A Renovação do Serviço Social no Brasil: Autocracia Burguesa e Suas Vertentes
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Dinâmica da Renovação do Serviço Social no Brasil sob a Autocracia Burguesa
A autocracia burguesa se instaurou no Brasil por meio da ditadura militar (resultante da união de segmentos da sociedade, como militares, capital estrangeiro, burguesia local, etc.), concentrando o poder político e econômico nas mãos da burguesia. A renovação do Serviço Social (SSO) surge como um avanço. Mesmo nas vertentes em que as concepções herdadas do passado não são essencialmente questionadas, observa-se uma articulação que lhes confere uma nova arquitetura, buscando oferecer mais consistência à ordenação de seus componentes internos.
A Autocracia Burguesa (AB), fortemente ligada à ideologia desenvolvimentista, impôs ao SSO uma nova demanda, dadas as novas expressões da Questão Social (QS) que começavam a surgir. Para tal, tornou-se necessário um novo perfil profissional. Diante disso, ocorreu a renovação do SSO, que se deu em três direções principais: a perspectiva modernizadora, a reestruturação do conservadorismo e a intenção de ruptura.
Nessa renovação, observou-se a tecnificação da profissão, a desvinculação com a igreja e as práticas de caridade e confessionais, além da inserção do curso nas Universidades Federais (UF) e a aproximação com as ciências sociais.
A Perspectiva Modernizadora (PM) foi a que mais se adequou à AB. As principais características dessa vertente eram: pautada na teoria funcionalista, adesão à ideologia desenvolvimentista, não criticava a ordem vigente, tecnicismo, baseava-se em fundamentos conservadores e abandonava as práticas ligadas à igreja.
Já a Reestruturação do Conservadorismo (RC) tinha como características: um viés psicologizante; pautada na fenomenologia; não se desvinculava da igreja, mantendo os mesmos princípios e valores (ou seja, baseados nos fundamentos da igreja); e também não criticava a ordem vigente.
Por fim, a Intenção de Ruptura tinha como uma de suas principais características a contestação da ordem vigente, entre outras.
Milagre Econômico e Novas Demandas para o Serviço Social
A AB promoveu no país um Milagre Econômico (MC) dependente do capital estrangeiro. Este inseriu novos elementos na dinâmica do país, mas ao mesmo tempo manteve características antigas. A autocracia promoveu um desenvolvimento das forças produtivas e realizou uma industrialização pesada. O Milagre Econômico resultou, segundo Netto, em: ampliação e consolidação de um considerável parque industrial; criação de um sistema bancário; redimensionamento da agropecuária; agravamento dos desequilíbrios regionais; crescimento urbano caótico; concentração de renda e propriedade, além da superexploração do trabalho.
Esse novo contexto impôs ao SSO novas demandas, tornando necessários novos referenciais instrumentais para responder às exigências da modernização do Brasil.
1ª Perspectiva: Modernizadora
- O Serviço Social é um dos agentes especializados para enfrentar os problemas sociais.
- Culpabilização do indivíduo.
- O Serviço Social atua em dois níveis: microatuação e macroatuação.
- Base funcionalista.
2ª Perspectiva: Reestruturação do Conservadorismo
- Ajuda psicossocial e compreensão.
- Problemas superados a partir do próprio indivíduo.
- A intervenção do Serviço Social é vista como ajuda psicossocial.
- Ênfase na transformação do indivíduo.
- Base na fenomenologia.
3ª Perspectiva: Intenção de Ruptura
- A prática profissional possui caráter político, ao contrário das correntes conservadoras.
- Leva em consideração as condições de vida e trabalho do indivíduo.
- Base na teoria social de Marx.
A prática social das três vertentes se dá de forma diferente, visto que elas são comprometidas com classes distintas e pautadas em diferentes teorias.