Psicanálise e Piaget: técnicas e estádios do desenvolvimento

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Psicanálise: método e definições

O método — psicanálise
É uma abordagem à mente e aos transtornos psicológicos que recorre a várias técnicas e procedimentos clínicos para trazer à consciência as causas dos sintomas que seriam a expressão dos conflitos.

Técnicas da psicanálise

  • Associações livres — ao paciente é pedido que diga tudo o que sente e pensa sem qualquer omissão ou restrição, mesmo que lhe pareça sem importância, desagradável ou absurdo. Durante este processo manifestam-se resistências, desejos, recordações e recalcamentos inconscientes que o analista procura identificar e interpretar.
  • Interpretação dos sonhos — é pedido que o paciente relate os seus sonhos; para Freud os sonhos eram uma realização simbólica de desejos recalcados, a que o analista deve dar sentido interpretando os sonhos narrados.
  • Análise de transferência — é um processo em que o analisado transfere para o psicanalista os sentimentos de amor/ódio vividos na infância, sobretudo em relação aos pais.
  • Análise dos atos falhados — o psicanalista procura interpretar os esquecimentos, lapsos e erros de linguagem, leitura ou audição do analisado. Segundo Freud, estes erros involuntários eram manifestações de desejos recalcados no inconsciente que irromperiam na vida quotidiana.

Estádios psicossexuais do desenvolvimento

  • Estádio Oral — (2 aos 18 meses) excitação e prazer na cavidade oral e lábios.
  • Estádio Anal — (12/18 meses aos 3 anos).
  • Estádio Fálico — (3 aos 6 anos) complexo de Édipo e de Eletra.
  • Estádio Latência — (6 anos à puberdade) uma pausa na evolução da sexualidade: acalmam-se as pulsões e a energia é desviada para as atividades escolares.
  • Estádio Genital — (puberdade à idade adulta) a sexualidade dá primazia aos genitais e deixa de ser autodirigida, passando a estar integrada numa relação íntima.

Jean Piaget: interacionismo e conceitos-chave

Jean Piaget

Interacionismo — é o modo como Piaget explica a origem do conhecimento. Para Piaget, nós transformamos o nosso potencial inato (que são as estruturas com que vimos naturalmente equipados) em conhecimento sempre que interagimos com o meio que nos rodeia. É através desta interacção sujeito–meio que o desenvolvimento cognitivo se constrói e nos tornamos inteligentes.

Palavras-chave

  • Assimilação — é a incorporação de um elemento do meio exterior nos esquemas do sujeito. O sujeito age no sentido de apropriar‑se do objecto.
  • Acomodação — é a transformação dos esquemas ou estruturas do sujeito em função do elemento exterior. O sujeito age no sentido de se transformar.
  • Equilibração (adaptação) — corresponde à autorregulação entre as estruturas e o meio, entre o conhecido e a novidade; isto é, adequa a assimilação à acomodação e vice‑versa.
  • Esquemas — são produzidos pelos processos de assimilação e de acomodação e são definidos como moldes mentais em que colocamos as nossas experiências. São estruturas que construímos e usamos para interpretar e organizar as informações que recebemos.

Estádios de desenvolvimento cognitivo

  • Sensório‑motor (0 aos 2 anos) — o bebé percebe o mundo pela coordenação de experiências sensoriais e ações físicas. Compreende que os objectos existem mesmo que não os veja.
  • Pré‑operatório (2 aos 7 anos) — a criança começa a representar o mundo com palavras e imagens. Adquire a noção de causalidade.
  • Operatório concreto (7 aos 11 anos) — apresenta um pensamento lógico a respeito de acontecimentos concretos; classifica objectos em categorias. Consegue compreender objectos iguais apesar de existirem alterações a nível perceptivo.
  • Operatório formal (11 aos 15 anos) — manifesta pensamento lógico‑abstrato; pensa com base em hipóteses e conceitos abstratos.

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