Regulação do Sistema Nervoso Autônomo e ECG
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Como o Sistema Nervoso Autônomo Regula o Padrão de Disparo dos Potenciais de Ação?
No que se refere ao coração, a via eferente simpática é constituída por fibras oriundas principalmente dos centros cardioexcitadores do tronco cerebral, que deixam a medula espinhal cervical baixa e torácica alta, como fibras pré-ganglionares colinérgicas nicotínicas que vão formar sinapses nos gânglios estrelados e em outros gânglios cérvico-torácicos. Destes gânglios emergem fibras pós-ganglionares noradrenérgicas que se distribuem difusamente nas diversas estruturas cardíacas.
A via eferente parassimpática é representada por fibras que integram o nervo vago, as quais originam-se principalmente nos centros bulbares, destacando-se o núcleo motor do vago e o núcleo ambíguo. Emergem da região cranial da medula espinhal, como longas fibras pré-ganglionares, também colinérgicas nicotínicas, as quais formam sinapses em gânglios localizados na intimidade das estruturas efetoras cardíacas. Assim, os gânglios parassimpáticos e as curtas fibras pós-ganglionares colinérgicas muscarínicas que deles se originam estão englobadas pelas estruturas do coração. Esta peculiaridade anátomo-funcional da inervação parassimpática cardíaca é a razão pela qual determinados processos patológicos que acometem o coração acabam por lesar também, por extensão, os gânglios e os neurônios parassimpáticos intrínsecos cardíacos, o que não acontece com a inervação simpática. Em decorrência disto, a disfunção autonômica cardíaca manifesta-se mais comumente por exclusiva ou predominante depressão funcional parassimpática.
As inervações simpática e parassimpática cardíacas não distribuem-se uniforme ou equitativamente, mas variam em densidade e predominância segundo a estrutura inervada. Assim, por exemplo, os nós sinusal e átrio-ventricular e o miocárdio atrial são influenciados equilibradamente por ambas as divisões autonômicas, enquanto o sistema de condução intraventricular, o miocárdio ventricular e os vasos coronarianos são inervados predominantemente pela divisão simpática.
O Que Representa Cada Uma das Ondas do ECG?
Onda P
Corresponde à despolarização atrial, sendo a sua primeira componente relativa à aurícula direita e a segunda relativa à aurícula esquerda. A sobreposição das suas componentes gera a morfologia tipicamente arredondada (exceção de V1). Sua amplitude máxima é de 0,25 mV. Tamanho normal: Altura: 2,5 mm, comprimento: 3,0 mm, sendo avaliada em DII.
A hipertrofia atrial causa um aumento na altura e/ou duração da onda P.
Complexo QRS
Corresponde à despolarização ventricular. É maior que a onda P, pois a massa muscular dos ventrículos é maior que a dos átrios. Os sinais gerados pela despolarização ventricular são mais fortes do que os sinais gerados pela repolarização atrial. Anormalidades no sistema de condução geram complexos QRS alargados.
Onda T
Corresponde à repolarização ventricular. Normalmente é perpendicular e arredondada. A inversão da onda T indica processo isquêmico. Onda T de configuração anormal indica hipercalemia. Arritmia não sinusal = ausência da onda P.
Onda U
A onda U, nem sempre registrada no ECG, corresponde à repolarização dos músculos papilares.
Onda T Atrial
A onda T atrial, geralmente não aparece no ECG, pois é camuflada pela repolarização ventricular. Ela corresponde à repolarização atrial, e quando aparece possui polaridade inversa à onda T - repolarização ventricular.
Intervalo PR
É o intervalo entre o início da onda P e o início do complexo QRS. É um indicativo da velocidade de condução entre os átrios e os ventrículos e corresponde ao tempo de condução do impulso elétrico desde o nó atrio-ventricular até os ventrículos. O espaço entre a onda P e o complexo QRS é provocado pelo retardo do impulso elétrico no tecido fibroso que está localizado entre átrios e ventrículos, a passagem por esse tecido impede que o impulso seja captado devidamente, pois o tecido fibroso não é um bom condutor de eletricidade.
Período PP
O intervalo PP, ou ciclo PP, é o intervalo entre o início de duas ondas P. Corresponde à frequência de despolarização atrial, ou simplesmente frequência atrial.
Período RR
O intervalo RR ou ciclo RR é o intervalo entre duas ondas R. Corresponde à frequência de despolarização ventricular, ou simplesmente frequência ventricular.
Aula 03
Quais São as Etapas Envolvidas na Contração do Músculo Cardíaco?
- Potencial de ação chega proveniente de células adjacentes.
- Canais de cálcio controlados por voltagem (tipo ‘L’ longa duração – Rianodina) se abrem e Ca2+ entra na célula.
- Ca2+ induz a liberação de Ca2+ pelos canais de Rianodina.
- Liberação local causa faíscas (entrada) de Ca2+.
- A soma de faíscas (sinal que gera ativação de cálcio) de Ca2+ cria um sinal de cálcio.
- Os íons cálcio se ligam à troponina para iniciar a contração.
- O relaxamento ocorre quando o Ca2+ se desliga da troponina.
- Ca2+ é bombeado para dentro do retículo sarcoplasmático onde é armazenado.
- O cálcio é trocado pelo sódio pelo trocador de antiporte NCX (proteína do retículo sarcoplasmático) faz com que sódio entre e cálcio saia.
- O gradiente do sódio é mantido pela bomba Na+ K+.