processo de comunicação. O homem tem capacidade de manipular os símbolos para manter ou transformar a realidade social. A violência simbólica visa impor a vigência de um significado às pessoas por meio da colocação de signos — Poder.

Escola de Chicago e Evolução dos Meios

Escola de Chicago: Foi a primeira a chamar atenção para a evolução dos meios de comunicação. Robert Park: Meios de comunicação são os principais meios de difusão do conhecimento na sociedade. Harry Pross estabeleceu níveis:

  • 1º: Pessoas se comunicam sem instrumentos — linguagem.
  • 2º: Relacionamento entre pessoas requer o emprego de várias tecnologias na produção da mensagem.
  • 3º: Constituem sistemas tecnológicos — instrumentos do comunicador como receptor (ex: rádio e TV).

Paradigma Funcionalista

Teoria Hipodérmica: Afetava a todos igualmente — “efeito da bala mágica”, modelo de agulha hipodérmica. A fonte emissora tinha grande vantagem sobre o receptor, pois, como uma seringa, injetava informações e inoculava ideias. Daí surgem os estudos para ver se a mídia exercia poder sobre o público.

Funcionalismo: A preocupação com o estudo de comunicação de massa surgiu por volta de 1910, acreditando-se que os meios de comunicação possuíam poder absoluto sobre o povo. Objetivo: Ver até que ponto os Meios de Comunicação de Massa influenciavam na vida social e nas relações interpessoais. Consequência: Forma-se a sociedade de massa, onde não existem mais diferenças individuais — o indivíduo "sem lenço nem documento".

Lasswell estabeleceu três funções:

  1. Generalização do conhecimento comum;
  2. Correlacionamento das respostas dadas pelo sujeito aos problemas;
  3. Transmissão do patrimônio cultural da sociedade.

Feedback: O momento do processo de comunicação pelo qual o comunicador se transforma em receptor.

Paradigma Materialista

Karl Marx e Friedrich Engels: O trabalho é o fator responsável pela socialização e base material do modo de vida. O trabalho possibilita a consciência do meio e expressa a linguagem, que gera comunicação. Indivíduos trabalham para satisfazer suas necessidades. A comunicação surge no momento em que a relação entre indivíduos torna-se importante; ela é a mediação primária do trabalho.

Linguagem, consciência prática e comunicação: Estão entrelaçadas com o desenvolvimento da produção material e o processo de cooperação entre os homens. Desigualdade / Divisão de classes: Segundo o marxismo, a linguagem surge em resposta à necessidade de cooperação entre indivíduos; ela constitui o produto da comunicação.

Escola de Frankfurt

Escola de Frankfurt: Fundada em 03 de fevereiro de 1923. Teóricos principais: Horkheimer, Marcuse e Adorno. Nascia a Teoria Crítica da Cultura, que investigava os mal-estares das sociedades capitalistas industrializadas. Comunicação vista como um projeto de dominação. As tecnologias de comunicação assimilam os homens e isolam-nos ao mesmo tempo, criando comunidades em que as pessoas se reúnem em mutismo.

Habermas: Acredita que a comunicação pode servir de base para a reconstrução racional da vida social e superar a visão negativa dos frankfurtianos. O homem vive estruturado materialmente pelo trabalho e simbolicamente pela linguagem; a comunicabilidade determina o desenvolvimento da sociedade.

Tipos de Ação:

  • Ação Comunicativa: Voltada para o entendimento e cooperação. Permite a realização de planos comuns sem mal-entendidos.
  • Ação Estratégica: Voltada para o sucesso. Pessoas perseguem objetivos próprios influindo sobre a ação dos outros.
  • Ação Dramatúrgica: Voltada para a expressão. Pessoas expõem estados subjetivos e controlam a impressão que causam — encenação social.

Estágios dos processos de comunicação:

  • Ação regulada por normas: Comportamento orientado por valores comuns.
  • Conversação: Interação pelo prazer ou necessidade funcional de comunicar.
  • Discussão: Temas que se põem no processo de comunicação.

Teoria Crítica e Indústria Cultural

Teoria Crítica: É a contracorrente de muita pesquisa de comunicação. É a teoria da sociedade entendida como um todo. Tende a reduzir a ação da mensagem sobre o receptor a atos de manipulação ou de puro efeito ideológico, preparados por uma fonte emissora que pretende submetê-lo.

A Indústria Cultural: Oferece formas diferentes de algo que é sempre igual. Filmes, rádio e semanários (jornais e revistas) constituem um sistema. Kant mostra que as imagens são censuradas no momento em que são produzidas. O homem encontra-se em poder de uma sociedade que o manipula; ele é objeto da indústria cultural.

Estudos Culturais

Principais autores e focos:

  • Richard Hoggart: Materiais culturais, cultura popular e meios de massa.
  • Raymond Williams: Conceito de cultura e impacto cultural dos meios massivos.
  • Thompson: A história "dos de baixo".
  • Stuart Hall: Investigação de práticas de resistência.

A cultura não é homogênea; manifesta-se de maneira diferenciada em qualquer formação social ou época histórica. Evolução das pesquisas:

  • Anos 1970: Cobertura jornalística e feminismo.
  • Anos 1980: Análise dos meios de comunicação e pesquisa de audiência.
  • Anos 1990: Investigações sobre audiência em âmbito global, nacional, local e individual.

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