Regulação da Glicemia e Diabetes Mellitus em Animais

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Regulação da Glicemia e Hormônios

A concentração de glicose no sangue é regulada por uma interação complexa de muitas vias metabólicas e por uma gama de hormônios:

  • Insulina
  • Glucagon
  • Epinefrina (adrenalina)
  • Cortisol
  • Hormônio do crescimento
  • Outros

Insulina: É um hormônio anabólico que estimula a captação de glicose pelas células e inibe a produção de glicose pelo fígado.

Glucagon: Sua secreção é regulada pelos níveis de glicose.

Epinefrina: Estimula a secreção de glucagon e inibe a de insulina.

Hormônios Contrarreguladores: São catabólicos, pois aumentam a produção hepática de glicose estimulando a glicogenólise e a gliconeogênese.

Diabetes Mellitus (DM) em Animais

O Diabetes Mellitus em animais é caracterizado por hiperglicemia associada à glicosúria e cetonúria, juntamente com os sinais clínicos de polifagia, polidipsia e poliúria.

Tipos de DM em Cães e Gatos

São reconhecidos pelo menos 2 tipos de DM em cães e gatos:

a) DMID (Diabetes Mellitus Insulinodependente)

  • Parece ser a forma mais comum em animais (cães velhos > 7 anos, fêmeas obesas e gatos machos velhos > 9 anos e castrados).
  • Necessitam de terapia com insulina para sobreviver.

b) DMNID (Diabetes Mellitus Não Insulinodependente)

  • Tratamento com dieta hipoglicêmica ou drogas hipoglicemiantes orais.
  • Observar: DMNID pode evoluir para DMID.

Observações sobre DM em Animais

  1. Pode ter origem autoimune, evidenciada pela observação de infiltração linfocitária do pâncreas (quadro típico de resposta imune).
  2. Enquanto em humanos a DM parece ter componente hereditário, em animais isto não tem sido confirmado.
  3. Algumas raças de cães apresentam maior predisposição.

Tratamento da DM em Animais

O tratamento inclui:

  • Terapia com insulina
  • Terapia dietética
  • Drogas hipoglicemiantes: sulfonilureias (ex: glipizida – Glucotrol, Pfizer; gliburida – Micronase, Pharmacia), biguanidas (metformina), triazoledinedionas, acarbose.

Manifestações Metabólicas Relacionadas

Glicosúria

Ocorre quando a concentração de glicose sanguínea ultrapassa o limiar renal.

Cetonas na Urina/Plasma

Corpos cetônicos (acetona, acetoacetato e beta-hidroxibutirato) podem acumular-se no plasma dos diabéticos, resultando em hálito cetônico.

Hipoglicemia

Condição aguda caracterizada por níveis de glicose sanguínea < 50 mg/dl em adultos e < 40 mg/dl em RN. A causa é um desequilíbrio entre a ingestão de glicose, sua produção endógena e sua utilização. A diminuição da glicemia leva à estimulação da secreção de catecolaminas, glucagon e do hormônio do crescimento. A liberação de adrenalina causa sintomas clássicos: sudorese, tremor, taquicardia, náusea, fraqueza, calafrios e fome. A maioria dos episódios de hipoglicemia ocorre em pacientes diabéticos dependentes de insulina, devido à ingestão insuficiente de carboidrato, excesso de insulina, exercício vigoroso e ingestão excessiva de álcool.

Exames para Monitoramento

Glicemia de Jejum

A glicemia de jejum é um exame que mede o nível de açúcar no sangue naquele momento. Serve para fazer o diagnóstico de hipoglicemia ou hiperglicemia. Esse exame serve também para monitoramento do tratamento do diabetes.

Hemoglobina Glicada

É um importante aliado da glicemia de jejum. É um exame que mede as concentrações de glicose no sangue do paciente ao longo do tempo, auxiliando no monitoramento do diabetes.

Doenças Metabólicas em Ruminantes

Cetose

É uma enfermidade metabólica dos ruminantes que ocorre em consequência de uma desordem no metabolismo energético dos ácidos graxos e carboidratos durante períodos de aumento de sua utilização hepática. A doença em bovinos (cetonemia) e em ovinos e caprinos (toxemia da prenhez) é caracterizada pelo aumento anormal de corpos cetônicos no sangue.

Acidose Ruminal

Na presença de quantidades suficientes de carboidratos, o *S. bovis* continuará produzindo ácido láctico, o que diminuirá ainda mais o pH ruminal, a ponto de destruir as bactérias celulolíticas e os protozoários. A concentração de ácidos graxos voláteis (AGV) inicialmente também é aumentada e contribui para diminuir o pH ruminal, parando o rúmen.

Lipidose Hepática

Transtorno do metabolismo lipídico devido à excessiva mobilização de triglicerídeos do tecido adiposo para o fígado. Possui causas múltiplas, em geral em consequência da privação de alimentos, do aumento súbito da demanda energética ou da interferência na formação de lipoproteínas hepáticas (impedindo a exportação de lipídios do fígado para a circulação).

Digestão em Ruminantes

Digestão de Carboidratos

Entretanto, a maior parte dos carboidratos é fermentada pelas bactérias ruminais pela rota glicolítica. Esta rota é considerada a forma mais comum de conversão de hexose-fosfato em piruvato utilizada pelos organismos vivos. Microorganismos do rúmen: O piruvato é o principal metabólito intermediário no rúmen. A partir do piruvato, várias rotas diferentes podem ser utilizadas até a formação dos produtos finais da fermentação, que são principalmente os ácidos graxos voláteis (acetato, propionato e butirato), CO2 e metano.

Digestão de Proteínas

As proteínas que entram no rúmen são rapidamente degradadas pelos microrganismos até aminoácidos, os quais são reutilizados pelas bactérias para sintetizar suas próprias proteínas. Parte dos aminoácidos é degradada em:

  • amônia (NH4+)
  • esqueletos carbonados (sofrem fermentação até AGV)

Digestão de Lipídios

Os microrganismos hidrolisam os triglicerídeos em:

  • GLICEROL: utilizado pelas bactérias para produção de AGV (propionato).
  • ÁCIDOS GRAXOS: as bactérias não são capazes de utilizar ácidos graxos como fonte de energia.

Processo de Digestão em Bovinos

Portanto, toda a extensão do aparelho digestório desses animais é formada por um conjunto contendo 4 cavidades, assim caracterizada: rúmen, retículo, omaso e abomaso, e funcionamento subdividido em duas etapas. Na primeira etapa o alimento é mastigado e enviado para o rúmen e o retículo. Na segunda, o bolo alimentar regurgitado retorna à boca através de contrações similares às que provocam o vômito, sendo novamente mastigado e posteriormente deglutido em direção ao omaso e abomaso.

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