Racionalidade Gerencial e Trabalho em Saúde: Uma Análise

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Racionalidade gerencial hegemônica: Teorias e métodos que buscam regular o trabalho do ser humano, valendo-se de diferentes recursos como um mecanismo concebido em uma lógica mecânica ou cibernética, métodos de controle direto (supervisão) e modos indiretos de controle, como a avaliação de resultados.

O trabalho em saúde e a tensão com o modelo da racionalidade gerencial: O modelo transforma-se no modo hegemônico para se pensar e operar sistemas de produção de bens e serviços por causa de 3 elementos fundamentais: subordinar o trabalho a modos de funcionamentos padronizados "a priori", baseado nos princípios da administração científica e funda-se em discursos racionais sobre a natureza do trabalho humano.

Saber prático: É aquele conhecimento produzido a partir da ação ou do agir humano, podendo ser classificado em 2 tipos: técnica e práxis.

Técnica: É aquela atividade humana em que o conhecimento prévio dispensaria o agente de qualquer reflexão durante a execução de certo trabalho.

Práxis: É aquela atividade humana em que o saber prévio não exenta a necessidade de uma reflexão prudente durante a execução da atividade ou do trabalho em questão.

Klino: Refere-se à necessidade do médico inclinar-se sobre o paciente, é um reconhecimento de que o profissional deveria sustentar uma posição inclinada do saber médico e o sujeito enfermo restrito a um leito ou a uma cadeira. Klino - clínica em grego.

O trabalho em saúde como práxis: É impossível operar-se sem algum grau de saber acumulado, sem teoria, método e técnicas previamente experimentadas. Entretanto, caberia ao profissional ou à equipe responsável por cada caso clínico ou sanitário, construir um novo modo de agir com base tanto no saber estruturado, quanto também no diagnóstico da situação específica e em valores do sujeito ou da cultura, ou seja, caberia adaptar o saber tecnológico ao contexto singular.

Corpo: É um engano pensar que, por se estar presente no próprio corpo, tem-se dele plena experiência ou conhecimento.

Corpo platônico: Apresenta a diferença de se tratar de um corpo-objeto, associado à ideia mecanicista do ser humano-máquina.

Espinosa (corpo-espírito): Nem o espírito é superior ao corpo, como queriam os idealistas, nem o determina a consciência, como dizem os materialistas.


Principais fatores que têm dificultado a prática clínica: Alguns autores atribuem essa dificuldade ao fato de o profissional de saúde deter o controle sobre o saber fazer em saúde. Isso lhes asseguraria autonomia relativa ao executarem ações clínicas, o que dificultaria o controle da gestão sobre o trabalho em saúde, particularmente aquele de natureza clínica.

Principais modos de trabalhos entre os médicos (Donnangelo): Ela identificou que havia médicos liberais clássicos, pequenos produtores autônomos, e que emergia no cenário da época, com grande força, tanto médicos proprietários (empresários), ainda que em pequeno número, quanto uma maioria de assalariados em organizações públicas ou privadas. Ainda há mais de dois terços dos médicos investigados trabalhando em uma forma estranha a essa classificação, a essa quarta forma de inserção no mercado de trabalho ela denominou de "autonomia".

Fatores que fazem com que os profissionais de saúde tendam à autonomia: Complexidade do processo saúde-doença e intervenção, fato que ganhou divulgação após o modelo biomédico elaborado pela saúde seletiva e promoção à saúde. Propicia um ambiente favorável a essa autonomia relativa das equipes de saúde a variabilidade do processo saúde e doença, gerando a relação paradoxal entre padronização e singularidade dos casos (no tempo e no espaço).

HumanizaSUS: Busca trazer para o Brasil um novo modo de pensar a gestão e o trabalho em saúde voltado para a construção de uma nova racionalidade gerencial, que valorize a autonomia dos trabalhadores e usuários, a discussão sobre clínica ampliada e sobre a busca da integralidade e de novas formas de cuidado no "trabalho em saúde".

Paideía: Construir capacidade de análise (compreensão sobre si mesmo (saúde e doença) e sobre relações com o mundo da vida). Ampliar a capacidade da intervenção sobre si mesmo e sobre organizações e contexto.

Trabalho sob a ótica da práxis: O trabalho segundo a lógica da práxis depende de sujeitos trabalhando com importante grau de autonomia e de responsabilidade com o outro e com as instituições.

Foucault: A política de dominação pelo corpo não é exercida às claras, como na escravidão, nem por qualquer aparelho do Estado, mas os poderes se exercem em pontos diferentes no próprio seio da sociedade.

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