Sistema de Proteção de Crianças em Portugal: Guia Completo
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Histórico do Sistema de Proteção de Crianças (SPC) em Portugal
- 1911 – LPI: Primeira Lei de Proteção da Infância.
- 1962 – OTM: Organização Tutelar de Menores.
- 1999 – LPCJP (Lei n.º 147/99): Proteção de Crianças e Jovens em Perigo.
Contexto: Evolução das políticas de proteção social e desenvolvimento do Estado-Providência para apoiar famílias e crianças.
Sistema de Proteção de Crianças Atual
Três pilares:
- Prevenção: Políticas públicas e programas sociais (ex.: Garantia para a Infância, Intervenção Precoce).
- Promoção e proteção: CPCJ (Comissões de Proteção de Crianças e Jovens), rede de serviços de trabalho social e segurança social.
- Intervenção especial: Casos de perigo (maus-tratos, negligência), medidas judiciais e não judiciais.
Princípio da subsidiariedade: A intervenção deve ser mínima, apenas quando necessário, com foco em apoiar a família antes de recorrer a medidas drásticas.
As CPCJ
Criadas em 2001, com autonomia funcional.
Objetivos: Proteger os direitos das crianças e jovens e promover a colaboração entre comunidade, Estado e famílias.
Modelo de funcionamento:
- Modalidade alargada: Ações de promoção e prevenção.
- Modalidade restrita: Intervenção em situações de perigo (abertura/arquivamento de processos, aplicação de medidas de proteção).
Composição da Comissão Restrita
Número ímpar de membros (mínimo 5), incluindo: presidente, representantes do município, Segurança Social, Saúde, Educação e uma organização social/ONG.
Princípios de intervenção: Interesse superior da criança; privacidade; intervenção precoce; intervenção mínima e proporcional; subsidiariedade; responsabilidade parental; continuidade das relações psicológicas profundas; prevalência da família; obrigatoriedade da informação.
Política de Desinstitucionalização
Substituição do acolhimento institucional por ambiente familiar.
- Prevenção primária: Apoio à família para evitar a separação.
- Colocação familiar: Priorizar o acolhimento familiar em vez do residencial.
Estratégias e Planos:
- Estratégia Nacional para os Direitos da Criança (2021-2024): Apoio à família, parentalidade positiva e desincentivo à institucionalização.
- Projeto Adélia: Apoio à parentalidade positiva.
- Selo Protetor: Prevenção nas escolas.
- Estratégia Europeia para os Direitos da Criança (2021): Crianças no centro das políticas.
- Garantia Europeia para a Infância e PAGPI (2022-2030): Foco em crianças em risco de pobreza/exclusão.
Avaliação do Sistema de Proteção
Nacional: CNPCJP (2008) | Concelhia: 4 CPCJ em Lisboa (CML, 2017).
Problemas identificados: Escassez de recursos, falta de formação específica, baixa valorização do trabalho das comissões, rotatividade de técnicos e acompanhamento deficiente das medidas.
Legislação e Alterações Recentes
- Lei 31/2003: Processo judicial de adoção.
- Lei 142/2015: Valorização do acolhimento familiar (até 6 anos).
- Lei 23/2017: Criação das Equipas Técnicas Regionais.
- Lei 26/2018: Competências do Ministério Público.
- Lei 23/2023: Prolongamento do acolhimento residencial até 21 anos (ou 25 anos em formação).
- Lei 39/2025: Proibição do casamento de menores (18 anos).
Definições Fundamentais
Risco: Criança com maior probabilidade de desajustamento futuro devido a fatores constitucionais, familiares, sociais ou ambientais.
Perigo: Criança em ameaça imediata à integridade física ou psicológica (abandono, maus-tratos, abuso, falta de cuidados, casamento infantil).
Fatores de Risco e Proteção
Fatores de Risco: Condições que aumentam a probabilidade de problemas (individuais, familiares e sociais).
Fatores de Proteção: Condições que reduzem ou anulam o risco (recursos da criança, coesão familiar, rede de apoio comunitária).
Vulnerabilidade da Criança: Risco de desenvolver problemas por falta de recursos, dependendo do equilíbrio entre fatores de risco e resiliência.
Resiliência Individual e Familiar
Resiliência: Capacidade de superar adversidades e recuperar de crises.
Resiliência Familiar (Froma Walsh)
- Sistema de crenças familiares: Dar sentido à adversidade e manter uma visão positiva.
- Padrões organizacionais: Flexibilidade, ligação e recursos sociais/económicos.
- Processos comunicacionais: Clareza, expressão emocional aberta e resolução colaborativa de problemas.