Realismo e Naturalismo: Contexto, Características e Autores

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O Realismo e o Naturalismo

Em meados do século XIX, um novo poder cultural e literário surgiu devido ao esgotamento do Romantismo. O Realismo substituiu a exaltação da liberdade individual pela análise objetiva da realidade social.

Se o Romantismo coincidiu com a difusão das ideias liberais, o Realismo está relacionado com os conflitos sociais entre a burguesia dominante e a classe operária, que começava a lutar pelos seus direitos. Este movimento foi influenciado por teorias filosóficas e sociológicas que alteraram a mentalidade e a estrutura da sociedade:

  • Positivismo: filosofia que defende a objetividade científica na observação da realidade.
  • Marxismo: de Marx e Engels, que visa a transformação da sociedade burguesa e o estabelecimento do socialismo.
  • Evolucionismo: de Charles Darwin, que explica a evolução das espécies através da seleção natural e da luta pela sobrevivência.

O Realismo nasceu na França e expandiu-se por toda a Europa:

  • França: Balzac, Stendhal e Flaubert.
  • Inglaterra: Charles Dickens.
  • Rússia: Dostoievski e Tolstói.
  • Portugal: Eça de Queiroz.

No gênero literário, o romance é o formato que prevalece, pois permite observar, representar e explicar a realidade social.

Características do romance realista

  • Temáticas sociais: aborda conflitos da época, como acontecimentos históricos, tensões políticas e religiosas, hipocrisia social, relações humanas e o mundo do trabalho, frequentemente com uma postura crítica do autor.
  • Ambientes credíveis: descrição detalhada de cenários que refletem o meio onde os personagens vivem.
  • Personagens plausíveis: indivíduos complexos, com psicologia profunda, que não são heróis, mas pessoas comuns da realidade cotidiana.

Formas narrativas e técnicas do romance realista

  • Observação atenta e quase científica da realidade para extrair a documentação necessária.
  • Descrição precisa do ambiente e da natureza dos personagens para conferir credibilidade.
  • Narração objetiva, geralmente em terceira pessoa, com um narrador onisciente que conhece os pensamentos e comportamentos de todos.

Naturalismo

Na França, nas últimas décadas do século XIX, o Realismo derivou para uma nova corrente: o Naturalismo. Criado pelo escritor Émile Zola, o movimento aplicou ao romance as teorias científicas e filosóficas desenvolvidas na segunda metade do século XIX, especialmente o determinismo biológico e social.

Os escritores naturalistas recriam os aspectos mais sórdidos da realidade e explicam o comportamento dos personagens através do ambiente em que vivem.

O Realismo e o Naturalismo na Espanha

Assim como no Romantismo, distinguem-se dois grupos de escritores conforme suas ideologias: os conservadores (tradicionalistas) e os liberais (progressistas).

Entre os escritores progressistas, que defendem a sociedade urbana e o progresso da classe média, atacando o fanatismo, destacam-se: Juan Valera (Pepita Jiménez), Benito Pérez Galdós (Episódios Nacionais, Misericórdia, Os Deserdados, Fortunata e Jacinta) e Leopoldo Alas "Clarín" (A Regenta).

O Naturalismo influenciou especialmente Emilia Pardo Bazán. Entre seus romances destacam-se Los Pazos de Ulloa e A Mãe Natureza, ambientados na Galiza rural, retratada como um mundo fechado onde dominam as paixões e os instintos.

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