Psiquiatria de setor, preventiva e antipsiquiatria

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Psiquiatria de setor e psiquiatria preventiva

A partir da psicoterapia institucional, surgiu na França, nos anos 50, a psiquiatria de setor. Já o eixo da assistência devia deslocar-se do hospital para o espaço extra-hospitalar. Instituindo a territorialização da assistência, o setor foi definido como uma área geográfica bem delimitada, acompanhada por uma mesma equipe de saúde mental, contando com serviços extra-hospitalares próprios, como lares de pós-cura, oficinas protegidas e clubes terapêuticos.

Também nos anos 50, nos Estados Unidos, iniciou-se a psiquiatria preventiva, que estimulava três níveis de prevenção. O nível primário consistia em intervir nas condições individuais e ambientais de formação da doença mental; o secundário visava diagnosticar precocemente essas doenças; o terciário buscava readaptar o paciente à vida social após a sua melhora. Propunha-se o recurso à internação psiquiátrica apenas quando esgotadas outras possibilidades, e apenas por curtos períodos de tempo.

Essas propostas possuíam pontos comuns

Essas diferentes propostas de reforma também possuíam seus pontos comuns:

  • Redução do papel do hospital: Buscaram reduzir o papel do hospital psiquiátrico, criando alternativas de tratamento na comunidade que permitissem reduzir o número e o tempo das internações. Contudo, o hospital psiquiátrico permanecia como uma referência essencial, parecendo inconcebível um modelo de assistência que pudesse prescindir dele.
  • Valorização dos aspectos psicossociais: Houve um avanço quanto à valorização dos aspectos psicossociais do sofrimento mental; porém, adotou-se muitas vezes uma postura medicalizante e intervencionista com relação a estes aspectos.
  • Falta de participação dos usuários: Mesmo ressaltando a importância das contribuições comunitárias, essas propostas foram formuladas e conduzidas por técnicos, sem participação dos portadores de sofrimento mental e de seus familiares na formulação das políticas de saúde mental.

A antipsiquiatria e a psiquiatria democrática

A antipsiquiatria surgiu na Inglaterra, nos anos 60. Não se tratava de uma proposta de reforma psiquiátrica, e sim de toda uma nova reflexão sobre a loucura. Essas ideias surgiram a partir de algumas experiências ousadas em comunidades terapêuticas, que acabaram por ultrapassar esse marco institucional. Pensava-se na loucura não mais como doença, mas como uma reação aos desequilíbrios familiares e à alienação social.

A psiquiatria democrática surgiu na Itália, também nos anos 60, a partir dos impasses encontrados na aplicação da proposta das comunidades terapêuticas. Na cidade de Trieste, um grande hospital psiquiátrico foi gradativamente desmontado, ao mesmo tempo em que se construíam para os ex-internos saídas para o seu retorno ao convívio social. Centros de saúde mental funcionando 24 horas por dia, em regime aberto, passaram a atender todos os casos que antes procuravam o hospital, e principalmente os mais graves. Criaram-se possibilidades de trânsito, trabalho, cultura e lazer para os usuários na cidade. Para isto, foi preciso criticar a apropriação do fenômeno da loucura feita pelos saberes médicos e psicológicos.

Portanto, tratava-se de assegurar aos portadores de sofrimento mental um espaço real de cidadania — ou seja, propiciar-lhes o lugar de protagonistas de uma transformação social, retomando suas próprias vidas como legítimos habitantes da cidade.

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