O Racionalismo de Descartes e Spinoza: Método e Metafísica

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Descartes: O Método Cartesiano

Método: Procedimento seguido para obter a verdade. Este procedimento deve aderir a regras claramente definidas. Sistema: Conjunto de verdades obtidas através da aplicação do método e pretende ser uma descrição e explicação da realidade.

A Unidade do Método

Descartes está convencido da necessidade de unificar o conhecimento; o pensamento pode ser alcançado através da unidade do método de pesquisa.

Pressupostos do Método:

  • A razão é qualificada pela natureza para alcançar a verdade.
  • Educação e tradição cultural geram preconceitos que dificultam o trabalho da razão.
  • É necessário realizar uma revisão de todo o conhecimento para separar o conhecimento genuíno dos erros e preconceitos acumulados.
  • A revisão crítica é necessária, mas também perigosa, pois traz o risco de desorientação. Nem todos devem empreender esta tarefa.

Intuição: O conhecimento que captura imediatamente naturezas simples intelectuais. Dedução: Operação da mente que deriva algumas verdades de outras.

Regras do Método:

  • Regra da Evidência: Apenas as reivindicações aceitas como verdades que são óbvias, ou seja, claras e distintas.
  • Regra da Análise: Decompomos o complexo em seus elementos mais simples, para que possam ser apreendidos pela intuição.
  • Regra da Síntese: Reconstrução do complexo a partir de suas partes simples, seguindo a ordem correta.
  • Regra da Enumeração e Revisão: Consiste em analisar o exposto acima, para que a listagem verifique as pesquisas de análise e a revisão da síntese.

O Sistema Cartesiano: Fundamentos

O sistema inclui a divisão cartesiana da realidade em três tipos de substâncias: a substância pensante (o ego), a substância extensa (o mundo) e a substância infinita (Deus). É uma estratégia necessária pela primeira regra do método para alcançar a verdade inquestionável, isto é, óbvia.

A Dúvida Metódica

Estas são as suas características:

  • É voluntária e demonstra a liberdade do sujeito para decidir duvidar.
  • É teórica, por causa do conhecimento, e sincera, porque, na prática, não se duvida de tudo.
  • É universal e problemática, pois considera falso todo o conhecimento que seja minimamente duvidoso.

A dúvida metódica espalha incertezas sobre camadas que afetam os dados dos sentidos, a confiabilidade do raciocínio e a existência de um mundo fora do sujeito. A hipótese de que existe um gênio maligno que nos engana, mesmo no que consideramos óbvio (característica da verdade imediata), parece estender a dúvida a toda a realidade.

As Primeiras Verdades

A primeira verdade: "Eu penso, logo existo" (Cogito). Esta verdade é alcançada pela intuição, e não por dedução. A segunda verdade: Eu sou uma coisa pensante. Esta verdade informa a nossa essência, assim como a primeira afirma a nossa existência.

Conceitos Fundamentais da Metafísica Cartesiana:

  • Substância: O que existe de tal modo que não precisa de outra coisa para existir.
  • Atributo: Propriedade essencial de uma substância.
  • Modo: O que necessita de algo mais para existir.

Dualismo Cartesiano: Ao distinguir entre o pensamento e a substância extensa, Descartes separou o corpo da alma, restaurando o dualismo platônico. A primeira regra do método fornece um critério formal de certeza. O cogito fornece conteúdo para esse padrão. É uma verdade tão óbvia quanto o "penso, logo existo". Esta abordagem garante a certeza subjetiva, mas a hipótese do gênio do mal impedia a transição para um critério de verdade objetiva.

A Existência de Deus

A existência de Deus, infinitamente bom, neutraliza a hipótese do gênio do mal e converte o padrão de certeza em critério de verdade. As ideias de Descartes são classificadas de acordo com três critérios:

  • Quanto à realidade: Reais ou falsas.
  • Quanto ao critério da verdade: Claras e distintas ou confusas.
  • Quanto à origem: Adventícias (parecem vir do exterior), fictícias (produzidas pela imaginação) ou inatas (sempre estiveram no sujeito).

Provas da existência de Deus:

  1. Só o Infinito pode ser a causa proporcional da minha ideia inata de infinito.
  2. Deus só pode ser a causa do sujeito pensante que, sendo limitado, não pode ser sua própria causa.
  3. Porque pensamos o perfeito, este deve necessariamente existir (Argumento Ontológico).

A existência de Deus cancela a hipótese do gênio do mal e identifica a certeza subjetiva com a verdade objetiva. O mundo é concebido como uma máquina (modelo mecanicista) sujeita a leis deterministas que prevêem qualquer estado futuro a partir do estado atual do conhecimento.


Spinoza: Motivação e Sistema

Motivação: Enquanto Descartes busca a verdade por um interesse teórico, Spinoza busca a verdade para dar sentido à vida humana e proporcionar a bem-aventurança. Resultados: Descartes apresenta um mecanismo para explicar os problemas de comunicação entre corpo e alma; Spinoza apresenta um panteísmo que resolve o problema cartesiano.

Noção de Substância:

Definição: O que é em si e é concebido por si mesmo. Implicações: A substância é apenas Deus, cujos atributos infinitos conhecemos dois: o pensamento e a extensão. Cada pensamento ou coisa extensa é um modo de Deus. Tudo é necessário e deriva de Deus. Panteísmo: Deus sive Natura (Deus e a Natureza são uma e a mesma coisa).

A Ética Ideal:

  • Emoções: Ativas (ideias claras: o prazer) ou passivas (paixões ou ideias confusas: dor).
  • Progresso Moral: É igual ao intelectual; a paixão consiste em ligar emoções ativas ou transformar ideias confusas em ideias claras.
  • Relativismo Moral: Se todas as coisas são necessárias, não são nem boas nem más, elas simplesmente existem. Bom é o que mantém o nosso ser, e mau o que o prejudica.
  • Ética e Liberdade: Não há liberdade como livre-arbítrio, mas como libertação da escravidão imposta pelas paixões. Pela razão, entende-se a necessidade e, com ideias claras, as emoções ativas substituem as paixões.
  • Intelectualismo Moral: Identifica a virtude com o conhecimento, recuperando o ideal socrático.

Teoria Política:

O objetivo final é a preservação do indivíduo, que está em perigo no estado de natureza. A sociedade foi criada para evitar este perigo e precisa de um soberano para manter o vínculo social. Indivíduos dão à sociedade os seus direitos, mas não sua liberdade. Das três formas de governo (monarquia, aristocracia e democracia), Spinoza prefere a democracia por ser a melhor garantia de liberdade.

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