René Descartes: Dúvida, Cogito e as Três Substâncias

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A Dúvida Metódica e o Princípio do Cogito

Este excerto de O Discurso do Método, obra fundamental do racionalista francês René Descartes, aborda a dúvida como um mecanismo que o autor decide usar para analisar, a partir do zero, todo o conhecimento que até então era tido como verdadeiro, verificando se algum deles ainda continua válido.

Em segundo lugar, o autor reconhece que os seres humanos podem ser propensos a erros de raciocínio e, portanto, a duvidar de todos os argumentos e demonstrações.

Além disso, através da dúvida, o autor alcança a primeira verdade absoluta e inquestionável, estabelecendo o alicerce firme de sua nova filosofia: “Penso, logo existo” (*Cogito*). A partir desta afirmação, Descartes conclui que, embora seu corpo e tudo ao seu redor pudessem ser ilusões e ele pudesse fingir que não existiam, ele nunca poderia fingir que não pensava.

Ele chega à conclusão de que pode justificar e demonstrar essa primeira verdade porque ela é clara e evidente. Portanto, afirma que somente o que é apresentado de forma clara, óbvia e distinta pode ser considerado verdadeiro conhecimento.

A Prova da Existência de Deus e a Teoria das Substâncias

Daí decorre que a ideia de perfeição só poderia ter sido introduzida por um ser mais perfeito do que ele (Deus), pois algo que é imperfeito não pode originar nada perfeito, e nada não pode surgir do nada.

Assim, o autor aborda o risco do solipsismo, a posição que defende que apenas o *self* (o eu pensante) pode conhecer. Esta demonstração da existência de Deus está fortemente relacionada com o argumento ontológico de Santo Agostinho, visto que ambos se baseiam na ideia de que não se pode negar a existência de Deus, pois Ele possui todas as perfeições, o que levaria a contradições lógicas.

Além das duas substâncias mencionadas (o Pensamento e o Infinito), Descartes afirma a existência de uma terceira substância que constitui o resto do mundo: a Substância Extensa (*Res Extensa*). Esta é imperfeita e finita, sendo a base da matéria e do corpo.

Tipos de Ideias na Substância Pensante

Finalmente, o filósofo também identifica três tipos de ideias que fazem parte da substância pensante. O texto menciona:

  • Ideias Adventícias: aquelas que vêm da experiência e dos sentidos, e que podem ser enganosas.

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