Segunda República Espanhola: Reformas e Conflitos (1931-1933)
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ITEM 14.3 - A Segunda República Espanhola
Transição para a República
Após a ditadura de Primo de Rivera, a instabilidade política e a pressão popular levaram à queda da monarquia. O Pacto de San Sebastián (agosto de 1930) uniu republicanos, socialistas e intelectuais contra o rei Alfonso XIII. As eleições municipais de abril de 1931 resultaram em vitória republicana, levando à proclamação da República em 14 de abril e ao exílio do rei. Francesc Macià proclamou a República Catalã.
Governo Provisório e Constituição de 1931
Um governo provisório, liderado por Niceto Alcalá Zamora, iniciou reformas agrárias, trabalhistas, militares e educacionais, além de aprovar o Estatuto Provisório da Autonomia da Catalunha. A Constituição de 1931 estabeleceu a soberania popular, o sufrágio universal (incluindo feminino), amplos direitos e liberdades, e um estado secular.
Principais Pontos da Constituição:
- Soberania popular e república democrática.
- Sufrágio universal masculino e feminino.
- Extensa carta de direitos e liberdades (divórcio, igualdade entre filhos legítimos e ilegítimos, direito à educação).
- Legislativo unicameral, executivo com presidente e chefe de governo, judiciário independente.
- Direito à autonomia regional.
- Estado secular (separação Igreja-Estado, fim do orçamento para o clero, proibição do ensino religioso obrigatório).
Reformas do Biênio (1931-1933)
Com Manuel Azaña como chefe de governo, foram implementadas reformas trabalhistas (Ministério do Trabalho e Largo Caballero), educacionais (construção de escolas, ensino laico), militares (redução de oficiais, juramento de lealdade à República) e agrárias (Lei de Reforma Agrária de 1932, com resultados limitados).
Realizações Culturais
Intelectuais como Ortega y Gasset, Marañón, Unamuno e García Lorca participaram ativamente da vida política. A política de difusão cultural incluiu as missões educativas e o teatro La Barraca. A Geração de 27 (Alonso, Cernuda, Aleixandre, Alberti, Salinas, Guillén, Diego, Lorca) e cineastas como Luis Buñuel marcaram a produção cultural.
Oposição e Conflitos
A oposição ao governo veio da direita (CEDA, Renovação Espanhola, Falange) e da esquerda radical (CNT, FAI, PCE). A crise econômica, greves e confrontos violentos (Castilblanco, Arnedo, Bajo Llobregat) aumentaram a tensão. A tentativa de golpe de Sanjurjo (1932) e os incidentes de Casas Viejas (1933) enfraqueceram o governo, levando à convocação de novas eleições em novembro de 1933, vencidas pela direita.