Religião, racionalidade e críticas filosóficas

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Religião e racionalidade

A religião, como a filosofia e a arte, tem um tipo de racionalidade muito diferente da ciência, pois suas verdades não se baseiam em observações verificáveis pela ciência. Ainda assim, fornecem um conhecimento que a ciência não pode oferecer sobre o que é necessário para a vida.

A religião é racional, em primeiro lugar, porque cria um quadro de sentido e um conhecimento do mundo para viver. Entre as contribuições típicas das tradições religiosas estão:

  • Antropologia: uma visão sobre o ser humano, muitas vezes baseada no amor e em finalidades existenciais;
  • Ética: normas morais que proíbem matar, roubar, etc.;
  • Cosmologia: uma teoria da natureza que atribui origem divina a tudo;
  • Sociologia/teoria política: modelos de organização social, historicamente muitas vezes vinculados à monarquia ou a instituições religiosas;
  • Epistemologia: formas de conhecimento apoiadas na fé e em tradições e não apenas na razão científica.

Em terceiro lugar, a religião é considerada racional por alguns porque a ciência não explica tudo — nem mesmo todas as questões cosmológicas. Apesar da teoria científica do Big Bang, permanece a questão da origem primeira (por exemplo, do "primeiro átomo"). Temas como ética, antropologia e modelos sociais muitas vezes não recebem explicações completas da ciência; por isso, as respostas da religião, assim como as da filosofia, embora não se baseiem estritamente em observações científicas, também são consideradas válidas por muitos.

Religião e irracionalidade

A religião é considerada irracional quando contradiz teorias científicas bem estabelecidas, por exemplo a teoria da evolução ou as descobertas de Galileu. Em temas como o aborto, pode haver uma unanimidade científica que conflita com posições religiosas. Ainda, uma religião pode ser vista como irracional quando entra em contradição com verdades ou argumentos bem fundamentados da filosofia.

Feuerbach — teoria

Segundo Ludwig Feuerbach, longe de o homem ser feito à imagem de Deus, Deus é uma projeção ampliada do homem. Ou seja, Deus reúne atributos humanos idealizados — inteligência, grandeza, paternidade perfeita, etc. — transformados em divindade.

A consequência dessa ideia é que o homem projeta seus desejos e necessidades em Deus e, por meio da religião, pode entregar o controle de sua vida e de seu destino a instituições religiosas. Assim, governos e autoridades podem legitimar seu poder em nome do bem da Igreja. Feuerbach conclui que devemos criticar ou rejeitar a ideia de Deus quando ela é usada para recuperar ou manter poder sobre o nosso destino.

Marx — teoria

Marx, no século XIX, sintetizou uma crítica conhecida por sua frase:

"A religião é o ópio do povo."

Com essa expressão, Marx queria dizer que a religião acalma as pessoas e as leva a aceitar injustiças e desigualdades, prometendo que as compensações ocorrerão apenas na vida após a morte. Assim, a religião funciona ideologicamente para manter a ordem social existente.

Em resumo, a discussão sobre religião envolve argumentos a favor de sua racionalidade — por fornecer sentido, normas e narrativas — e críticas que a consideram irracional quando conflita com ciência ou quando serve para legitimar dominação. As teorias de Feuerbach e Marx são dois exemplos influentes dessas críticas filosóficas.

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