Raciocínio, Retórica e a Busca pela Verdade
Classificado em Filosofia e Ética
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Raciocínio Dedutivo: Consiste em raciocinar do universal/geral para o particular, e das premissas verdadeiras segue-se sempre a verdade, como nos silogismos categóricos.
Raciocínio Indutivo: Consiste em raciocinar com base em vários casos concretos/particulares, até descobrirem uma teoria geral/universal, em que a verdade das premissas não garante a verdade da conclusão (dia-a-dia).
Raciocínio Indutivo por Generalização: Estuda-se um número considerável de casos particulares para a partir deles generalizar. Com base em alguns casos analisados, então, tira-se uma conclusão geral, que não é uma verdade absoluta, mas aproximada.
Raciocínio Indutivo por Previsão: Analisando vários factos concretos do passado e do presente é possível calcular e arriscar uma previsão aproximada.
Raciocínio Indutivo por Analogia: Consiste em raciocinar com base em uma ou mais comparações para reforçar o alcance do nosso argumento.
3 Meios da Retórica:
- Ethos: O que o orador transmite enquanto pessoa e personalidade, o seu caráter, credibilidade e prestígio social.
- Pathos: Emoções e sentimentos que o orador, através dos seus argumentos, consegue despertar no auditório.
- Logos: Discurso; argumentação; deve ser desenvolvido racionalmente em função do tempo e do público. Informações científicas e objetivas.
Falácias Formais: Quando desrespeitam pelo menos uma das 8 regras do silogismo.
- Falácia dos 4 termos (1ª regra);
- Falácia do trânsito ilícito termo menor/maior (2ª regra);
- Falácia do termo médio não distribuído;
Falácias Informais:
- Falácia ad hominem - Ataca-se a pessoa pelos seus atos negativos do passado, mas não se discutem os seus argumentos.
- Falácia do apelo à ignorância - Aceitar uma frase como verdadeira, por não ter sido possível provar que é falsa;
- Falácia da petição de princípio - Repetição na conclusão, de uma ideia referida nas premissas;
- Falácia de autoridade/argumento de autoridade - Usar o nome de uma personalidade para obrigar a aceitar uma ideia que não corresponde à verdade;
- Declive escorregadio - "Se, então", há uma cadeia de ideias que surgem a partir de uma inicial;
- Falácia do boneco de palha - As ideias do opositor são ridicularizadas e o emissor cria ideias reprováveis acerca dele;
- Falácia do falso dilema - O emissor apresenta duas opções e procura fazer-nos escolher uma delas, mas de facto, há pelo menos uma terceira opção;
Argumentação e Retórica
Retórica: Arte de falar e persuadir o recetor.
Retórica Branca: Uso ético da retórica e da persuasão; livre adesão do auditório a uma determinada tese.
Retórica Negra: Manipulação (é quando a argumentação se adultera de modo a enganar-se o auditório por interesse do emissor), exemplos de argumentação negativa: falácias informais, polémica (tanto o emissor como o recetor procuram explorar os pontos fracos do adversário, como acontece nas falácias informais ad hominem e boneco de palha. Na polémica, o que interessa é vencer a qualquer preço, não se respeitam as normas da ética. O polemista avança com contra-argumentos e com factos opostos e procura troçar do adversário dizendo que escolheu mal os exemplos e que as suas explicações não se aplicam na realidade.
Dolo: Ocorre quando o indivíduo age de má-fé, sabendo das consequências que possam vir a ocorrer, e o pratica para de alguma forma beneficiar-se de algo.
Sofistas: A verdade depende da capacidade de argumentação dos emissores, era consensual.
Ceticismo: Duvidar de tudo, até do conteúdo de cada palavra; maior preocupação em formular perguntas do que encontrar respostas.
Relativismo: O conhecimento varia de pessoa para pessoa; opõe-se à verdade e preocupa-se em formular várias opiniões.
(Sofisma: Falácia informal que consiste em enganar intencionalmente e conscientemente os recetores).
Agnosticismo: Teoria que não defende nem nega a existência de Deus.
Sócrates e Platão: Platão defendia que a capacidade de argumentação era independente da verdade, referindo o exemplo do charlatão que conseguiu os clientes porque os conseguiu persuadir, ao contrário de um cientista que pode não dominar as técnicas da comunicação e por isso, pode não cativar a atenção dos compradores.
Aristóteles: A retórica pode ser usada para o bem e para o mal. Nos dois casos temos o mesmo poder de cativar o interesse dos ouvintes.
Teorias sobre a Verdade
Aristóteles: Verdade como correspondência (nos objetos); a verdade é a correspondência com a realidade e o ser.
Platão: Verdade como consenso (nas ideias); a verdade descobre-se através do diálogo, é através do 'nós pensamos' e não do 'eu penso', a determinação do que é verdadeiro, belo, justo, exige ser observado de várias perspetivas.
Hegel: Verdade como processo (nos objetos e nas ideias); o conceito de verdade como processo exige que a realidade só se vai desenvolvendo com o tempo.
Argumentação, Verdade e Ser
A relação entre estas três palavras deve-se ao facto da argumentação ser usada para afirmar em que consiste a realidade e o ser. Estamos mais próximos da verdade, quanto mais profundo for o nosso estudo, que só vai mais longe com o uso de variados e credíveis argumentos.
O grande objetivo da filosofia é explicitar o principal do ser, as características do que existe e exprime essa essência da realidade com afirmações científicas e verdadeiras.