Promessas Não Cumpridas na Democracia Moderna

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4. Promessas Não Cumpridas

A primeira promessa diz respeito a uma sociedade pluralista, à formação da democracia como fonte de uma concepção individualista da sociedade, onde o todo precedia as partes, indicando para tanto três eventos caracterizadores: o contratualismo, onde antigamente os indivíduos livres viviam sob um estado de natureza, onde eram seus próprios soberanos, porém entraram em acordo e decidiram delegar o poder a alguém capaz de garantir a projeção de suas vidas; o nascimento da economia política, onde, nas palavras de Adam Smith, o indivíduo, ao perseguir o próprio interesse, frequentemente promove o da sociedade de modo mais eficaz do que quando pretende realmente promovê-lo; e, por fim, a filosofia utilitarista, que parte da hipótese de que os indivíduos soberanos, ao entrarem em acordo com outros indivíduos igualmente soberanos, criam a sociedade política. A doutrina democrática tinha imaginado um estado sem corpos intermediários, porém a democracia foi o contrário.

Pessoas que têm força política são capazes de determinar os parâmetros do jogo. Grupos com uma devida capacidade política foram capazes de dominar e conseguir um espaço político bem maior do que os grupos de menor força. O modelo ideal da sociedade democrática era aquele de uma sociedade centrípeta, mas é a de uma sociedade centrífuga, que não tem apenas um centro de poder (Norberto Bobbio). A vontade popular, que deveria ser o fundamento da democracia, estava deturpada por uma minoria de relevância econômica-política, podendo ser denominada de Democracia Econômica Partidarista.

Uma outra promessa evidenciada por Bobbio foi a disseminação dos interesses particulares na democracia, acabando com o fundamento da democracia moderna, nascida com a concepção de democracia representativa. A representação política ficou cada vez mais evidenciada pelo vínculo com os interesses pessoais, seja do partido político, seja dos interesses pessoais. Apesar de se ter banido do sistema democrático o mandato imperativo, era esse quem imperava, era esse quem satisfazia grupos políticos.

Entretanto, há como se afirmar que não existe político que pratique o mandato imperativo? Faz parte da natureza humana se vincular aos seus próprios interesses ou aos interesses de sua classe, seu grupo. A crítica está no fato de que a proibição do mandato imperativo não tem caráter punitivo, a não ser com relação ao seu próprio partido político, o qual, uma vez pensado em deixar tal prática antidemocrática, será bravamente interceptado por seus mandachuvas partidários.

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