Processos de Trabalho, Qualidade e Segurança na Saúde
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A1 - Processo de Trabalho em Saúde
Trabalho: Atividade humana de cunho social orientada por uma finalidade que dá ao homem a potencialidade de transformar conscientemente a natureza, exercendo a sua criatividade.
Processo de Trabalho: Atividade dirigida com o fim de criar valores de uso, de apropriar elementos naturais às necessidades humanas. O homem opera transformações subordinadas a um fim, no objeto sobre o qual atua por meio do instrumental de trabalho. É um conjunto de atividades inter-relacionadas que transformam insumos (entradas) em produtos (saídas).
Elementos do Processo de Trabalho: Objetos de trabalho; Meios e Instrumentos de Trabalho; Atividade adequada a um fim → (OMIA).
Características do Trabalho em Saúde: Prática social; Setor Terciário; Prestação de serviços que não produz bens a serem estocados, os serviços são consumidos no ato de sua produção (qualidade deve ser enfatizada); Lida com o objeto humano (paradoxos da vida: vida/morte; dor/prazer); Trabalho coletivo; Divisão Técnica e Divisão Social → (P.S.P.L.T.D²).
Processo de Trabalho em Enfermagem: É Parte do trabalho coletivo em saúde; Finalidade: controlar a doença em escala social e recuperar a força de trabalho incapacitada; Reproduz o modelo clínico de organização; Sub-processos: Cuidar/Assistir; Administrar/Gerenciar; Pesquisar/Ensinar; Cada sub-processo possui seus elementos de trabalho → (P.F.R.S.C).
Modelagem do Processo de Trabalho (Modelo VSM)
Representa graficamente um processo ou serviço desde o início até a entrega final ao cliente. Pode abrigar informações diversas, mostrando o funcionamento atual e servindo de base para o desenvolvimento de um processo futuro melhorado. Usos para o VSM:
- Aumento da eficiência;
- Aumento da produtividade;
- Redução de lead time;
- Redução de tempo de setup;
- Eliminação de desperdícios;
- Definição de estoques estratégicos;
- Melhoria dos fluxos de produção → (2A.2R.E.D.M).
Modelos de Gerência em Enfermagem
- Modelo Racional: Foco na organização e em seus objetivos. Interpreta os objetivos da organização e os transforma em ação organizacional por meio de planejamento, organização, direção e controle, visando atingir os objetivos. É mecanicista. Ex: Padronização das atividades de enfermagem sem envolver a equipe.
- Modelo Racional-Flexível: Pensa nas pessoas da organização, uma vez que elas trabalham os objetivos organizacionais. Ex: Padronização de atividades de enfermagem com participação da equipe. O foco permanece na organização, porém se pensa na equipe.
- Modelo Histórico-Social: Foco na organização, trabalhador e usuário. Ex: Padronização de atividades com participação da equipe multiprofissional e dos clientes.
Dimensões da Atividade Gerencial: 1. Técnica; 2. Política; 3. Comunicativa; 4. Desenvolvimento da cidadania.
A2 - Cuidado em Saúde Baseado em Evidências (CSBE)
CSBE: É uma ferramenta de gestão na enfermagem. É a tomada de decisão clínica que considera a melhor evidência disponível em pesquisas: no contexto em que o cuidado é prestado; na preferência do paciente; e no julgamento do profissional de saúde.
Evidências: Correspondem a uma série de dados, relatos e observações que auxiliam a fundamentar a conclusão sobre um tema. As evidências globais são pontos de partida importantes para avaliação sobre potenciais efeitos de intervenções, pois efeitos em um contexto específico podem levar a conclusões errôneas sobre o que esperar de uma intervenção.
A melhor evidência disponível (em pesquisas), envolve o contexto em que o cuidado é desenvolvido, a preferência individual do paciente e o julgamento e perícia do profissional.
Os 4 Elementos do CSBE:
- Melhor evidência disponível;
- Contexto;
- Julgamento do profissional;
- Preferência do paciente.
Modelo de CSBE JBI: Acrônimo FAME: Viabilidade, Adequação, Significado e Eficácia.
Implementação da Evidência: Relaciona-se a: 1. Diferentes modelos; 2. Elementos importantes; 3. Barreiras do contexto; 4. Ações de superação.
As 7 Fases da Implementação Pautada em Evidência:
São 7 fases divididas em 3 etapas:
- Pré-planejamento:
- Fase 1: Identificação da área de prática/problema com as partes interessadas;
- Fase 2: Envolvimento com agentes de mudança/equipe do projeto.
- Avaliação de Linha de Base e Planejamento de Implementação:
- Fase 3: Avaliação do contexto e preparação para a mudança;
- Fase 4: Revisão da prática em relação a critérios baseados em evidências;
- Fase 5: Implementação da mudança usando GRiP.
- Avaliação de Impacto e Sustentabilidade:
- Fase 6: Reavaliação da prática;
- Fase 7: Intervenções de Sustentabilidade.
Ferramentas de Apoio à Construção de um Projeto de Implementação na Metodologia JBI:
- Paces JBI: Ferramenta online para coleta e análise de dados que permite comparar informações entre as auditorias de linha de base e pós-auditoria, em uma ou mais unidades clínicas.
- Gripp JBI: Considera as barreiras à mudança identificadas pelos profissionais no local, as estratégias utilizadas para formação da equipe de saúde para a utilização de evidências na prática e o processo de mudança propriamente dito.
A3 - Qualidade em Saúde
Qualidade em Saúde: É um conjunto de atributos que inclui um nível de excelência profissional, o uso eficiente de recursos, um mínimo risco ao paciente, um alto grau de satisfação por parte dos usuários (OMS). A qualidade é uma dimensão subjetiva. O que é de qualidade para mim, pode não ser para você.
Envolve: Liderança, Educação, Diagnósticos, Trabalho em Equipe, Monitoramento e Tomada de Decisão.
Qualidade da Assistência em Saúde: É a satisfação das necessidades dos clientes, que devem ser o objeto central das estratégias em busca da qualidade, além de participar ativamente desse processo.
Qualidade: Risco mínimo ao paciente → Alto grau de satisfação → Aumenta a probabilidade de resultados desejados → Excelência profissional → Uso eficiente dos recursos.
Abordagens para Determinação da Qualidade:
- Baseada no produto;
- Baseada no usuário;
- Baseada na produção;
- Baseada no valor.
Dimensões da Qualidade na Saúde - Critérios para Avaliação (Os 7 Pilares de Donabedian):
- Eficácia: É a melhor situação possível (resultado).
- Efetividade: Resultado obtido na situação real (impacto).
- Eficiência: Custo-benefício; reduz desperdícios.
- Aceitabilidade.
- Legitimidade: Aceitabilidade do ponto de vista da sociedade (ex: receber um certificado).
- Otimidade.
- Equidade.
Outros Pilares:
- Segurança: Exercício do cuidado sem gerar danos ao paciente.
- Oportunidade: Redução do tempo de espera e de atrasos potencialmente danosos tanto para quem recebe como para quem presta o cuidado.
- Cuidado Centrado no Paciente: Cuidado respeitoso e responsivo às preferências, necessidades e valores individuais dos pacientes, assegurando que os valores do paciente orientem todas as decisões clínicas.
6 Pecados no Atendimento: Automatismo; Jogo de empurra-empurra; Apatia; Frieza; Apatia; Livro de regras.
O que trabalhar em uma equipe de qualidade? Proatividade, Comunicação holística, Sinergismo, Busca de melhoria contínua, Relacionamento interpessoal, Senso de responsabilidade, Alinhamento de ideias e Liderança.
Melhoria da Qualidade: É alcançada com melhores resultados e melhor experiência dos pacientes.
Princípios Fundamentais na Ciência de Melhoria de Qualidade:
- Dados e medição para melhoria;
- Compreensão do processo;
- Melhorar a confiabilidade;
- Demanda, capacidade e fluxo;
- Envolvimento dos pacientes;
- Engajar os profissionais.
A4 - Segurança do Paciente
Segurança do Paciente: Redução, a um mínimo aceitável, do risco de dano desnecessário relacionados com os cuidados de saúde. Representa uma estrutura de atividades organizadas que cria culturas, processos, procedimentos, comportamentos, tecnologias e ambientes na área da saúde que reduz riscos de forma consistente e sustentável, diminui a ocorrência de dano evitável, torna os erros menos prováveis e reduz o impacto do dano quando este ocorrer.
Metas de Segurança do Paciente:
- Identificar o paciente;
- Comunicação efetiva;
- Modicações;
- Cirurgias seguras;
- Higiene das mãos para evitar infecções;
- Prevenção de quedas e de lesão por pressão.
Cirurgias Seguras: Antes da indução anestésica - Antes da incisão cirúrgica - Antes de o paciente sair da sala de operações.
- Incidente: Evento que resultou ou poderia ter resultado em dano ao paciente.
- Near Miss (Quase Erro): Ex: Medicação preparada e instalada em BI, mas antes de ser conectada ao acesso do paciente, constatou-se que a medicação era errada.
- Evento Adverso: Incidente que resultou em dano ao paciente (ex: lesão por pressão decorrente de não mudança de decúbito).
- Evento Sentinela: Evento que resulta em perda de membro ou morte.
Teoria do Erro Humano: Propõe o gerenciamento do erro por meio de medidas enérgicas, buscando a melhora dos processos organizacionais.
Gestão de Risco Hospitalar: Um exemplo é um Hospital Sentinela, que notifica eventos adversos e queixas técnicas de produtos de saúde. Esses produtos são classificados conforme as denominações: tecnovigilância, farmacovigilância, hemovigilância.
A5 - Indicadores de Qualidade e Acreditação Hospitalar
Avaliação da Qualidade: Se sustenta em 3 componentes: Estrutura, Processo e Resultado. A estrutura apoia a execução do processo e o processo é executado para gerar resultado.
Indicadores de Qualidade: São medidas de desempenho de funções, sistemas ou processos ao longo do tempo. Incorporam a ideia de enfermagem pautada em evidências. Devem ser utilizados nas tomadas de decisões.
- Estrutura: Descrevem características físicas e organizacionais de um sistema de cuidado e seu ambiente.
- Processo: Descrevem o que é realizado no cuidado ao cliente.
- Resultado: Descrevem as mudanças favoráveis ou desfavoráveis ocorridas no estado de saúde do cliente, decorrentes do processo de cuidado.
Acreditação Hospitalar: Certificação recebida mediante avaliação com caráter de educação continuada e não de fiscalização, que assegura a qualidade do serviço de saúde da referida instituição. Foi criada para que os hospitais possam: ser referência em gestão hospitalar; ter boa reputação.
O processo de acreditação pela JCI possui duas fases: Educação e Avaliação.
Construção de Indicador de Qualidade: Nome; Tipo de indicador; Finalidade; Responsável; Método; Fonte da informação e amostra; Frequência; Custo do indicador.
Liderança
- Liderança Autocrática: Caracterizada por um claro e objetivo compartilhamento de expectativas quanto ao que deve ser feito, quando e como determinada tarefa deve ser feita. A liderança é bastante focada em comando e controle, e há um certo distanciamento entre o líder e os liderados.
- Liderança Democrática ou Participativa: Oferece diretrizes ao grupo, mas também participa dele, trazendo suas impressões e contribuições. O ritmo de entregas do grupo pode ser um pouco mais lento que no modelo autocrático, porém há mais contribuições e criatividade.
- Liderança por Delegação (Laissez-faire): Caracterizada por pouco direcionamento e decisão descentralizada. Pode ser efetiva quando a relação se dá com equipes altamente qualificadas.
- Liderança Transacional: Considera a relação líder-liderado uma transação de interesses. Há uma clara troca de compensações e os papéis são bem definidos. Diminui a possibilidade de soluções criativas e participação do grupo.
- Liderança Transformacional: Habilidade para motivar e inspirar as equipes, dirigindo os grupos de maneira positiva. O líder tende a ser emocionalmente competente, energético e demonstra paixão. Foca em alcançar o potencial das pessoas. Habitualmente, resulta em um desempenho mais elevado e maior satisfação do grupo.
- Liderança Situacional: Caracteriza-se por adaptar-se ao contexto (exigências e demandas) e à maturidade da equipe. O líder pode variar entre posturas diretiva (transmite ordens), de coaching (ordens com suporte), suportiva (grande oferta de suporte, pouco direcionamento) e delegativa (pouco direcionamento e suporte).