Regência, Liberalismo e Guerra Carlista em Espanha

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A Regência de Isabel II e o Liberalismo

Com a morte de Fernando VII, sua filha Isabel ascendeu ao trono, sob a regência de sua viúva, Maria Cristina de Nápoles. A Lei Sálica foi anulada pela Pragmática Sanção, o que provocou protestos dos carlistas puros, realistas apostólicos, dando início à Primeira Guerra Carlista.

Causas e Ideologia do Carlismo

A causa principal da guerra foi a manutenção do absolutismo. A ideologia carlista defendia a identificação do trono com o altar, a oposição ao centralismo liberal e a defesa dos foros tradicionais. Para muitos, a guerra teve um forte componente religioso. É evidente que as áreas controladas pelos rebeldes eram predominantemente rurais e provinciais. A luta carlista contra os liberais foi, em parte, uma luta do campo contra a cidade: alguns agricultores engrossaram as fileiras da rebelião, apoiados pela nobreza e artesãos, em oposição ao liberalismo que pretendia introduzir mudanças na economia tradicional.

Reformas Liberais Iniciais

Às restrições militares carlistas somaram-se as reformas administrativas liberais. O ministro do Desenvolvimento, Javier de Burgos, estabeleceu a divisão da Espanha em 49 províncias, governadas por um chefe político, um dos fundamentos da descentralização liberal.

O liberal moderado Martínez de la Rosa foi o arquiteto da Carta Régia (1834). Com ela, a monarquia deixou de ser absoluta, e em vez de uma Constituição, concedeu-se uma carta outorgada que não aceitava o princípio da soberania nacional nem a separação de poderes. Estabeleceu-se um sistema bicameral com Câmaras de Procuradores e Estamentos, cujas funções eram meramente consultivas.

Divisão Liberal e Revolução de 1835

Isto causou a divisão dos liberais:

  • Moderados: Exigiam uma constituição que não emanasse da soberania nacional.
  • Progressistas: Sua referência era a Constituição de 1812.

Entre 1834 e 1835, o fracasso da guerra carlista e as exigências do meio urbano e das classes mais baixas por um regime totalmente liberal desencadearam um movimento revolucionário. As Juntas Revolucionárias rejeitaram o Estatuto e pediram a convocação das Cortes Regentais, sem restrições e com uma nova lei eleitoral.

O Governo Progressista de Mendizábal

A radicalização do movimento revolucionário obrigou Maria Cristina a convocar o governo progressista de Mendizábal, que adotou medidas para resolver as estruturas senhoriais e consolidar definitivamente o regime liberal:

  • Abolição dos vínculos, morgadios e dízimos.
  • Abolição da Mesta.
  • Abolição dos privilégios das corporações e aplicação da liberdade de comércio e indústria.
  • Desamortização dos bens do clero regular para obter recursos financeiros para a guerra civil e desmantelar o poder econômico e a influência contrarrevolucionária da Igreja.

Contudo, os vínculos e os morgadios foram excluídos, e a terra permaneceu nas mãos da nobreza. Assim, o triunfo do regime liberal em Espanha resultou de um pacto entre a burguesia e a nobreza fundiária.

A Constituição de 1837 e o Fim da Guerra

Após a Proclamação dos Sargentos de La Granja (1836), a decisão foi restabelecer a Constituição de 1812. As Cortes convocadas decidiram revisar o texto, e a Constituição de 1837 foi aprovada, sendo um meio-termo entre a de 1812 e o Estatuto Real. Reconheceu o princípio da soberania nacional (embora apenas no preâmbulo), o rei manteve uma legislatura com Cortes e poder de veto absoluto, e estabeleceu o bicameralismo baseado no sufrágio censitário. A questão religiosa não foi tão restritiva quanto em 1812.

A Guerra Carlista terminou em 1839 com o Abraço de Vergara, acordo entre os Generais Maroto (carlista) e Espartero (isabelino). Acordou-se a incorporação dos oficiais do exército carlista ao exército isabelino e o compromisso de recomendar às Cortes o reconhecimento dos fueros basco-navarros.

Fim da Regência de Maria Cristina e Ascensão de Espartero

O fim da regência de Maria Cristina veio com o confronto que teve com a Lei de Ayuntamientos. Espartero forçou a governante a deixar o poder e exilar-se em 1840.

Durante a Regência de Espartero (1840-1843), encontrou muitas dificuldades, com os moderados conspirando para substituir Maria Cristina. Em 1841, Espartero foi chamado a aplicar a desamortização dos bens do clero.

A situação interna complicou-se ainda mais com a assinatura de um tratado de livre comércio com a Inglaterra. No final, um vasto movimento militar, no qual moderados e progressistas formaram uma frente comum, pôs fim ao regime de Espartero, com a ascensão do novo homem forte, Narváez, marcando a Maioridade de Isabel II.

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